Quando deixou o Cruzeiro no início de 2015, Ricardo Goulart era um jogador de seleção brasileira. Vinha de duas ótimas temporadas com o time celeste, campeão brasileiro e eleito melhor jogador do Brasileirão de 2014. Se transferiu rumo à China para defender o Guanzghou Evergrande, o time mais forte do país nos últimos anos. Só que o bom desempenho em uma liga sem grande repercussão e de nível técnico inferior custou a Goulart seu lugar na seleção. Mesmo assim, conquistou o título chinês em 2015, eleito melhor jogador da liga, e agora tem a chance de levantar o título da Liga dos Campeões da Ásia. Se for campeão, poderá jogar o Mundial de Clubes e até enfrentar o Barcelona.

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O Guangzhou Evergrande é dominante na China nos últimos anos. O time ganhou o Campeonato Chinês nos últimos cinco anos, a Copa da China em 2012 e a Liga dos Campeões da Ásia em 2013. Goulart tem sido destaque do time e, junto ao técnico Luiz Felipe Scolari, do volante Paulinho e dos atacantes Elkeson e Robinho, têm a chance de conquistar um novo título continental. Neste sábado, o Guangzhou Evergrande recebe o Al Ahli, dos Emirados Árabes, e só precisa vencer para ficar com o título, depois do empate por 0 a 0 na ida.

Com um campeonato rico e um time forte continentalmente, o Guanzghou tem tudo para mais uma vez ir ao Mundial de Clubes, como foi em 2013 e até tentou dar algum trabalho para o Bayern de Munique. O time, que tinha Conca e Muriqui, além de Elkeson, que continua por lá, caiu nas semifinais para o time alemão. Desta vez, seria preciso passar pelo América do México nas quartas de final para chegar até o campeão europeu.

Em entrevista à Trivela, Ricardo Goulart contou sobre as semelhanças entre Brasil e China, tanto na parte tática quanto na estrutura de trabalho, e sobre a expectativa para a final. Do outro lado, o adversário é um conhecido de Ricardo: Éverton Ribeiro, com quem ele formou uma dupla afinada no Cruzeiro que ajudou o time celeste a levantar o bicampeonato brasileiro e chegaram, ambos à seleção brasileira. Confira a entrevista:

Trivela: Na China, você foi eleito o melhor jogador do campeonato que vocês acabaram campeões e você jogou na maior parte das vezes atrás do centroavante. O que muda taticamente nos times do Brasil e da China? Dá para identificar algo diferente?

Ricardo Goulart: Não vejo como mudança de Brasil e China. Vejo como uma mudança de treinador para treinador e estilo de jogo que cada um gosta de trabalhar. Como eu gosto de movimentar muito, isso também varia de jogo para jogo, pois posso vir mais de trás ou ficar mais fixo. No Cruzeiro mesmo eu mudava muito de posição a cada partida. E aqui na China tem sido assim também.

A rotina de treinos na China é diferente da do Brasil? Tem alguma diferença de estrutura dos clubes?

Aqui, assim como no Brasil, a estrutura para trabalhar é muito boa. No Cruzeiro era muito boa e aqui na China também. A rotina de treinos é parecida, mas aqui na China treinamos um pouco menos, sempre em um período só. Também tem menos jogos, e aí acaba que também temos mais dias de descanso, o que ajuda durante a temporada.

Como está sendo trabalhar com o Felipão na China? Mudou muito em relação ao técnico anterior?

É um treinador muito experiente, com títulos por onde passou, e se adaptou muito bem e rápido aqui. Ele nos ajuda muito e foi assim com o Cannavarro também, cada um ao seu estilo.

Como é a relação dos jogadores do Guangzhou com a torcida? É diferente do que era no Brasil?

A relação é muito boa. O pessoal aqui tem um carinho muito grande por nós. O estádio está sempre cheio, o pessoal gosta muito de futebol e eles têm uma admiração grande pelo futebol brasileiro.

A campanha do Guangzhou na Liga dos Campeões da Ásia tem sido muito boa e vocês têm uma boa possibilidade de conquistar o título em casa. Qual é a principal dificuldade em se jogar a Liga dos Campeões da Ásia? O que tem de diferente comparada à Libertadores?

A Liga dos Campeões da Ásia é a competição que os chineses mais querem vencer aqui, então isso acaba passando para nós jogadores também. O clube dá muito valor e a torcida também. O peso é de um grande título e esperamos conseguir. Na minha carreira procuro sempre conquistar títulos, já conquistamos o nacional e agora queremos a Liga. Tem que ser assim sempre, cada dia em busca de um novo objetivo.

Você tem como adversário nesta final o Everton Ribeiro, com quem você formou uma dupla que virou de Seleção Brasileira no Cruzeiro. Falou com ele antes e depois do primeiro jogo? Você costuma falar com ele?

Sim, o Everton é um grande amigo. A gente conversou antes do primeiro jogo, nos encontramos no jogo e no dia seguinte saímos junto com as esposas em Dubai. Foi legal poder reencontrar este grande amigo que o futebol me deu. Mas agora temos que pensar já no próximo jogo e cada um vai respeitar o outro defendendo o seu lado. Depois, aí vai ser a nossa vez de mostrar um pouco a China para eles.

Se forem campeões da Ásia, vocês poderão disputar o Mundial de Clubes. É algo que te seduz poder enfrentar um time como o Barcelona? Você acredita que um time asiático pode derrubar um time europeu, como o Mazembe fez com os brasileiros?

Seria muito bom jogar o Mundial, mas agora temos que pensar só na final. Sabemos que temos um adversário muito difícil pela frente. Conseguindo o título, aí vamos pensar na próxima competição. Tem que ser passo a passo. Não adianta pensarmos no Barcelona agora e perder o foco na final que não vai adiantar nada. Tanto nós quando o Al Ahli creio que vão poder jogar de igual para igual com qualquer um dos times que estiverem no Mundial.