O Atlético Mineiro derrotou o Botafogo dentro do Estádio Nilton Santos, na primeira partida pelas oitavas de final da Copa Sul-Americana, mas os gols perdidos por Ricardo Oliveira se tornaram um assunto tão visado quanto o gol anotado por Vinícius no triunfo por 1 a 0. O tento atleticano nasceu a partir de uma falha clamorosa da defesa botafoguense, é verdade. Ainda assim, a impressão foi de que o Galo poderia ter aberto uma vantagem bem mais confortável rumo ao jogo de volta. O veterano desperdiçou duas chances claríssimas, uma em cada tempo – e especialmente no segundo. Na saída do jogo, ele comentou sobre os erros e preferiu não dar desculpas sobre a fase ruim.

“Não posso me apoiar agora na falta de ritmo de jogo porque não sou um cara de desculpas”, declarou Ricardo Oliveira, em conversa com a reportagem do Esporte Interativo. “Não me apoio em nada, não tenho desculpa nenhuma. O único culpado desse momento sou. Com trabalho, com dedicação, com fé e com perseverança que isso muda. Como já falei, passei por isso algumas vezes na minha carreira. Essa está resistindo um pouco mais. Mas sou um cara de fé, um cara de trabalho, e acredito que, no momento certo, a bola vai entrar”.

Ricardo Oliveira amenizou o discurso ao falar sobre a cabeçada que completou para fora logo nos primeiros minutos de jogo, após cruzamento de Patric. Todavia, não teve como aliviar sobre o tento jogado fora no segundo tempo, quando recebeu a bola na pequena área e mandou por cima: “Não acho que no primeiro tempo houve um gol perdido, porque o Patric chuta para o gol e eu tento reagir naquela bola. Ele até falou que chutou muito forte e, quando eu vejo, a bola está muito em cima de mim e tento reagir. O gol perdido mesmo foi aquele do segundo tempo”.

“Sou um cara maduro. Eu sei avaliar todas as críticas, de quem vêm, de que maneira vêm. E eu também, como falei, sou um cara que me aponto o dedo e me cobro bastante”, afirmou, ao Superesportes. “Tudo muda. Acredito que o gol pode sair no próximo jogo, se eu entrar, se jogar. Para mim, é um momento de tranquilidade, de felicidade pela vitória do time, de insatisfação por ter perdido gol. Mas, por outro lado, feliz por ter voltado a atuar e jogado bem, por ter ajudado o time dentro do campo”. Enquanto isso, a seca se arrasta por 13 partidas.

A paciência da torcida atleticana com Ricardo Oliveira anda curta, obviamente. A entrada de Alerrandro no time acontece justamente pelo péssimo ano do veterano e seu retorno à titularidade se deu também porque o garoto vive oscilações naturais. É improvável imaginar que a passagem de Ricardo pelo Galo se alongará muito mais. Não resta muita escapatória além de assumir o que acontece e trabalhar. Ao menos, o centroavante não fez rodeios. E, em tempos nos quais as assessorias de imprensa treinam os jogadores a negarem o óbvio, a postura aberta ao falar sobre os próprios problemas até chama atenção. Tão rara que merece menção.