O Atlético Tucumán disputa a Copa Libertadores pela terceira vez. Mas, independentemente da curta história, o Estádio Monumental José Fierro já se consagrou como um alçapão na competição continental. É difícil encarar o Decano na cancha com o alambrado colado no gramado, sofrendo a pressão de uma torcida enlouquecida. E, nesta quarta-feira, os argentinos celebraram uma classificação agônica contra o Strongest, avançando à terceira fase preliminar. Apesar da derrota por 2 a 0 em La Paz, os tucumanos reverteram a situação e ganharam pelos mesmos 2 a 0 em casa. Já nos pênaltis, o triunfo veio de virada e nas alternadas. Brilhou o goleiro Cristian Lucchetti, capitão e ídolo dos albicelestes. Ele não só bateu um dos melhores penais de seu time, como também pegou dois e garantiu a vitória por 6 a 5.

Lucchetti é, ao lado de Pulga Rodríguez e do técnico Ricardo Zielinski, um dos maiores símbolos da ascensão do Atlético Tucumán nesta década. O goleiro tinha uma ligação íntima com o Banfield, com o qual chegou a conquistar o Campeonato Argentino em 2009. Depois disso, passaria por empréstimo pelo Boca Juniors. Já em 2012, rebaixado com o Banfield, o veterano ficou sem contrato e assinou com os tucumanos, então na segundona. Tornaria-se protagonista da equipe que se recolocou na elite, antes de fazer campanhas históricas e não só estrear nas competições continentais, como também encadear uma sequência na Libertadores.

Capitão do Atlético Tucumán, Lucchetti manteve a titularidade nas duas participações anteriores na Libertadores, assim como na Copa Sul-Americana. Esteve presente na maluca classificação contra o El Nacional nas preliminares de 2017, quando o atraso dos argentinos rumo ao estádio em Quito ganhou ares épicos. Da mesma forma, voltando de lesão, fez parte da caminhada até as quartas de final em 2018. O camisa 1 operou milagres nas oitavas contra o Atlético Nacional, mas se saiu mal contra o Grêmio nas quartas, expulso nos 4 a 0 da volta na Arena. Todavia, o que poderia ser uma despedida melancólica ao medalhão no torneio continental se transformou em uma volta por cima nesta quarta.

Antes que Lucchetti começasse a brilhar, os companheiros de linha garantiram a sobrevida ao Atlético Tucumán contra o Strongest. Marcelo Ortíz abriu o placar aos 22 minutos, com um belo mergulho de cabeça, e o jogo aéreo também permitiu que Leonardo Heredia ampliasse aos 13 do segundo tempo. Neste ínterim, o goleiro realizou uma defesa vital no mano a mano com Marvin Bejarano. E, sem que os times conseguissem movimentar mais o placar, com a reversão do resultado em La Paz, a definição do classificado ficou para os pênaltis.

Daniel Vaca, igualmente ídolo e rodadíssimo no Strongest, pegou logo a primeira cobrança do Atlético Tucumán, de Javier Toledo. Depois disso, um a um, os batedores prevaleceram. Lucchetti assumiu a responsabilidade no terceiro tiro tucumano: diferentemente de outros companheiros, mandou longe do alcance de Vaca. E o seu brilho cresceria justo no quinto chute do Tigre. Rolando Blackman só precisava converter para confirmar a classificação dos bolivianos. No entanto, deu uma paradinha ridícula e facilitou a defesa de Lucchetti. Na primeira série de alternadas, os dois times fizeram. Por fim, depois que Ortíz colocou o Tucumán na frente, Lucchetti rebateu o arremate fraco de Saúl Torres e definiu a façanha.

Na próxima fase, o Atlético Tucumán terá um compromisso mais difícil contra o Independiente Medellín, que eliminou o Deportivo Táchira. Quem passar entra no grupo de Boca Juniors, Libertad e Caracas. Pela forma como virou a situação contra o Strongest, o Decano reafirma que será um adversário difícil de ser batido. E, aos 41 anos, Lucchetti também terá uma de suas últimas chances para escrever grandes histórias na Libertadores. Pelo que se notou nesta quarta, o capitão segue disposto a ampliar sua idolatria entre os tucumanos. Sua atuação nos pênaltis é daquelas que ficam guardadas na memória de qualquer torcedor.