Nunca uma crise foi tão benéfica ao Galatasaray quanto a vivida na temporada 2011/12. Naquele ano, o clube fez sua segunda pior campanha na história do Campeonato Turco e viveu a renúncia de seu presidente. Passos para trás que possibilitaram a arrancada dada pelos Aslanlar nas últimas duas temporadas. O ótimo momento foi coroado neste domingo, com o bicampeonato da Süper Lig. Um título com grande significado, já que torna o clube novamente o maior vencedor da história do país: são 19 taças levantadas, uma a mais que o Fenerbahçe.

O contexto interno vivido no futebol turco, óbvio, também contribuiu bastante para os títulos. Fenerbahçe, Besiktas e Trabzonspor se envolveram em um escândalo de manipulação de resultados. Longe dos problemas, o Galatasaray teve tranquilidade suficiente para colocar ordem na casa. E, com uma política agressiva no mercado de transferências, montou um time capaz de sobrar nos torneios domésticos e ganhar visibilidade nos continentais. Um prêmio mais que merecido para a estrutura formada.

Os craques do Cim Bom

A vitória que selou o título, 4 a 2 sobre o Sivasspor, contou com atuação marcante de dois jogadores fundamentais na construção deste Galatasaray: Selçuk Inan e Burak Yilmaz. Autor de dois golaços, um de falta e um com direito a chapéu no marcador, Inan é o pensador do Cim Bom. Já Yilmaz, o principal artilheiro, manteve seus ótimos números mesmo com a chegada de Didier Drogba para dividir espaços no ataque.

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Ao lado da dupla, Fernando Muslera, Felipe Melo e Hamit Altintop constituem uma espinha dorsal desde o início da temporada. E o elenco ganhou ainda mais qualidade técnica a partir de janeiro, com as transferências estrelares de Didier Drogba e Wesley Sneijder. Enquanto o marfinense se adaptou rapidamente em Istambul, o holandês oscila demais. O que não impede um encaixe na próxima temporada.

Nesta temporada, o desempenho da equipe já foi suficiente para que a Süper Lig fosse conquistada com tranquilidade. O Galatasaray permaneceu na liderança desde a terceira rodada, sofrendo quatro derrotas em 32 jogos até aqui. Em casa, empurrados por 36 mil torcedores em média, o nível de atuação dos Aslanlar cresce ainda mais, com 79,3% de aproveitamento.

A organização que resulta em vitórias

Além dos jogadores, os outros dois grandes responsáveis pela série de títulos do Galatasaray têm sua importância fora dos gramados. O presidente Ünal Aysal pegou o clube em meio às turbulências e encontrou um novo rumo. Primeiro, soube aumentar as receitas do Cim Bom. As vendas nas lojas oficiais cresceram 250% entre abril de 2011 e abril de 2012, enquanto o número de patrocinadores subiu de 10 para 13 nesta temporada. Depois, reverteu este dinheiro em boas contratações e salários polpudos para atrair estrelas.

Já o homem de confiança de Aysal foi Fatih Terim. O técnico aproveitou muito bem o dinheiro disponibilizado pelos dirigentes, buscando destaques de clubes menores da Turquia (Selçuk Inan, Burak Yilmaz) e bons jogadores sem tanto destaque em outras ligas (Fernando Muslera, Tomas Ujfalusi, Felipe Melo). Com um elenco qualificado, montou um ótimo time, delineado no esquema 4-4-2 e de muita presença física no ataque.

O Fenerbahçe já deu mostras que quer recuperar a competitividade na Turquia. Enquanto isso não acontece, o Galatasaray aproveita o momento. O clube já garantiu mais alguns milhões de euros com a presença na fase de grupos da próxima LC, o que faz a torcida sonhar com uma equipe mais forte. Qualidade que permite não apenas voos mais altos na Europa, como também uma hegemonia ainda mais ampla na Turquia. Em sua maior série de vitórias, na virada do século, o Cim Bom sagrou-se tetracampeão nacional. Para repetir a façanha, metade do caminho já foi trilhada.