Marco Reus está em uma nova fase de sua carreira: 30 anos, capitão do Borussia Dortmund, aparentemente livre dos problemas físicos mais sérios. É agora o líder de um novo time que está sendo montado no Vale do Rühr. Em longa entrevista ao DAZN e ao Goal.com, o alemão falou sobre os vários passos de sua carreira, do início na base do Dortmund ao retorno ao clube que ama. De seu relacionamento com Mario Götze e Jürgen Klopp e mais alguns assuntos. 

Quando deixou o Dortmund 

Eu ainda era reserva, como lateral direito. Claro que não era satisfatório. Depois, não fui usado em alguns jogos. Rapidamente, ficou claro para mim que a temporada seria difícil. Quando jogamos contra o Rot Weiss Ahlen, meu pai perguntou ao coordenador da categoria de base se poderia fazer um teste lá. Foi assim que aconteceu. A iniciativa foi minha, mas certamente influenciou que fui considerado muito pequeno e magro. O que eu posso dizer é que parece muito legal para todo mundo jogar por Borussia Dortmund, Bochum, Schalke, Bayern e outros clubes grandes quando jovem. Mas a principal prioridade nessa idade tem que ser jogar e se divertir. É o único jeito de se desenvolver, o único jeito de ter sucesso. Claro que há momentos em que as coisas não funcionam. Você não pode sair imediatamente, mas, se não houver perspectiva, precisa se preocupar. No meu caso, a decisão de mudar para o Ahlen foi relativamente rápida. 

Por que depois escolheu o Borussia Mönchengladbach

O tempo fez bem a Marco Reus (Foto: Getty Images)

Sou um fã de continuidade e realmente queria ficar no Ahlen por mais um ano. Eu havia terminado minha primeira temporada na segunda divisão, jogado 27 partidas e senti que era muito cedo para dar o próximo passo. Max Eberl (então diretor do Gladbach) cuidou muito bem de mim. Eu visitei Mönchengladbach algumas vezes, olhei o estádio e a infraestrutura. Foi muito impressionante. Mesmo assim, meu pai e meu advogado tiveram que lutar para que eu fosse. 

Por que voltou ao Borussia Dortmund

Por um lado, eu me sentia muito confortável no Gladbach. Tínhamos um time muito forte e sempre gostei de continuidade, como já enfatizei. Eu senti que poderíamos construir um time para jogar futebol europeu por anos, o que o Gladbach não fazia há tempos. Por outro lado, você não recebe duas ou três chances de voltar ao clube em que cresceu. Eu pensei muito, criei uma lista de prós e contras. Relativamente rápido, tomei a decisão de que queria ir para o Borussia Dortmund. Foi, no fim, uma decisão do coração. 

Primeiro contato com Jürgen Klopp

Reus recebe aquele abraço de Klopp (Foto: Getty Images)

Meu Deus. Jürgen era um animal. Você só conhecia alguém como ele pela TV. Se Jürgen senta à sua frente, com sua aura, com sua agressividade, que ele irradia quando fala, com seu tamanho, é muito impressionante. Mesmo a maneira como ele fala com você é rara em negócios profissionais. Ele o enfeitiça e não o larga. Ele foi definitivamente uma das razões de eu ter ido ao Dortmund. Quando um clube quer contratar um jogador, é importante que o treinador passe ao jogador a sua filosofia e explique o que ele está fazendo. Não foi diferente comigo. Shinji Kagawa havia ido ao Manchester United naquele ano. Eu era o substituto. Conversamos sobre a posição em que ele me via e em que áreas eu poderia melhorar. Jürgen consegue desenvolver jogadores e melhorá-los. Isso é um fator muito importante. Ele tem um jeito especial, no treinamento e na interação pessoal. 

Quando Götze contou que ia embora

“Eu vou para o Bayern, Marco”. “Quê???”

Eu estava em casa. A campainha tocou, e Mario estava na minha porta. Ele me contou pessoalmente que deixaria o clube. Naquele momento, eu não sabia que pensar ou dizer. Eu havia acabado de chegar ao Dortmund e sentia que poderíamos ser uma boa dupla. Foi difícil entender sua decisão naquele momento. Tínhamos um bom time para os próximos anos. E eu tinha a sensação que nos completávamos bem e poderíamos jogar ainda melhor juntos. Quando um dos melhores jogadores vai embora, é difícil entender. No fim, todo mundo tem que tomar suas próprias decisões. Você tem apenas uma carreira. E se aquela foi a decisão certa para ele, então todos têm que aceitar isso. 

Reação da torcida 

Eu dei carona para Mario antes do jogo contra o Real Madrid pela Champions League. Ele estava sentado no banco de trás, os torcedores estavam esperando por ele. Não foi uma decisão fácil. Eu sei o que ele passou e não queria estar na pele dele. A pressão em seus ombros não pode ser entendida por mim ou por quem vê de fora. Mario lidou com a situação muito bem, fez um grande trabalho  e preparou o primeiro gol. É por isso que ele merece muito respeito.

Semifinal contra o Real Madrid

Naquele ano, eu esperava qualquer coisa deste time – e quase conseguimos. Éramos incrivelmente bons. Tínhamos jogadores muito rápidos, mas também alguns que sabiam lutar. Éramos uma estrutura estável. Na ida (4 a 1 no Signal Iduna Park), eu não senti que o jogo escaparia nem quando Ronaldo fez 1 a 1. Claro que foi difícil, mas, em certo momento, começamos a jogar em um frenesi. (A volta) foi um inferno. Os últimos dez minutos foram os mais longos da minha carreira. No Santiago Bernabéu, a torcida ficou cada vez mais barulhenta e próxima ao gramado. O Real fez os gols relativamente no fim, depois de termos perdidos grandes oportunidades. Depois do apito final, você fica muito emocionado, mas também exausto porque o jogo custou muito mentalmente.