Ricardo Gareca é muito festejado no Peru. O técnico mudou o rumo da seleção peruana ao longo das Eliminatórias para a Copa e conseguiu levar a equipe à classificação, depois do quinto lugar na classificação e a vitória na repescagem contra a Nova Zelândia. Será a primeira Copa do Mundo do Peru desde 1982, na Espanha. Foram 36 longos anos de espera e o técnico conta, em entrevista ao jornal Clarín, da Argentina, um pouco sobre a trajetória.

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Na conversa com o jornal argentino, falou sobre como aceitou o convite para dirigir a seleção peruana, depois de recusar a Costa Rica, sobre a importância da Copa América Centenário para a formação da equipe, a suspensão de Paolo Guerrero, maior ídolo e capitão do time, e também sobre o sonho de dirigir a seleção argentina um dia.

Refundação do futebol do Peru?

“Eu teria cuidado em usar essa palavra, não me atreveria a falar em refundar. Foi algo histórico classificar a uma Copa depois de 36 anos, mas o Peru tem um estilo definido e muitíssima história futebolística. Conto algo a vocês: quando me ofereceram dirigir o Peru, tive dúvidas. Vinha de dizer não à Costa Rica, apesar do que vi na Copa e gostei muito; porém, desconhecia a América Central. O desafio do Peru eu gostei mais porque conhecia seu futebol. Quem terminou de me convencer foi Cacho Córdoba, ex-companheiro meu no Boca e um grande amigo. Me disse: ‘É a seleção ideal para você. Porque o jogador peruano tecnicamente é bom. E essa é a tua debilidade'”.

Os méritos do Peru

“Encontramos a tempo uma maneira de jogar. Tivemos a sorte da Copa América Centenário, que nos deu a possibilidade de trabalhar com continuidade e conhecer mais aos jogadores. Algo que nas Eliminatórias não dá. Passamos por momentos complicados e com dúvidas, foi fundamental o respaldo do presidente da Federação e de [Juan Carlos] Oblitas [diretor da Federação Peruana]. Nos deram a tranquilidade e se bem ficamos em quinto na classificação geral, não perdemos nenhuma partida. Ficamos fora contra a Colômbia nos pênaltis”, disse o técnico.

 

Suspensão de Guerrero

“Me chamou Néstor Bonillo, o preparador físico, para me dizer que vinha ao meu departamento porque tinha que me dar uma notícia. Me pareceu algo raro, porque me diz as as coisas em seguida. Essa noite eu não consegui dormir. No dia seguinte, me dei conta que se não mudasse o chip rapidamente, não íamos nos classificar. Tinha que reagir diante dessa adversidade e pronto. Creio que a pena irá se reduzir e não tenho dúvidas que Paolo não consumiu nada proibido. Não tem antecedentes e há vários anos está jogando no Brasil, com três jogos por semana e nunca deu indícios de nada”.

Seleção argentina

“É algo que será determinado pelo destinou ou pelo acaso. Me preparei para dirigir a seleção argentina, em los últimos tempos me preparei para qualquer tipo de desafio. Os cinco anos no Vélez, com vários títulos, seguir para o Palmeiras, ainda que não tenha ido bem, a seleção do Peru… O destino te coloca em um lugar em tempo justo. Não sei se acontecerá. Não tem que ter ninguém no cargo, ou eu não tenho que estar trabalhando…”.


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