Richarlison novamente levanta sua voz à luta: “Parece que a gente não tem saída… Nem no dia da Consciência Negra. Aliás, que consciência?”

Ainda nesta semana, destacamos aqui na Trivela a atitude do atacante Richarlison, cobrando uma solução à calamidade que ocorre no Amapá. Nesta sexta-feira, Dia da Consciência Negra, o jogador do Everton merece menção novamente por se posicionar e emprestar sua voz diante do repugnante caso ocorrido no Carrefour de Passo D’Areia, em Porto Alegre. João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos, foi espancado até a morte por seguranças do hipermercado. O assassinato de um homem negro, na véspera de 20 de novembro.

Em tempos nos quais os jogadores preferem se afastar das discussões mais profundas e de assuntos de interesse geral, Richarlison mais uma vez se posicionou publicamente e deu visibilidade a um debate essencial. “Parece que a gente não tem saída… Nem no dia da Consciência Negra. Aliás, que consciência? Mataram um homem negro espancado na frente das câmeras. Bateram e filmaram. A violência e o ódio perderam de vez o pudor e a vergonha. George Floyd, João Pedro, Evaldo Santos foram em vão?”, postou o atacante.

Richarlison possui diversas iniciativas louváveis, especialmente de apoio à comunidade carente de Nova Venécia, onde cresceu. Nos últimos meses, o atacante também se tornou embaixador do USP Vida, apoiando o programa científico da Universidade de São Paulo. Também se posicionou sobre questões de interesse nacional, como as queimadas no Pantanal e o próprio apagão no Amapá. E sua voz vai além numa luta constante sobre questões raciais, como neste 20 de novembro. Não é a primeira manifestação do jovem neste sentido, pedindo justiça e igualdade. Não será a última. O futebol ganha com jogadores como Richarlison, num ambiente que também sofre com episódios de discriminação e preconceito, e que pode trazer uma discussão aprofundada ao restante da população.

Além de Richarlison, vale destacar o posicionamento do São José sobre o assassinato de João Alberto. Beto, como era conhecido, torcia pelo clube de Porto Alegre. A principal torcida organizada do Zequinha, os Farrapos, também se posicionou logo após a morte e promete um protesto diante do Carrefour, clamando por justiça. Por fim, vale ainda reforçar a campanha encampada pelo Observatório da Discriminação Racial no Futebol, lembrando que um jovem negro é morto no Brasil a cada 23 minutos.