Revolta da torcida, veto à arena da Copa, meses de espera: a epopeia do Brasília na Sul-Americana

A tumultuada estreia do clube brasiliense na Copa Sul-Americana é o destaque na coluna semanal "Além da Série A"

Você provavelmente não sabe, mas a noite desta terça é histórica para o futebol brasileiro. Ao menos para o futebol brasiliense. Após se sagrar campeão da Copa Verde em 2014, o Brasília finalmente estreará na Copa Sul-Americana, recebendo o Goiás.  No entanto, o duelo já está cercado por muitas das particularidades que fazem dos cantões do futebol alternativo tão interessantes. A começar pelo hiato na preparação dos brasilienses ao torneio. Após ser eliminado no Candangão, sem vaga na Série D, o time alvirrubro passou os últimos três meses sem disputar jogos oficiais. Desde 2 de maio, quando perdeu para o Gama, teve que se contentar apenas com treinos e amistosos. O elenco do estadual foi mantido, enquanto o clube apostou em reforços do futebol local e na chegada do técnico Omar Feitosa.

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Contudo, a ausência dos gramados não significa que o Brasília foi abandonado por sua torcida. Muito pelo contrário, houve até mesmo uma revolta popular. Em abril, o clube acabou comprado por Luis Felipe Belmonte, empresário com planos ambiciosos, que incluem o acesso à Série B em seis anos e a chegada de José Carlos Brunoro, famoso pelo trabalho à frente do Palmeiras durante os anos 1990. Neste processo, visando a “internacionalização da marca”, a diretoria lançou na última semana um novo uniforme e também um novo escudo. O que não teve boa aceitação dos torcedores, especialmente pela adoção da águia como mascote e da inserção de tons de azul na camisa. Bastaram alguns dias para voltarem atrás e recuperarem as tradições do clube de 40 anos, com o avião do Plano Piloto de Brasília no centro do escudo.

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Pior é que o Brasília não poderá jogar nem mesmo em sua casa, o Estádio Mané Garrincha, palco da Copa do Mundo de 2014. Embora tenha recebido recentemente jogos do Brasileirão, o elefante branco brasiliense não entregou os laudos completos para receber a partida da Copa Sul-Americana e acabou vetado pela Conmebol. Assim, a estreia dos alvirrubros terá que acontecer no Bezerrão, em Gama. Contra os reservas do Goiás, a equipe de Omar Feitosa não deverá ter entre os titulares os seus dois nomes mais conhecidos: o atacante Michel Platini (atacante que disputou as preliminares da Champions em 2013 pelo Ludogorets) e o lesionado meia Héverton (ex-Lusa, pivô da permanência do Fluminense na Série A). Será um time sem tanta tarimba, mas especialmente preparado para iniciar a história do futebol do Distrito Federal nas competições internacionais. Depois de três meses de ansiedade, enfim, o Brasília estará na Copa Sul-Americana.

Veja os outros destaques da coluna semanal “Além da Série A”:

Série B

O Vitória dispara

Vágner Mancini conduz ótimo trabalho no Vitória. Os rubro-negros emendaram a terceira vitória seguida, em um jogo difícil no Barradão. A equipe baiana recebeu o Santa Cruz e, diante das chances perdidas pelo ataque comandado por Grafite, segurou o placar por 2 a 1. Escudero e Elton anotaram os gols do Vitória antes dos oito minutos do primeiro tempo, enquanto os pernambucanos não conseguiram tirar a diferença no resto do tempo. O Leão da Barra sustenta um ponto de vantagem sobre o Botafogo na primeira posição e o Santa é o oitavo na tabela.

Botafogo aos trancos e barrancos

Depois de perder a liderança e correr o risco até de sair do G-4, o Botafogo se recupera. Venceu os dois últimos jogos, nos primeiros triunfos de Ricardo Gomes, mas não sem sofrer. Depois da virada sobre o ABC, os alvinegros buscaram o 2 a 1 sobre o América Mineiro dentro do Independência, resultado fundamental. A vitória derrubou o Coelho, adversário direto na tabela, para a terceira colocação.  Vice-liderança conquistada graças ao golaço de Carleto cobrando falta, aos milagres de Jefferson e à estrela de Neílton para consumar a virada.

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O adeus do Rivaldo?

Apenas 840 pessoas estiveram nas arquibancadas do Romildão. Estádio vazio para aquele que pode ser um momento histórico. Após breve volta aos gramados, aos 43 anos, Rivaldo voltou a indicar a sua aposentadoria, afirmando que passará por exames médicos para definir seu futuro. E, apesar da injeção de ânimo que deu logo de cara ao time, não parece que irá evitar o rebaixamento dos alvirrubros. Penúltimo colocado, o Mogi só empatou com o Luverdense, buscando o 1 a 1 no marcador. Após 77 minutos em campo, o velho craque deixou os gramados sob aplausos e também protestos da torcida, que reclama os centros de treinamentos que ele tomou para abater dívidas do Sapo. O veterano ainda recebeu uma placa do clube que preside.

Náutico dos meninos de Palmeiras e Santos

Depois de cair na tabela, o Náutico voltou a comemorar depois de quatro rodadas em jejum. Superou o Bragantino por 3 a 1 na Arena Pernambuco e está a apenas um ponto de voltar ao G-4. Resultado que se deve bastante às categorias de base dos paulistas. Afinal, dois gols vieram de jogadores que estão emprestados ao Timbu, após o sucesso que fizeram na Copa São Paulo. Promessa do Palmeiras, Patrick Vieira abriu o placar cobrando pênalti. Já no fim, o santista Stéfano Yuri saiu do banco para fechar o marcador.

A draga do ABC e do Macaé

Sete derrotas e um empate nas últimas oito rodadas. A sequência nada honrosa tem afundado o ABC na zona do rebaixamento, e perdeu a oportunidade de tentar respirar. Dentro do Frasqueirão, os potiguares acabaram derrotados pelo Boa Esporte por 1 a 0, gol de Chapinha com assistência de Pirão – e o futebol vive nestes nomes. Após apenas seis jogos no comando, o técnico Toninho Cecílio entregou o cargo. E quem também vai muito mal é o Macaé, que chegou a sonhar com o G-4, mas não vence há sete rodadas. Neste sábado, os cariocas conseguiram perder para o lanterna Ceará dentro do Moacyrzão por 2 a 1.

Não é mais o Pet

Petkovic segue fazendo um grande trabalho no Criciúma. Desde que assumiu o Tigre, quase conseguiu uma classificação histórica na Copa do Brasil e elevou o time à nona posição na Série B. Só que não sustenta mais a invencibilidade no trabalho. Após 11 jogos, o sérvio perdeu a primeira na visita ao CRB, no Rei Pelé. Artilheiro da Segundona, Zé Carlos ampliou os seus números ao anotar o primeiro tento na virada por 3 a 1.

Série C

 

Cai o último invicto, e justo para o Guará

O tropeço não foi suficiente para tirar a liderança do Grupo B, mas o Brasil de Pelotas perdeu o seu primeiro jogo na Terceirona. O Xavante foi até o Ecoestádio Janguito Malucelli, onde enfrentou o “novo” Atlético Guaratinguetá. O time se despediu do Vale do Paraíba no final de semana anterior, ratificando a nova parceria com o Atlético Paranaense, que cederá jogadores e a própria estrutura. Bom reinício para o clube, que venceu o segundo de seus 31 jogos em 2015: a Garça anotou 2 a 1 no placar, com tentos de Giovanny e Juninho. A quatro pontos do Madureira, o clube ainda tem esperanças de fugir da degola.

O “clássico” Tupi x Guarani

A alma indígena brasileira esteve em campo em Juiz de Fora. Em duelo de clubes com nomes de representativos povos, melhor para o Tupi. Os mineiros bateram o Guarani por 1 a 0, em belo gol de Ramon, e permanecem na segunda colocação do Grupo B. Os alvinegros já aturam sem Daniel Moraes, vice-artilheiro da Série C com oito gols, que não seguiu o exemplo de Leandrão e aceitou a proposta do Náutico para disputar a Segundona.

A queda livre do Juventude renasce a Portuguesa

Ex-líder do Grupo B, o Juventude sequer está no G-4 neste momento. Os gaúchos não vencem há três rodadas, e perderam para o Londrina dentro do Alfredo Jaconi neste domingo. Em jogo bastante movimentado, com uma expulsão para cada lado e muitas chances criadas, os paranaenses venceram por 3 a 1 e assumiram a terceira colocação. O tropeço também abriu brechas para a Portuguesa. Os rubro-verdes também estavam em jejum de três rodadas, mas superaram o Juventude no saldo de gols no fechamento da rodada. A Lusa recebeu o Madureira no Canindé e, apesar de suar, arrancou no fim o triunfo por 4 a 2.

O novo lanterna, nos acréscimos

Se as coisas não vão bem para o Juventude, estão ainda piores para o Caxias. Sem vencer desde o Campeonato Gaúcho, a equipe do técnico Marcelo Vilar perdeu em casa para o Tombense no final de semana. E com requintes de crueldade. O gol do triunfo dos mineiros por 2 a 1 saiu aos 48 do segundo tempo. Derrota que deixou os gaúchos na última colocação do Grupo B, depois da surpreendente vitória do Guaratinguetá.

Série D

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O clichê derruba a invencibilidade do Remo

Sabe aquele ditado que diz: “O futebol é uma caixinha de surpresas”? Mais puro clichê. E mais pura verdade. É só ver o que aconteceu em Roraima neste domingo. O Náutico era um dos únicos três clubes da Série D que ainda não haviam vencido. Tinham pontuação negativa, por causa da escalação irregular de jogadores. Finalmente conquistaram o primeiro triunfo nesta segunda: justo contra o Remo, que ainda estava invicto e segue como um dos favoritos ao acesso. O atacante Washington decidiu o jogo no Estádio Ribeirão, marcando dois gols na vitória por 3 a 2. Contudo, quem brilhou mesmo foi o goleiro Stanley, operando milagres para segurar o ataque paraense.

Demissão, sério mesmo?

Não dá para dizer que a Caldense está voando, como aconteceu no Campeonato Mineiro, mas ainda vive um bom momento. Os alviverdes somam 10 pontos e dividem a liderança do Grupo 5, com boa vantagem na zona de classificação. Mesmo assim, os mineiros demitiram o técnico Eugênio Souza, depois de sua primeira derrota na quarta divisão, contra o Comercial. O problema para a diretoria, porém, foi a falta de efetividade do ataque: a equipe anotou apenas quatro gols em cinco rodadas, três deles com o zagueiro Tiago Bernardi. O comandante havia substituído Léo Condé, que partiu ao Sampaio Corrêa após o vice-campeonato estadual. Já o novo técnico será Gian Rodrigues, que estava no Primavera de Indaiatuba.

O dia de Rodrigão no Campinense

O Campinense vem sobrando na Série D. O time venceu todos os seus jogos em casa e manteve o ótimo aproveitamento neste final de semana. Bateu o Coruripe por 3 a 1 em Campina Grande, em noite do centroavante Rodrigão. O artilheiro marcou os três gols na virada dos paraibanos, mostrando todo o seu oportunismo. Com cinco pontos de vantagem no Grupo 3 (a maior da Série D, ao lado do Crac), é difícil de imaginar que o Campinense deixe escapar a oportunidade de estar pelo menos nas oitavas de final.

Os invictos diminuem

Apenas três dos 40 times da quarta divisão seguem sem perder a esta altura do Campeonato: Campinense, River e Crac. Porém, os goianos contam com a melhor campanha, somando quatro vitórias e um empate. O time treinado por Júlio Sérgio (aquele, ex-goleiro do Santos e da Roma) emendou mais um triunfo jogando em Catalão. Danilo anotou o gol da vitória sobre o Duque de Caxias, que vem de três derrotas consecutivas.

Quando o dinheiro não vem

O Vilhena segue brigando pela classificação aos mata-matas, a despeito da grave crise que atravessa. O clube não paga salários há quatro meses, o que levou a comissão técnica e parte do elenco a acionarem a Justiça do Trabalho em busca dos R$ 500 mil devidos. E a gravidade da situação não para por aí. Por causa da inadimplência, o time de Rondônia não pode mais registrar atletas, bloqueado pela CBF. Diante das limitações, a equipe empatou em casa com o Rio Branco por 2 a 2, em partida marcada pelas muitas chances desperdiçadas.

Nacional, o maior sucesso das arquibancadas, mas nem tanto

O time com melhor público ao final da primeira metade da fase de grupos da Série D é o Nacional, do Amazonas. No entanto, os números não são muito impressionantes: a média é de 6,9 mil pessoas nas arquibancadas para os jogos em casa dos amazonenses. E a marca só se inflou graças ao “Clássico do Norte” contra o Remo, que contou com 11 mil pagantes na Arena da Amazônia. A média geral da quarta divisão é de apenas 1,2 mil torcedores por jogo. Já a menor pertence ao Aparecidense, que levou somente 280 pessoas em duas partidas.

Pelos estaduais


O pior tiro de meta de todos os tempos

Bizarro é pouco para descrever o lance na Copa Valmir Louruz. Farroupilha e Lajeadense empataram por 2 a 2, mas nenhum gol chamou mais atenção que o tiro de meta cobrado por Jonathan, goleiro dos alviazuis. Na tentativa de passar para um companheiro na lateral da área, ele mandou a bola direto para a linha de fundo. E o pior é que o árbitro também errou, ao dar escanteio em lance no qual a bola sequer entrou em jogo. Sequência de bobagens, mas que não foi além disso.

O maior fracasso de São Paulo, em disputa

A primeira fase da quarta divisão paulista terminou nesta semana. E é até difícil apontar quem é o pior time da competição. No aproveitamento, ninguém supera o Ecus Suzano. Os tricolores só ganharam um de seus 18 jogos – e isso, para encerrar o jejum de um ano sem vitórias. Com cinco pontos, tomaram 60 gols, e fecharam sua participação com a derrota por 14 a 2 para o Mauaense. Mesmo assim, não teve a menor pontuação ou a pior defesa da competição. A honraria fica com o Osvaldo Cruz, que venceu três jogos, mas terminou com pontuação negativa por causa da escalação de jogadores irregulares. O time sofreu 61 gols, e só terminou em vantagem no quesito porque se despediu do torneio com os 10 a 0 do Grêmio Prudente. Não fosse a perda de pontos, ainda ficaria na frente do Bandeirante de Birigui, que também só teve uma vitória, mas levou “apenas” 39 gols em 18 rodadas.

Itaboraí rumo ao título no Carioca

Se o título da primeira divisão não valeu muito ao Vasco, e o America comemorou bastante a conquista da segundona, o Rio de Janeiro coroa o seu terceiro campeão estadual neste momento. Na Série C, o Itaboraí está bem perto da taça. Venceu o Artsul por 3 a 1, em Madureira. Edu, duas vezes, e Caio Cezar anotaram os gols. Já os adversários descontaram com Edu Pina, revelado pelas categorias de base vascaínas. Fundado em 1976, o Itaboraí chegou a ser vice-campeão do extinto Campeonato Fluminense, em 1977, em sua penúltima edição antes da fusão com o Carioca.