Liverpool e Arsenal entraram em campo para as oitavas de final da Copa da Liga Inglesa com equipes que misturaram reservas e garotos. É praxe para ambos em competições secundárias. A grande novidade foi o espetáculo que ambos proporcionaram em Anfield, com um duelo de cinco gols, empate no fim e uma disputa de pênaltis da qual o Liverpool saiu vencedor, após empate por 5 a 5 no tempo normal.

Jürgen Klopp escalou cinco jogadores com até 20 anos: o goleiro Caoimhin Kelleher (20), o lateral direito Neco Williams (18), o atacante Rhian Brewster (19), o zagueiro Sepp van den Berg (17) e Harvey Elliot, de apenas 16 anos. O restante foi recheado pela experiência de James Milner na lateral esquerda, com um meio-campo formado por Naby Keita, Adam Lallana e Alex-Oxlade Chamberlain, com Divock Origi no ataque.

No Arsenal, Héctor Bellerin fez apenas seu quarto jogo na temporada, e Mesut Özil, o terceiro. Unai Emery também deu chance à garotada, com Joseph Willock (20), Bukayo Saka (18) e Gabriel Martinelli (18) desde o início. A zaga foi formada por Rob Holding e Shkodran Mustafi, que abriu os trabalhos com um gol contra, aos seis minutos do primeiro tempo. O Liverpool acelerou pela direita com Chamberlain. Brewster pressionou no cruzamento rasteiro, e Mustafi mandou contra o próprio patrimônio ao errar o corte.

Mas, de repente, o Arsenal emendou três gols. O primeiro surgiu em passe de Özil pela direita, depois de a defesa do Liverpool se bagunçar inteira. Saka estava livre na marca do pênalti para bater de primeira. Kelleher ainda fez a defesa, mas Torreira pegou o rebote e empatou. Pouco depois, uma cobrança de falta rápida acionou Maitland-Niles pela direita. A bola bateu na defesa e quase surpreendeu Kelleher. O tapinha do goleiro, porém, sobrou para Martinelli. A pouca distância da meta, o brasileiro chutou com toda a força para cima e conseguiu a virada.

Özil foi mais uma vez importante no terceiro gol, talvez nem tanto quanto Elliott, que deu um passe na fogueira para Gomez. Özil interceptou com um toque esperto para Saka. O cruzamento encontrou Martinelli completamente livre dentro da área: 3 a 1. Antes do intervalo, Elliott redimiu-se do erro sofrendo pênalti, e Milner, especialista no quesito, descontou.

Cinco vira, cinco acaba. O Arsenal voltou a ampliar a sua vantagem no começo do segundo tempo, em outro erro crasso da defesa do Liverpool. Keita passou a Milner, que tentou recuar a Kelleher, mas pegou mal demais. O passe acabou curto, e Saka conseguiu interceptar. A bola dirigia-se à linha de fundo, mas Özil estava esperto. Impediu-a de sair e devolveu a Saka com um toque de calcanhar: 4 a 2.

Mas não demorou muito para o Liverpool reagir. Quatro minutos depois, Alex-Oxlade Chamberlain acertou um chutaço de fora da área para diminuir, confirmando a famosa Lei do Ex, e Origi emendou outro bonito gol. Curtis Jones, outro garoto, 18 anos, entrou no lugar de Keita e tocou rasteiro para o atacante belga. No domínio, Origi tirou Holding da jogada e mandou de perna direita de fora da área.

Tudo empatado, e o momento era do Liverpool, mas isso não significa nada quando o jogo está no aleatório. Joseph Willock recebeu na intermediária, avançou, avançou, avançou e soltou a perna direita no ângulo de Kelleher para restaurar a vantagem visitante.

Os jogadores conseguiram, enfim, respirar um pouco nos minutos seguintes. A partida ficou morna e parecia que o Liverpool perderia em Anfield pela primeira vez desde setembro do ano passado, quando foi derrotado pelo Chelsea, também pela Copa da Liga. Só que Origi está acostumado demais a fazer gols decisivos e improváveis para desperdiçar a oportunidade. Aos 49 minutos do segundo tempo, Neco Williams cruzou da direita, e Origi, na marca do pênalti, emendou um voleio de primeira para empatar.

Pênaltis. Diante da Kop, principal arquibancada de Anfield, os seis primeiros batedores acertaram suas cobranças, sem grandes problemas. Até chegar a vez de Dani Ceballos. O meia espanhol parou nas mãos de Kelleher. Origi converteu, Maitland-Niles também, e o garoto Curtis Jones teve a personalidade de executar a cobrança decisiva e colocar o Liverpool nas quartas de final, depois de uma das partidas mais divertidas que já existiram.

.

.