No próximo fim de semana, as eliminatórias para a Copa das Nações Africanas 2012 entrarão num estágio decisivo. Tudo porque a competição vai para a sua penúltima rodada e seleções tradicionais como Nigéria, Argélia, Tunísia, Camarões e Egito estão em situações nada confortáveis. A disputa reúne quarenta e quatro países distribuídos em onze grupos, sendo nove deles com quatro equipes. As exceções são o Grupo F, com apenas três (devido à desistência da Mauritânia) e o Grupo K, com cinco, após a readmissão de Togo. A coluna traz um panorama dos principais jogos que paralisarão o continente daqui a alguns dias.

No confronto direto pela liderança do Grupo A, Mali entra pressionada por uma vitória sobre o surpreendente Cabo Verde. E para este confronto decisivo, o técnico Alain Giresse rendeu-se ao apelo popular e voltou a convocar o meia Seydou Keita, do Barcelona, que não atuava pela seleção malinesa desde a CAN do ano passado. Em compensação, o experiente Mahamadou Diarra acabou ficando de fora. A verdade é que desde 2004, quando fechou a principal competição continental de seleções na quarta posição, Mali acumula fracassos. Uma vitória pode ser o primeiro passo para reverter este panorama.

Pelo Grupo B, a Nigéria está em uma situação um pouco mais delicada. Se quiser uma vaga direta na CAN, sem depender da repescagem (que qualifica os dois melhores segundos colocados da classificação geral), não basta só uma vitória sobre Madagascar. As Super Águias também estarão de olho no jogo de Guiné, que recebe a fraca Etiópia e lidera o grupo com 10 pontos, três a mais que os nigerianos. O técnico Samson Siasia não contará com Taiwo e Odemwingie, ambos lesionados, enquanto o promissor Ahmed Musa, que disputou o Mundial Sub-20 e está em alta no VVV Venlo, da Holanda, foi chamado.

Devido à instabilidade política vivida pela Líbia, relatada na última coluna, o duelo entre líbios e Moçambique pelo Grupo C foi transferido de Trípoli para Cairo, capital do Egito, e será disputado com portões fechados. Mandar jogos longe de casa não é bem uma novidade para a Líbia, mesmo porque na vitória por 3 a 0 sobre Comores, em março, a equipe atuou em Mali. De quebra, a Confederação Africana de Futebol também discutirá a mudança da sede da CAN 2013, que seria na Líbia, mas por motivos supracitados, pode ser sediada pela África do Sul.

Dirigida pelo belga Eric Gerets, a seleção do Marrocos tem a chance de assegurar a liderança do Grupo D caso vença a República Centro-Africana. O meia Said Fettah, do Wydad Casablanca, é a grande novidade da lista, enquanto Adel Taarabt segue de fora após desavenças com Gerets pouco antes da goleada sobre a Argélia por 4 a 0. Falando nos argelinos, o duelo contra a Tanzânia marca a estreia do bósnio Vahid Halilhodzic no comando dos Fennecs. Embora o treinador desconverse quanto às possibilidades de classificação, duas vitórias nos próximos dois jogos ainda podem garantir uma vaga pela repescagem. Difícil, mas não impossível. A pressão já é enorme, sobretudo após as convocações de Belfodil e Brahimi, ‘perseguidos’ pelos argelinos por também possuírem cidadania francesa.

Pelo Grupo E, Camarões recebe a inexpressiva seleção de Ilhas Maurício e deve vencer com tranquilidade. Todavia, a situação na tabela não é tão cômoda quanto parece. Os Leões Indomáveis somam apenas cinco pontos, contra sete do Congo e dez do líder Senegal. Ou seja, mesmo vencendo seus dois próximos compromissos, Camarões certamente ficará na torcida por uma combinação de resultados para garantir classificação. Edgar Salli, melhor jogador do último Africano Sub-20, e o experiente Eric Djemba-Djemba são as grandes novidades da convocação de Javier Clemente.

Pelo Grupo F, que conta com apenas três equipes, Namíbia e Gâmbia precisam vencer para não serem antecipadamente desclassificadas. A África do Sul, que lidera o Grupo G, terá pela frente um difícil duelo contra Níger fora de casa. Na mesma chave, o Egito, que visita Serra Leoa, paga pelo período conturbado que culminou na demissão do técnico Hassan Shehata e já está virtualmente eliminado, com apenas dois pontos ganhos em quatro partidas.

Enquanto isso, a Costa do Marfim ri à toa e enfrenta Ruanda apenas para cumprir tabela no Grupo H, pois garantiu classificação antecipada ainda na rodada passada. Pelo Grupo I, Gana enfrenta a Suazilândia de olho no amistoso contra o Brasil, que será disputado três dias depois. Mas é bom concentrar suas atenções apenas na CAN: os Estrelas Negras dividem a liderança da chave com o Sudão, ambos com dez pontos, e a última rodada em outubro reserva um confronto direto na casa dos sudaneses.

E falando em confronto direto, o duelo entre Angola e Uganda movimentará o Grupo J. Os ugandeses lideram com dez pontos, quatro a mais que os Palancas Negras, que vivem um ambiente classificado pela imprensa local como ‘Operação Uganda’. Por fim, o Grupo K pode ser definido já nesta rodada. Botswana, que não pode mais ser alcançada na liderança da chave – e consequentemente já está classificada -, ganhará a companhia de Tunísia ou Malauí caso haja um vencedor no confronto direto entre as equipes neste sábado. Os tunisianos depositam suas fichas na dupla Issam Jemâa, artilheiro das eliminatórias, e Sami Allagui, em grande fase no Mainz 05.

Liga dos Campeões: cadê os gols?

Recheada de expectativas, a quarta rodada da fase de grupos da Liga dos Campeões africana foi uma verdadeira decepção. Dos quatro jogos realizados, nada menos que três terminaram em 0 a 0. Quem fugiu à regra foi o Coton Sport, que acabou com o embalo do Al-Hilal batendo os sudaneses por 2 a 0. Entretanto, os camaroneses seguem em situação difícil na chave com apenas quatro pontos, contra sete do Al-Hilal e oito do Enyimba, que arrancou um empate fora de casa contra o Raja Casablanca sem gols.

Quando a situação do Raja parece estar ruim, acreditem, piora. Os marroquinos esbarraram na forte retranca do Enyimba e seguem sem marcar ao menos um golzinho em quatro partidas disputadas. O Wydad Casablanca adotou a mesma tática dos nigerianos para segurar um 0 a 0 contra o Espérance, em jogo válido pelo Grupo B. O resultado foi bastante comemorado pelos marroquinos, que de quebra, ainda se divertem com a situação conturbada do rival Raja.

Já o Al Ahly, heptacampeão egípcio consecutivo, segue esbarrando em um tabu: ainda não marcou gols fora de casa nesta Liga dos Campeões. Nem mesmo contra o fraco MC Alger, da Argélia, os egípcios balançaram as redes. Já é o suficiente para que a lua de mel da torcida com o multicampeão Manuel José comece a se converter em uma chuva de críticas. Os dois próximos compromissos do Al Ahly começam a ganhar contornos dramáticos: Wydad Casablanca, fora de casa, e o clássico continental contra o Espérance.