Rivais vivendo momentos diferentes é corriqueiro, vemos isso acontecer o tempo todo. O Corinhians viveu um ano de glória conquistando Libertadores e Mundial no mesmo ano que o Palmeiras, embora campeão da Copa do Brasil, foi rebaixado. O Flamengo conseguiu o título da Copa do Brasil no ano que o Vasco foi rebaixado. No caso do Pará, o Paysandu conseguiu o acesso à Série B em 2014, enquanto o Remo foi eliminado nas oitavas de final da Série D e ficou novamente dependente de um bom desempenho no estadual para conseguir vaga novamente na quarta divisão nacional. Por tudo isso, o Re-Pa deste domingo era tão importante. Perder não era alternativa.

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O domingo era dia da final da Taça Estado do Pará, o segundo turno do Campeonato Paraense. O primeiro turno foi vencido pelo Independente, que bateu o Paraupebas nos pênaltis por 7 a 6, depois de empate por 0 a 0 no tempo normal. Com isso, o time garantiu classificação à final do estadual. Se o Paysandu chegasse à final, vencendo o segundo turno, o Independente já estaria classificado para a Série D. O Remo, sem vaga garantida, precisava vencer a final do segundo turno para ir à final e fazer um confronto direito com o Independente pelo título e a consequente vaga na quarta divisão. Uma situação limite para um time do tamanho do Remo, que não pode se dar ao luxo de ficar fora de todas as divisões nacionais.

A vitória era essencial e ela veio com muito custo. O jogo foi muito equilibrado, mas os 2 a 1 conseguidos pelo Remo vieram. Rafael Paty marcou um, Aylon empatou, mas Rafael Paty marcou de novo e definiu o confronto no começo do segundo tempo. Sim, no começo, porque assim os torcedores remistas tiveram todo o segundo tempo para sofrer, assim como os bicolores sentiram a aflição de ver o seu time tentar o empate, mas não conseguir. A vitória do Leão veio, a duras penas, mantendo o time com chances de título.

Com a passagem à final, o Remo agora terá duas decisões pela frente. Na quinta-feira, faz o primeiro jogo da final da Copa Verde no estádio Mangueirão, às 19h40. No domingo, faz a decisão do Campeonato Paraense, chamada de Taça Açaí, contra o Independente, também no Mangueirão. Dois jogos decisivos para o futuro do time. A final do estadual pode garantir o time na Série D, enquanto a Copa Verde é um título inédito na história do clube, que ainda classifica para a Copa Sul-Americana de 2016.

Um clássico vale muito por si só, pela rivalidade, pelo jogo em si, pela alegria da torcida. Mas o clássico que o Remo venceu no domingo valeu mais. Pode ter valido mais alguns meses de atividade do time em 2015, neste maltratado calendário do futebol brasileiro, que condena clubes tradicionais do futebol brasileiro a ficarem sem jogar simplesmente porque não há competição para eles. O Remo, há tanto tempo longe das principais divisões, precisa apenas de um calendário para dar a alegria ao seu torcedor de poder ir ao estádio ver um jogo do seu time.