Desde o último mês, a Internazionale esteve no centro da discussão sobre racismo no futebol italiano. Os ataques contra Kalidou Koulibaly no importante jogo contra o Napoli geraram uma série de repercussões. O clube foi punido e precisará fazer suas duas próximas partidas como mandante com portões fechados. Todavia, diante do episódio lamentável, a diretoria nerazzurra trabalhou para afastar o racismo de sua imagem – uma postura que, por incrível que pareça, não é comum entre os times do Calcio.

Primeiro, a Inter publicou uma carta reafirmando a sua luta pela inclusão e contra a discriminação, algo presente desde os seus primórdios e registrado no próprio nome da instituição. Depois, para que demonstrar sua luta contra o racismo, pediu para que crianças ocupassem as arquibancadas durante as rodadas de punição. Ganhou a permissão para que mais de 10 mil meninos e meninas acompanhem o duelo contra o Sassuolo, neste final de semana. Já nesta sexta, os interistas lançaram uma campanha contra os cânticos racistas. Participam dela o presidente Zhang Kangyang, assim como ídolos do passado e do presente.

No vídeo, a Inter tenta dar um novo significado ao “buu” que se ouve nas arquibancadas, atribuído como uma imitação de sons feitos por macacos. Para os nerazzurri, o termo agora é uma sigla que quer dizer Irmãos Unidos Universalmente (ou “Brothers Universally United”, em inglês). Na produção, Icardi, Eto’o, Zanetti e Figo pedem para que o termo seja escrito, não mais dito.

Vale lembrar que, além da Inter, o próprio Kalidou Koulibaly recebeu dois jogos de suspensão. O zagueiro foi expulso no San Siro ao ironizar o árbitro, depois de pedir para que o jogo fosse interrompido por causa do racismo. A federação italiana, que se mostrou extremamente conivente com a atitude do juiz e pouco compreensiva com o episódio, optou por manter o gancho. Desta maneira, o senegalês não poderá enfrentar a Lazio no próximo compromisso pela Serie A.