Com a decisão da Eurocopa se aproximando, as dúvidas de quem será o craque a brilhar na final começam a aparecer. Cristiano Ronaldo? Griezmann? Renato Sanches? Pogba? Obviamente, não dá para prever quem vai desequilibrar a partida a favor de sua seleção. Mas dá para recordar algumas participações brilhantes em finais de outros anos. Afinal, futebol é história e referência. Com certeza, os jogadores de hoje olham muito para aqueles que um dia guiaram suas equipes nacionais rumo ao triunfo.

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Antonín Panenka (Tchecoslováquia)

O ano era 1976. Era a quinta edição da Euro e a Tchecoslováquia ainda era uma nação única. Junto com a então campeã europeia, a Alemanha Ocidental, a seleção do país extinto chegou à última fase do torneio. No tempo normal, ambos os times ficaram no 2 a 2, com tentos anotados por Jan Svehlik, aos cinco minutos de bola rolando, Karol Dobias, aos 25, Dieter Müller, aos 29 e Bernd Holzenbein, no último suspiro de jogo. A partida seguiu para o tempo extra, que não serviu para nenhum dos dois times decidir qual sairia vencedor dali. E foi só nos pênaltis que surgiu um craque que ninguém vai esquecer, mesmo que, antes disso, seu nome soasse indiferente fora de seu país.

De frente para Sepp Maier, considerado o melhor goleiro da época, Antonín Panenka bateu o quinto e último pênalti, o qual deu o título à Tchecoslováquia. Muito além de ter garantido ao seu povo a taça inédita, o meia, naquele momento, celebrizou a técnica de cobrança que hoje é conhecida como “cavadinha” no Brasil, “picada” na América do Sul e “panenka” na Europa e resto do mundo.

Antonín Panenka, meia da seleção tchecoslovaca campeã de 1976 (Foto: Foot Football)
Antonín Panenka, meia da seleção tchecoslovaca campeã de 1976 (Foto: Foot Football)

Marco Van Basten (Holanda)

Em 1988, quando o mundo estava caminhando para o fim da bipolarização, a União Soviética chegou à final da Eurocopa junto com a Holanda, que desde meados da decáda de 70 sempre foi uma forte ameaça aos seus rivais, mas nunca conseguia se consagrar campeã. Com seus 24 anos de idade e tido como um talento promissor, Marco van Basten foi o grande responsável pelo tão sonhado êxito holandês. O centroavante que, na época, atuava no Milan, vinha de uma série de lesões e, por conta disso esteve no banco durante a estreia da Oranje. Mas não teve jeito.

Mesmo não estando 100% fisicamente, o técnico Rinus Michels decidiu apostar suas fichas no atacante. Van Basten foi essencial no último confronto. Depois de Ruud Gullit ter colocado a Holanda à frente no placar, foi a vez dele deixar o seu. Ou melhor, foi a vez dele agraciar o mundo com uma das pinturas mais bonitas já anotadas. No começo do segundo tempo, o camisa 9 acertou um voleio e deu aos holandeses seu primeiro e único título até hoje.

Oliver Bierhoff, centroavante da seleção alemã campeã da Euro de 1996 (Foto: Reprodução)
Oliver Bierhoff, centroavante da seleção alemã campeã da Euro de 1996 (Foto: Reprodução)

Oliver Bierhoff (Alemanha)

Oito anos depois, em 1996, a Inglaterra recebeu a maior competição de seleções do velho continente. Na grande decisão, a seleção alemã, apesar do sufoco no tempo regulamentar contra a República Tcheca, conseguiu levantar o caneco pela terceira vez. E, como em 1988, o protagonista estava no banco. Só que, ao contrário do que ocorreu com Van Basten, o responsável por colocar a taça nas mãos da Alemanha não chegou a entrar de titular nem no jogo final. Mas algo dizia a Berti Vogts que mandar Oliver Bierhoff a campo seria a melhor opção para reverter o placar que até os 24 minutos do segundo tempo estava 1 a 0 para os tchecos. E foi mesmo.

O camisa 20 entrou no lugar de Mehmet Scholl e só precisou de quatro minutos para empatar a partida e mostrar ao técnico que a substituição não poderia ter sido mais certeira. O confronto seguiu para a prorrogação e ele, novamente, fez o que tinha que ser feito. E, dessa vez, foi fatal. Aos cinco minutos de bola rolando, Bierhoff anotou 2 a 1, autor do primeiro gol em uma grande competição marcado sob a controversa regra do “gol de ouro”.

Theodoros Zagorakis, meia da seleção grega campeã da Euro de 2004 (Foto: AP Photo/Thomas Kienzle)
Theodoros Zagorakis, volante da seleção grega campeã da Euro de 2004 (Foto: AP Photo/Thomas Kienzle)

Theodoros Zagorakis (Grécia)

Já na edição de 2004, o épico aconteceu. A Grécia foi até Portugal disputar a Eurocopa como a seleção desacreditada que era. Afinal, a tradição do futebol no país era nula. Quando chegaram em solo português, os gregos mostraram que não tinham ido para a competição para brincar. Foram seis vitórias consecutivas antes da última fase, a mais importante. Nela, encarariam ninguém mais, ninguém menos do que os donos da casa. E quem disse que isso intimidou a grande surpresa daquela edição do torneio?

Com um esquema tático impressionante e um sistema defensivo impecável, a Grécia conseguiu derrotar Portugal por 1 a 0 e se consagrar campeã europeia. O gol heroico foi anotado por Angelos Charisteas, mas com todos os méritos do cruzamento perfeito condedido por Theodoros Zagorakis. Capitão e líder do time, o volante foi eleito, merecidamente, o craque a Euro daquele ano. Jogou muita bola e imortalizou seu nome com a camisa azul e branca não só pela atuação espetacular na partida final, mas por ter sido o pilar daquela seleção.

Andrés Iniesta, meia da seleção espanhola campeã da Euro de 2012 (Foto: AP Photo/Ivan Sekretarev)
Andrés Iniesta, meia da seleção espanhola campeã da Euro de 2012 (Foto: AP Photo/Ivan Sekretarev)

Andrés Iniesta (Espanha)

O sucesso que culminou na goleada da Espanha sobre a Itália na final da última Eurocopa tem nome e sobrenome: Andrés Iniesta. Merecidamente, o meia foi eleito, naquele ano, o melhor jogador da competição, muito embora não tenha sido autor de nenhum dos quatro gols que selaram o atropelamento. Aliás, ele não precisou balançar as redes em uma ocasião sequer naquela edição para ter tido um papel fundamental na conquista do bicampeonato espanhol em sequência.

Seus passes em profundidade e assistências, promovidos por sua maestria inigualável, foram tão precisos quanto suficientes. Em uma Espanha em que a posse de bola era o ponto alto do time, Iniesta, junto com Xavi, era o responsável pela composição do toque rápido e pela retomada de bola. E o mais impressionante é que depois de quatro anos, com a decadência do tiki-taka espanhol e contando com uma formação não tão forte quanto a de 2012, Iniesta foi o grande nome da Fúria.