A Uefa respondeu à carta do Arsenal reclamando sobre os problemas logísticos para seus torcedores chegarem a Baku, além do baixo número de ingressos designados a cada um dos finalistas da Liga Europa – seis mil para os Gunners, outros seis mil para o Chelsea. A resposta da Uefa tanto sobre a localização da sede da final quanto para a alocação dos ingressos é ótima, técnica e traz dados importantes. Só que levanta questões importantes sobre os problemas de finais em jogo único em local pré-determinado.

“Nós recebemos a sua carta no dia 15 de maio. Eu gostaria de dar a você um pouco de profundidade na resposta. Sabendo da sua longa experiência no futebol e em competições da Uefa, eu tenho certeza que você pode entender totalmente que a organização de uma final é uma operação complexa e demorada. A Uefa se comprometeu a escolher as sedes apenas através de um processo transparente e justo, onde os candidatos devem fornecer evidências da sua capacidade de realizar o evento com base em vários critérios que são cruciais para sua entrega bem-sucedida”, diz o texto no site da Uefa.

“O processo de licitação para uma final de competição para uma final de competição do o clube geralmente é realizado com um par de anos de antecedência, o que significa que as circunstâncias exatas em que a final terá que ser organizada não podem ser conhecidas no momento da nomeação”, afirma o comunicado da Uefa.

“Mobilidade e acomodações são obviamente critérios chave sob avaliação, com a capacidade do aeroporto sendo um elemento importante. A especificidade da final da Liga Europa, quando comparada à Champions League, é a alta volatilidade no número de torcedores acompanhando os dois times finalistas. Experiência de finais anteriores nos mostram que os números podem variar inconsistentemente de time para time e de final para final, e que, portanto, não é aconselhável estabelecer a cota de ingressos das duas equipes finalistas como uma proporção de capacidade do estádio em vez de números estatisticamente realistas. Seria ideal, é claro, adiar todo o processo de venda de ingressos (incluindo ingressos para o público neutro) até o momento quando os times são conhecidos ou sorteados. É claro que isso não é possível devido à complexidade de todas as operações de emissão de ingressos e a necessidade de elaborar planos de segurança mais completos e robustos”.

“Nem precisa dizer que uma final totalmente inglesa jogada por dois times de Londres não era um evento muito previsível no momento da escolha. Há poucas dúvidas que isso adiciona dificuldades adicionais à logística do evento. Nós realmente sentimos muito pelos problemas que os seus torcedores (e do Chelsea) estão encontrando em tentar organizar suas viagens para Baku. Nossos especialistas estão trabalhando intensamente nesse assunto, com o objetivo de ajudar a encontrar soluções mais baratas para os torcedores viajantes. Gostaríamos de receber um esforço conjunto com o seu clube a esse respeito”, explica o comunicado.

“Para a Uefa, os torcedores são prioridade. O futebol é para os torcedores e para todos aqueles ao redor da Europa que deveriam ter uma chance de aproveitar momentos únicos do topo do futebol, assim como competições da Uefa podem oferecer. Aquelas partidas que usualmente são reservadas para um número limitado de países que os clubes são particularmente competitivos, mas, quando a infraestrutura existe e é construída nessa perspectiva, é justo e não só para dar aos outros torcedores a possibilidade de uma experiência única ao vivo, mas também para encenar eventos que podem impulsionar grandemente a promoção do futebol em toda uma região. É por isso que a Uefa considera totalmente injusto excluir determinados locais apenas na base da sua posição geográfica descentralizada”, continuou a Uefa.

“Nós confiamos no seu entendimento como homens do esporte e representantes de um clube com uma longa e gloriosa tradição e sólidos princípios esportivos. Eu confirmo nossa disponibilidade para trabalhar com você para encontrar soluções úteis para seus torcedores”, termina a carta da Uefa.

As explicações da Uefa são claras como raras vezes vemos, o que é ótimo. As justificativas são bastante plausíveis. Só que isso aponta exatamente os problemas de ter finais em jogo único, como é o caso na Europa há tantos anos e como a América do Sul copiou, com a Conmebol determinando que a partir deste ano, 2019, será assim. E é fácil relacionar os problemas de Baku com os que os torcedores e clubes enfrentarão em finais na América do Sul. Por isso, vale a reflexão, baseada na experiência e explicações de uma entidade acostumada a fazer finais em jogo único com sede pré-determinada.