Acabou de forma melancólica a terceira passagem de Renato Gaúcho no comando do Fluminense. O treinador não resistiu à derrota de virada para o lanterna Ipatinga e acabou demitido. Um preço pago pela pressão sofrida desde a perda do título da Libertadores e que se tornou insustentável pela fraca campanha da equipe no Campeonato Brasileiro. Aliás, as condições para este clima pesado nas Laranjeiras foram criadas, em grande parte, por conta do próprio treinador.

Faz parte do estilo de Renato Gaúcho dar suas declarações polêmicas, buscar um fato para espezinhar seus adversários ou se autovangloriar. Funciona muito bem quando o time está por cima, mas esse lado ‘engraçado’ se transformou uma tragédia com a perda do título da Libertadores para a LDU, em pleno Maracanã. As frases de efeito se tornaram a principal arma da torcida, que se esqueceu da conquista do título da Copa do Brasil e a classificação inédita para a decisão do torneio sul-americano – algo além das possibilidades imaginadas para o Tricolor carioca.

Embora não tenha um time tão ruim assim para dividir a última colocação com o Ipatinga, o Fluminense sofreu as conseqüências do trauma da Libertadores. Era natural uma baixa no moral do elenco, mas quando a equipe buscava sua recuperação enfrentou outro problema grave. As Olimpíadas chegaram, Thiago Silva e Thiago Neves se mandaram para Pequim e deixaram Renato Gaúcho praticamente órfão. Sem seus dois melhores jogadores, e logo no período com duas partidas por semana, o Fluminense seguiu na mesmice.

Some-se a tudo isto a difícil relação de Dodô com a equipe. O atacante pediu para ficar de fora do jogo contra o São Paulo ao alegar estar sem condições físicas ideais. Esta suposta falta de compromisso provocou uma profunda aversão por parte da torcida, o que ajudou a desestabilizar ainda mais um grupo já abalado por tantas críticas. A vitória contra o São Paulo de virada, com protesto de torcedores e tudo o mais, parecia ser o ponto para uma retomada. Não foi.

Renato Gaúcho tem sim sua parcela de culpa na situação atual do Flu, mas ele não está sozinho nesta jogada. O time carioca terá o segundo turno inteiro para se recuperar, porém necessita de alguém com personalidade forte o suficiente para fazer seus atletas acordarem. O nome de Cuca desponta pelas Laranjeiras, mas o ex-santista não parece ser a melhor opção no momento. A equipe precisa se livrar de uma vez por todas do peso da Libertadores para no final do ano não lamentar outro vexame.

Mais um jogo do ano*

O ano de 2008 tem sido pródigo em “jogos do ano”, e o próximo fim de semana terá mais um da espécie. Grêmio e São Paulo jogam no Olímpico e, se o jogo pode não ter grandes significados para o Grêmio – mentira, claro –, que tem cinco pontos para “queimar”, certamente decidirá o futuro do São Paulo no campeonato.

Como já se comentou muito, o Tricolor paulista foi campeão em 2007 vencendo seus adversários diretos com autoridade, muitas vezes jogando no terreno do rival. O melhor exemplo disso foi a vitória sobre o Botafogo, que fez desmoronar o time de Cuca. Neste ano terá que ser igual. Se perder, o atual campeão brasileiro ficará a 11 pontos do Grêmio, isso para não falar nos outros adversários. Onze pontos para um time acertado é uma coisa, mas para o São Paulo deste ano é uma barreira intransponível.

Muricy Ramalho sempre demora para acertar o time, mas neste ano a demora está se mostrando insuperável. A falta de jogadores em algumas posições, aliada à insistência do treinador em atletas com Éder e Hugo, começa a deixar cicatrizes na confiança do grupo, até o ano passado quase inabalável.

O Grêmio, por outro lado, não perde desde a primeira rodada de julho, e simplesmente não tem vacilado. Sempre é bom lembrar, entretanto, que Celso Roth costuma ter começos melhores do que seus fins. Se o São Paulo não parece ter fôlego para alcançar o líder, Cruzeiro e Palmeiras podem fazê-lo. O que deve animar o torcedor gremista é que ambos também não conseguem de firmar, e têm perdido pontos fáceis.

A se lembrar o fato de que, até aqui, o “campeão” do primeiro turno nunca deixou de conquistar o Brasileirão em toda a era de pontos corridos. Não só por isso, o Grêmio termina o primeiro turno com pose de campeão.

*por Caio Maia