Uruguai x Jordânia

Tarimbado na repescagem, Uruguai carrega todas as responsabilidades contra a Jordânia, que não tem nada a perder

Jogo de ida: 13 de novembro, em Amã; Jogo de volta: 20 de novembro, em Montevidéu

O Uruguai é uma figurinha carimbada nas repescagens para a Copa do Mundo. Em 2002, a Celeste teve que enfrentar a Austrália, campeã da Oceania. Perdeu o primeiro jogo em Melbourne por 1 a 0, mas fez muita pressão na volta, venceu por 3 a 0 e voltou à Copa do Mundo, depois de ficar fora em 1994 e 1998. Em 2006, novamente o time foi para a repescagem, de novo ante os australianos. Em Montevidéu, vitória por 1 a 0. Já na Oceania, triunfo dos donos da casa pelo mesmo placar. Nos pênaltis, os Socceroos venceram por 4 a 2 e os uruguaios ficaram fora do Mundial. Para a Copa de 2010, nova repescagem, desta vez contra a Costa Rica. Em San Jose, vitória por 1 a 0 da Celeste e em casa empate por 1 a 1.

Experiente, o Uruguai sabe que a repescagem é jogo duro. Algo que talvez a Jordânia não tenha. A seleção asiática jamais chegou a uma Copa do Mundo, não tem tradição no futebol, mas conseguiu a vaga depois de ficar em terceiro lugar no Grupo B, atrás de Japão e Austrália. Enfrentou o Uzbequistão, terceiro colocado no Grupo A, pelo direito de jogar a repescagem. Em dois jogos, empatou por 1 a 1 em ambos e decidiu a vaga nos pênaltis, vencendo por 9 a 8. Agora, terá que encarar uma longa viagem para o Uruguai para encarar um desafio duro contra a primeira seleção campeã mundial.

Como o Uruguai pode se dar bem

Luis Suárez é a principal estrela da seleção uruguaia (AP Photo/Matilde Campodonico)

O time da Jordânia faz poucos gols e sofre muitos. Na sua campanha na quarta fase das Eliminatórias, quando enfrenta os times mais fortes, fez sete gols em oito jogos e só um deles fora de casa. Ao mesmo tempo, toma muitos gols: foram 16 sofridos. Com o forte ataque que o Uruguai tem, com Edinson Cavani e Luis Suárez, além de Diego Forlán, Nicolás Lodeiro e Cristian Rodríguez, que não são sempre titulares, os sul-americanos têm um poder de fogo capaz de ganhar mesmo na casa do adversário. O jogo aéreo dos uruguaios também é muito forte, tanto com os atacantes quanto com os defensores, um ponto que a Jordânia não é boa.

Como a Jordânia pode se dar bem

Atletas jordanianos comemoram classificação à repescagem intercontinental. Parece que vai parar por aí

Os resultados que a Jordânia conseguiu foram em casa. Por isso, a chance do time será tentar não perder a eliminatória no primeiro jogo. Uma das armas pode ser a dupla de ataque. Ahmad Ibrahim e Hassan Abdel são jogadores perigosos e, se há alguma esperança de marcar um gol em Montevidéu, ela passa por esses dois. Fazer um grande resultado em casa será fundamental para repetir o que alcançou com o Japão e a Austrália e ter alguma chance de classificação no jogo de volta, na próxima quarta-feira, dia 20. Além, claro, de contar com uma boa dose de sorte para o Uruguai não ter uma grande atuação.

Palpite

Velho de guerra na repescagem, o Uruguai parte para cima fora de casa e tenta marcar o máximo de gols possível. Se a vitória não vier, a Celeste colocará pressão total no Estádio Centenário e fará a alegria dos milhares nas arquibancadas.

 

México x Nova Zelândia

Apesar da crise, mexicanos têm tudo na mão para classificar. Só precisam colocar cabeça no lugar

Jogo de ida: 13 de novembro, na Cidade do México; Jogo de volta: 21 de novembro, em Wellington

Quando venceu as Eliminatórias da Oceania, a Nova Zelândia já imaginava que enfrentaria Honduras, Costa Rica ou Panamá na repescagem e até achou que poderia fazer uma graça. Mas o México teve a façanha. Fez tantas bobagens no hexagonal final da Concacaf que esteve a dois minutos de ficar em penúltimo lugar, atrás até do Panamá. Os Estados Unidos salvaram os vizinhos do sul, viraram um jogo contra os panamenhos e colocaram os mexicanos no caminho dos neozelandeses.

Agora, a Nova Zelândia reaparece como azarona. Mas pode ter alguma esperança. Tecnicamente o México é muito superior, mas a crise de confiança e de comando é tamanha que qualquer resultado bizarro parece cabível contra a atual seleção mexicana.

Onde o México pode se dar bem

Jiménez comemora o golaço decisivo no Azteca

Miguel Herrera foi populista ao assumir o comando do México. Atendeu aos brados de que jogadores que atuam na Europa não têm amor à seleção (você já ouviu isso aqui no Brasil algumas vezes, certo?) e montou um time 100% nacional para a repescagem. Ele abriu mão de talento e experiência internacional, mas continua tendo um time mais talentoso que o neozelandês e ainda pode contar com o entrosamento. Dos 23 convocados, dez são do América, time que Herrera dirigia até um mês atrás. Outra vantagem: joga em casa na ida. Com um ritmo forte na altitude da Cidade do México, os neozelandeses podem arregar fisicamente.

Onde a Nova Zelândia pode se dar bem

Jogadores da Nova Zelândia comemoram: time espera o quarto colocado da Concacaf na repescagem

Os neozelandeses precisam usar a experiência (9 dos 23 convocados têm 30 anos ou mais, mas poucos têm rodagem em grandes competições) para enervar o time mexicano. Toda a responsabilidade é do México, que está emocionalmente abalado depois da quase eliminação na Concacaf, tem elenco pressionado e com vários jogadores desacostumados a serem protagonistas. Essa falta de confiança já minou os mexicanos em vários jogos em casa (empate com Jamaica e Costa Rica e derrota para Honduras, por exemplo). Se ocorrer de novo na repesacagem, a Nova Zelândia pode tentar aprontar em casa.

Palpite

México vence com alguma tranquilidade em casa e administra essa vantagem na Oceania. Classifica e evita uma tragédia, mas não vai encantar.