“Ainda me sinto muito jovem no campo. Este estádio é sempre especial.” A descrição de Franck Ribéry para o San Siro poderia ser sobre si mesmo. Aos 36 anos, é bom ver o que o francês ainda é capaz de fazer e o que pode trazer à Série A em seu provável capítulo final de uma bela carreira. Ribéry lembrou seus melhores momentos de Bayern de Munique, com uma atuação pujante para liderar a Fiorentina no 3 a 1 sobre o Milan e afundar o time de Marco Giampaolo.

O show de Ribéry começou logo aos dez minutos, quando serviu com classe Federico Chiesa, que finalizou com perigo, para boa defesa de Donnarumma. Dois minutos depois, pegou a bola na intermediária, arrancou em velocidade, executou dribles incríveis com pouco espaço e finalizou para outra boa defesa de Donnarumma, que desta vez espalmou pra frente. Na sobra, Chiesa teve velocidade para chegar na bola antes da marcação e sofrer o pênalti cometido por Bennacer. Erick Pulgar converteu a cobrança para fazer 1 a 0 aos 14 minutos de jogo.

O Milan respondeu aos 23 minutos, com Suso arriscando chute da intermediária com efeito e forçando Dragowski a espalmar para escanteio, por cima do gol. Este foi o único lance de verdadeiro perigo da equipe de Giampaolo na primeira etapa. A Fiorentina, por outro lado, seguiu ameaçando, sempre com ele: Ribéry puxou ataque, soltou a bola para Chiesa, que cruzou para Castrovilli ampliar, mas, ao receber a bola do francês, o italiano estava em posição de impedimento. Gol anulado.

No início do segundo tempo, Ribéry foi mais uma vez decisivo, mas para desfalcar o Milan. Na zona central do campo, driblou Musacchio e sofreu falta dura do zagueiro. Após revisão com ajuda do VAR, o árbitro expulsou o jogador rossonero, o que desequilibrou ainda mais um confronto já favorável aos visitantes.

Aos 21 minutos da segunda etapa, Milenkovic subiu ao meio de campo para desarmar Çalhanoglu, conduziu com velocidade até tocar para Chiesa, e o ponta cruzou buscando Ribéry. Donnarumma interceptou, mas Castrovilli chegou no rebote para fazer 2 a 0. Minutos depois, Bennacer cometeu outro pênalti, desta vez em Castrovilli. Porém, aqui, Donnarumma evitou o gol, pegando a cobrança de Chiesa.

A dupla Chiesa-Ribéry seguiu infernizando a vida da defesa do Milan e, aos 33 minutos, combinou para o lance que matou de vez a partida. O italiano fez grande jogada individual, chamando a marcação para dançar, e Ribéry completou o baile: um só drible para tirar dois homens da marcação e abrir espaço para a finalização e o terceiro gol.

Rafael Leão devolveu o golaço com o seu próprio dois minutos depois. O português teve lance inspirado, deixou dois adversários no chão e bateu na saída de Dragowski para diminuir o prejuízo para 3 a 1.

O gol foi um alento, um sinal de que Leão pode, a médio e longo prazo, se provar uma contratação acertadíssima que trará retorno técnico e financeiro, mas esse foi o único ponto positivo da partida para o Milan. A situação do clube é terrível: é a terceira derrota seguida na Serie A. Nas seis primeiras rodadas, perdeu quatro partidas. A última vez que isso havia acontecido com o clube no Campeonato Italiano tinha sido na distante temporada 1938/39.

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A fase é tão ruim, aliás, que ajudou a reerguer a Fiorentina, um clube que viveu recentemente o seu próprio inferno. Antes da vitória na quarta-feira por 2 a 1 sobre a Sampdoria, a Viola havia passado 18 rodadas da Serie A sem vencer, somando as 14 últimas partidas da temporada passada.

Além disso, o triunfo sobre o Milan, o segundo consecutivo no campeonato, trouxe ao time de Florença a primeira sequência de duas vitórias na liga em quase um ano. Antes disso, a equipe havia vencido Empoli e ele mesmo, Milan, nas 16ª e 17ª rodadas da temporada 2018/19, em dezembro de 2018.

Marco Giampaolo começa a balançar no cargo após o péssimo início no comando do Milan. Em público, o discurso antes do jogo era de apoio da diretoria a seu trabalho, e ele próprio disse estar convencido de suas ideias, mesmo depois da derrota acachapante deste domingo. A torcida, no entanto, parece ter sua própria interpretação do momento.