Última rodada da fase de grupos. A Internazionale jogava em casa pela classificação às oitavas de final da Champions League, um dos objetivos cruciais da temporada. Depois do jogo, decepção nas arquibancadas. Os nerazzurri não conseguiram o resultado que precisavam, mesmo dependendo só de si, e amargam a ida para a Liga Europa. Poderia ser a descrição da temporada 2018/19, mas serve também para o que aconteceu nesta temporada, 2019/20, na vida do time de Milão. A Inter perdeu por 2 a 1 para um Barcelona recheado de reservas, em um jogo que precisava vencer para se classificar.

O resultado é mais uma decepção para a Inter na Champions League. Na temporada passada, quando caiu no grupo do mesmo Barcelona, precisava vencer o PSV, em casa, para avançar. Só empatou. Viu o Tottenham empatar com o Barcelona no Camp Nou e avançar – e iria até a final com o Liverpool.

O pecado mortal desta vez para a Inter veio na primeira rodada. Só empatou com o time que, ainda que tenha mostrado qualidades importantes, não poderia ter perdido pontos: o Slavia Praga. Os tchecos mostraram que não seriam adversários fáceis em todos os outros jogos, inclusive contra o Barcelona, quando venderam caro a derrota em casa e arrancaram um empate na Catalunha. A Inter ainda poderia ter um resultado melhor contra aquele que ficou claro que era o seu adversário, o Borussia Dortmund. Venceu em Milão, mas deixou escapar a vitória em Dortmund depois de abrir 2 a 0. Perdeu por 3 a 2 e viu a classificação ficar sob risco.

É mais um fracasso que se soma à carreira de Antonio Conte na Champions League. O técnico se caracterizou no seu período na Juventus em dominar a liga italiana, mas sofrer na Champions. Era pelo que o treinador era mais cobrado no comando da Velha Senhora. E isso ficou ainda mais forte quando Massimiliano Allegri, que chegou contestado, levou o time a duas finais europeias em três anos – 2015 e 2017.

A Inter terá muito a refletir e precisará focar as suas forças na Serie A, onde é líder e certamente precisará disputar ponto a ponto com a Juventus pelo título. Ainda estamos antes do meio da temporada e o clube precisa mais do que se garantir na Champions: precisa lutar pelo título de forma efetiva, como não acontece basicamente desde a Tríplice Coroa, em 2009/10, quando conquistou Copa da Itália, Campeonato Italiano e Champions League, ainda com José Mourinho.

O jogo

Precisando a vitória, a Inter foi a campo com a sua formação que tem sido habitual, com três zagueiros, alas avançados, três meio-campistas e dois atacantes. O técnico Antonio Conte tinha problemas no meio-campo com as lesões. Sem Stefano Sensi e Nicolò Barella, dois destaques do setor, e ainda sem Roberto Gagliardini, que poderia ser opção, os nerazzurri entraram em campo com Marcelo Brozovic, Matías Vecino e Borja Valero. No ataque, a dupla que tem sido o grande sucesso do time, Lautaro Martínez e Romelu Lukaku.

O Barcelona levou a campo um time repleto de reservas. Apenas o zagueiro Clément Lenglet e o atacante Antoine Griezmann vinham sendo titulares nos últimos jogos e começaram a partida. Ivan Rakitic foi titular e capitão do time – ele também foi titular na partida contra o Mallorca, no fim de semana, pelo Campeonato Espanhol. Além deles, Arturo Vidal foi titular no meio-campo. O chileno tem sido habitualmente reserva, mas entra muito nas partidas.

Embora a Inter precisava vencer, o início de jogo não foi de pressão. Os interistas não chegavam com frequência ao ataque, nem pareciam conseguir aproveitar o time reserva e desentrosado do Barcelona. O coração do time, o meio-campo, não conseguia trabalhar a bola, nem segurar a posse por muito tempo.

Aos 22 minutos, o Barcelona abriu o placar. Griezmann lançou para dentro da área, Vidal dividiu com Diego Godín e a bola sobrou para Carles Pérez, que finalizou de pé esquerdo: 1 a 0. O resultado ainda poderia ser mais favorável ao Barcelona se Lenglet, que teve uma chance dentro da área depois da bola pingar e sobrar para ele, mandou para fora.

A Inter demorou uns minutos para entrar novamente no jogo. Foi só no final do primeiro tempo que as coisas começaram a se encaixar. Depois de chegar ao ataque algumas vezes, a bola foi lançada para Lautaro Martínez, que recebeu, fez o pivô, ganhando do zagueiro Jean-Clair Todibo, e ajeitou para Romelu Lukaku. O belga chutou de primeira, com o seu pé esquerdo, e marcou: 1 a 1.

No segundo tempo, era de se esperar eu a Inter fosse mais agressiva no ataque, mas o time começou lento. Mesmo assim, aos 15 minutos, teve a sua primeira chance na segunda etapa, com Lukaku, mas o goleiro Neto defendeu.

O Borussia Dortmund, então, fez o segundo gol e ficou em vantagem contra o Slavia Praga, 2 a 1. Com a vitória dos aurinegros na Alemanha. Com isso, a Inter estaria eliminada. Por isso, o time precisava de mais um gol para vencer. E tentou ir para cima. Contando com Lautaro Martínez muito participativo, chegou mais uma vez. O atacante recebeu na entrada da área e chutou de fora da área. A bola passou perto, mas foi fora.

Pouco depois, a Inter chegaria ao gol, mas irregular. Lautaro recebeu lançamento dentro da área, dominou no peito e mandou para a rede. O auxiliar levantou a bandeira. A posição do atacante era irregular. O lance, porém, fez a torcida aumentar o volume e passar a gritar mais. A Inter fez a sua primeira substituição aos 24 minutos, ao sacar o ala Christian Biraghi, mais uma vez com atuação fraca, e colocar Valentino Lazaro.

O Barcelona rodava ainda mais o seu elenco. Tirou dois dos jogadores supostamente titulares, ou ao menos com status de um time titular, Rakitic e Griezmann, e colocou em campo Frenkie de Jong e Luis Suárez. Assim, mantinha dois jogadores do time principal em uma equipe recheada de reservas.

Os italianos precisavam, desesperadamente de um gol. Assim, Conte mudou o time: tirou o ala Danilo D’Ambrosio e colocou o atacante Mateo Politano, aos 30 minutos. Politano, que normalmente atua como ponta pela direita, passaria a atuar como ala. Conte, então, apostou a sua última ficha aos 31 minutos. Tirou o meio-campista Borja Valero e colocou Sebastiano Esposito, de 17 anos. Passou a jogar, então, com três atacantes.

Em termos de formação, a Inter era ofensiva. Na prática, o time não conseguia se coordenar bem em campo para criar chances. E foi assim, no abafa, que o time mais uma vez chegou com perigo: Poli fez a jogada pela direita, driblou para o meio e chutou. A bola sobrou ali e Lukaku e Lautaro foram para a bola. Foi o argentino que tocou, com um carrinho, para mandar para a rede. Lukaku, porém, estava impedido. O gol foi anulado.

A Inter, nervosa, não conseguia acionar seus principais jogadores no ataque. Sentia dificuldade para levar a bola ao ataque. Errava passes e começou a dar espaços que ficaram ainda mais perigosos com o ataque do Barcelona. Depois de um contra-ataque desperdiçada pelo Barça com quatro jogadores contra três, logo depois veio o golpe fatal. Luis Suárez tocou para Ansu Fati, que tinha entrado no lugar de Carles Pérez, e chutou cruzado, de fora da área. A bola tocou na trave e entrou. Primeiro jogador do jovem jogador na Champions League: 2 a 1 para o Barcelona.

O gol praticamente decidiu a classificação do Borussia Dortmund. A Inter precisaria de dois gols em menos de cinco minutos do tempo regulamentar para arrancar a classificação. Não tinha dado sinais que conseguiria antes. Não criou chances depois. O time sentiu o golpe e nem conseguiu jogar na base da pressão, ou criar chances. O time teve chances quando o placar estava em 1 a 1, mas, no frigir dos ovos, não conseguiu vencer um time B do Barcelona. Isso, por si, já dá uma demonstração que a Inter não mereceu a classificação.

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