Por Petrick Moreno

Cruzeiro contrata Duvier Riascos no pior momento em sua carreira nos últimos anos. As pessoas costumam sofrer de influência de última memória, sem levar em conta que os tempos mudam. Aquele Riascos do Tijuana na Libertadores de 2013 está adormecido. Depois daquela penalidade defendida por Victor nas quartas de final da Libertadores, o atacante vem em uma decadente interminável, colecionando atuações ridículas, onde inúmeras vezes apresentava-se extremamente desconcentrado e desfocado. Seus últimos trabalhos no Pachuca e Morelia foram alvos de críticas extremamente pesadas.

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O Tijuana sofreu um desmanche no meio de 2013. O técnico Antonio Mohamed e os principais jogadores deixaram o clube. Riascos faz este mesmo percurso e foi jogar no Pachuca. “La Culebra” chegou aos Tuzos como esperança de gols devido suas boas participações nos Xolos, mas, após uma longa série de atuações pífias, os torcedores do Pachuca perderam a paciência e passaram a vaiá-lo. Ao invés de responder dentro de campo, Riascos proferiu palavras nada educadas no Twitter, o que lhe custou uma multa. O atacante pediu desculpas públicas, mas sua relação com os Tuzos já estava por terminar. Sua passagem no Pachuca se resumiu em míseros dois gols em 1.159 minutos no Apertura 2013.

No Monarcas Morelia, Riascos novamente foi apagado. A situação do clube não ajudou. Os michoacanos passavam por um momento de transição. Os antigos donos (TV Azteca) haviam deixando de investir na equipe para centralizar as forças financeiras na nova propriedade, o Atlas. Com isso os principais jogadores do Morelia saíram da equipe, ficando sobre Riascos uma grande responsabilidade. Além desse momento turbulento político, as intensas alterações de técnicos também prejudicaram bastante todo andamento coletivo. Foram quatro treinadores diferentes no Clausura 2014 e outros dois no Apertura 2014. No Morelia, Riascos anotou três gols em 1.361 minutos no Clausura 2014 e um gol em 903 minutos no Apertura 2014.

Tecnicamente, Riascos está longe de ser um craque de nível mundial, mas quando bem direcionado (como foi no Tijuana de Mohamed), mostra qualidades úteis. É um jogador incisivo com e sem bola (ao menos em seus melhores tempos). Sua força explosiva e sua velocidade, quando bem aproveitadas, podem render variações interessantes dentro de um esquema bem articulado. Uma observação é que Riascos (quando com sua cabeça no lugar) é combativo e disciplinado acerca de responsabilidades defensivas. Segundo o site MedioTiempo, em sua trajetória no futebol mexicano (Puebla, Tijuana, Pachuca e Morelia) Riascos anotou 32 gols e levou 31 cartões em partidas do Campeonato Mexicano.

Cruzeiro deverá fazer um trabalho de recuperação para transformar esse Riascos atual, naquele Riascos das melhores épocas no Tijuana. Mas não pode achar que contratou um grande nome, um reforço de peso. Mais que uma solução, o colombiano é uma aposta. E todos na Toca da Raposa precisam estar conscientes disso.