Não há registros de jogadores em atividade se declarando homossexuais. Os mais famosos que o fizeram esperaram a aposentadoria – no caso de Robbie Rogers, ele ainda retornou para defender o Los Angeles Galaxy. Mas na opinião de Richarlison, atacante do Everton, o mudou mudou o bastante para que o futebol acolhesse quem decidisse assumir sua sexualidade em público.

O brasileiro deu as declarações ao site do Everton no fim de semana do Orgulho LGBTQ+ de Liverpool. “Eu acho que o futebol está ficando mais inclusivo, como deve ser. O mundo mudou muito. Não podemos mais viver como faziam 100 anos atrás. Somos todos iguais e devemos ser tratados assim”, disse.

“Por que não no futebol? Não podemos ser uma bolha em relação ao mundo. Acho que não haveria problema aqui (no Everton) ou em nenhum lugar (se um jogador se assumisse homossexual). Todos precisam ser tratados com respeito e igualdade. Eu li uma carta enviada à imprensa por um jogador gay da Premier League dizendo que a situação dele afeta sua saúde mental e que ele tem medo de dizer aos companheiros, por medo de que fique pior. Não deveria ser assim”, completou.

Richarlison também comentou a morte de George Floyd, homem negro asfixiado pelo joelho de um policial branco nos Estados Unidos, que levou a uma série de manifestações anti-racistas ao redor do mundo – inclusive nos jogos da Premier League.

“Nós convivemos com o racismo todos os dias. Não aparece apenas em palavras e ações, mas também disfarçado. Era racismo quando eu jogava bola com meus amigos e alguém me chamava de bandido, sendo que eu não havia feito nada para merecer aquilo”.

“Mas também é racismo quando as pessoas mudam de calçada quando um homem negro está vindo na outra direção. Há coisas sutis que mostram o tamanho do problema. É um sinal positivo que aquele ato bárbaro (contra Floyd) não passou despercebido novamente e as pessoas decidiram protestar e mostrar sua insatisfação com as autoridades ao redor do mundo”.

“Isso é extremamente importante. Se racismo acontecesse comigo, eu não teria problema de falar sobre isso. Mas, além de dar voz à pessoa que sofre o racismo, as leis precisam ser mais rígidas para aqueles que cometem esse ato nojento”, disse.

Seja sobre homofobia, racismo ou outras causas sociais, Richarlison também quer ser conhecido como um jogador que tentou mudar o mundo para melhor. “É extremamente necessário remover o rótulo dos jogadores de que devemos nos limitar ao esporte e não falar sobre mais nada. Todos nós que jogamos em grandes ligas e temos espaço na imprensa temos uma grande responsabilidade social. Não podemos ficar apenas em palavras, precisamos agir mais e mais para tentar ajudar e tentar mudar a realidade das pessoas”, encerrou.

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