A Fiorentina atravessa uma semana empolgante. O anúncio de Franck Ribéry traz novos ares ao clube. Mesmo aos 36 anos, o atacante adiciona tarimba e qualidade técnica à Viola. Ainda pode render e certamente será uma atração especial na Serie A. Nesta quinta-feira, o camisa 7 foi apresentado oficialmente. Mais de 10 mil pessoas estiveram presentes no Estádio Artemio Franchi, para um anúncio hollywoodiano com luzes e outros aparatos. Além disso, em suas primeiras palavras, o craque ressaltou como a paixão dos italianos pelo futebol influenciou sua escolha, por mais que tivesse outras propostas. Trazido de graça após não renovar com o Bayern de Munique, o francês assinou por duas temporadas.

“A coisa que mais aprecio é que as pessoas aqui na Itália amam e vivem para o futebol. É uma experiência maravilhosa e quero me divertir em campo. O futebol é minha vida. Essa é a razão pela qual eu queria permanecer na Europa e tive sorte em encontrar a Fiorentina. Espero continuar jogando até os 40 anos, como Totti”, afirmou Ribéry.

“Obviamente, as boas vindas foram excepcionais e me lembraram de Marselha, pela forma como as pessoas vivem pelo futebol. O estádio cheio me faz querer vestir esta camisa ainda mais. Tive ofertas da França e estou longe de casa há um longo tempo, mas almejava uma nova experiência. Gosto da mentalidade de Florença e a cidade é linda”, complementou.

O craque ressaltou o esforço da diretoria e também a importância de sua esposa ao bater o martelo rumo à Viola: “Quero agradecer aos meus empresários e aos diretores do clube. Conversamos muito e chegamos a um acordo que me deixou muito feliz. Vi nos diretores muita motivação e confiança em mim. Minha esposa também foi decisiva para essa escolha, porque a família é fundamental para mim. Ainda não escolhi onde morarei, e não será simples, porque eu tenho cinco filhos!”.

Vitoriosíssimo no Bayern de Munique, Ribéry deixa claro que assinou com a Fiorentina para não ser figurante. Apesar da campanha ruim na temporada passada, em que o clube sofreu a ameaça do rebaixamento, o ponta vislumbra a classificação às copas europeias – e acha que é possível brigar pelo retorno à Champions League.

“Estou altamente motivado e ainda tenho fome de bola. Eu assinei por duas temporadas, então posso ser decisivo em campo e ajudar os jovens jogadores a amadurecerem. Também gostaria de trazer algo novo a um clube que tem muita ambição. Nós queremos terminar o campeonato pelo menos entre os cinco primeiros, talvez entre os três primeiros. Há muitos times lutando pelas vagas na Champions a cada temporada”, analisou. “A Serie A é um grande torneio, com muitos jogadores excelentes. A Inter fez um bom mercado, assim como a Juventus”.

O veterano reiterou como seu intuito é também auxiliar no desenvolvimento do elenco, citando sua própria experiência na seleção francesa. Avalia que sua influência pode ser positiva: “Eu penso em 2006, quando estava jogando com Zidane, Vieira e Trezeguet, que me ensinaram demais. Quero fazer o mesmo com os jogadores jovens agora, mas eles precisam sempre sentir fome. Hoje em dia, você vê jogadores que pensam que aprenderam tudo depois de três jogos. Esse não é o caso. Eu ganhei muito na minha carreira porque trabalhei duro todos os dias”.

Segundo Ribéry, Luca Toni teve papel importante em sua escolha. O veterano ligou para o centroavante, seu amigo nos tempos de Bayern, e soube um pouco mais sobre a Viola: “Estou muito feliz por estar aqui. Falo um pouco de italiano porque eu gosto da língua e, acima de tudo, da Fiorentina. Sabia há três semanas que eu viria para o clube. Luca Toni é como um irmão para mim e ele me disse para vir, porque esta cidade é linda”.

O francês também contou com a ajuda de outro amigo para vestir a camisa 7 da Fiorentina. Recém-contratado pelo clube, Erick Pulgar deveria usar o número. No entanto, Ribéry ligou para Arturo Vidal. Pediu que o antigo companheiro de Bayern intermediasse a mudança com o compatriota. O volante cedeu sem maiores problemas. É preciso respeitar a história do ponta.

Embora a rodada inaugural da Serie A aconteça neste final de semana, Ribéry deve levar mais algum tempo para estrear. Deseja recuperar a melhor forma, depois das semanas sem treinar: “Não estou pronto para começar, mas estou feliz que passarei a treinar com o elenco, o que já será um treino diferente. Preciso de uma semana ou duas para estar pronto. Mas se o técnico me disser que precisa de mim, eu vou me esforçar”.

A Fiorentina estreia neste sábado, e já com um compromisso bastante duro: encara o Napoli, dentro do Estádio Artemio Franchi. Sua sequência inicial, aliás, guarda várias pedreiras. Até o final de setembro, a Viola encara Genoa (fora), Juventus (casa), Atalanta (fora), Sampdoria (casa) e Milan (fora). Se o planejamento de Ribéry estiver certo, é possível vê-lo entrando em campo contra os rivais juventinos, após a Data Fifa. Seria mais uma apoteose em Florença.