Relembre alguns torneios nacionais quase esquecidos dos anos 1970 aos 1990

Nem só de Brasileirão e Copa do Brasil viveu o futebol do país em termos de torneios nacionais ao longo de sua história. Uma miríade de outras competições, menores em tamanho e de pesos e naturezas diversificadas, chegaram a ser realizadas entre os anos 1970 e 1990 com organização partindo ou não da entidade maior do futebol brasileiro (seja CBD ou CBF), e hoje quase todas têm suas histórias praticamente esquecidas.

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Não por todos, na verdade. Para alguns de seus vencedores, sua conquista equivale à de um Brasileirão, ou no mínimo cabe considerá-la como a de um título nacional oficial – e com uma certa dose de razão. De todo modo, resgatar algumas de suas ótimas histórias, os campeões e suas campanhas serve para ajudar a contar como a bola rolava no Brasil naquele momento em que tudo mudava de uma hora para outra.

Torneio do Povo 1971-73

Criada a partir de uma ideia dos cartolas do Atlético-MG e logo homologada pela CBD (embora a entidade divergisse inclusive internamente sobre sua condição de torneio oficial), esta competição reunia os times de maior torcida dos principais centros do futebol brasileiro e, sendo assim, tinha como objetivo se consolidar como uma fonte de renda certa para seus participantes na pré-temporada. O nome oficial da competição era Torneio Presidente Emílio Garrastazu Médici, mas entraria mesmo para a história conhecido pelo apelido popular.

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A primeira edição, disputada em janeiro e fevereiro de 1971, reuniu além do Galo o Corinthians, o Flamengo e o Internacional e foi disputada como um quadrangular em turno e returno. O Fla, porém, entrou em desvantagem: com o Maracanã em obras, o clube teria de jogar todas as suas partidas fora do Rio – acabaria, no fim das contas, fazendo um jogo na capital carioca, no returno, enfrentando o Inter no estádio botafoguense de General Severiano.

No returno a tabela seria dirigida – isto é, formulada com base na posição dos clubes na primeira etapa. Ao fim do campeonato, o clube com maior número de pontos seria o campeão. As rendas de todos os jogos seriam divididas meio a meio entre os clubes. E, dados os bons duelos ocorridos entre os quatro participantes nos jogos que valeram pelo Torneio Roberto Gomes Pedrosa no ano anterior, a expectativa de sucesso técnico e financeiro era grande.

O torneio foi aberto em 24 de janeiro com um empate sem gols entre o Atlético de Telê Santana e o Flamengo de Yustrich no Mineirão. Três dias depois, o Corinthians estreou em um movimentado 3 a 3 com o Galo no Pacaembu, com o zagueiro Ditão garantindo o empate aos paulistas aos 48 minutos do segundo tempo, enquanto o Inter largou na frente, batendo o Fla no Beira Rio com gol de um de seus novatos, o lateral Vacaria, a três minutos do fim. 

O turno seguiu com um 0 a 0 entre Corinthians e Flamengo no Pacaembu, um 3 a 0 categórico do Internacional sobre o Atlético no Beira Rio e uma grande vitória pelo mesmo placar dos paulistas diante do Colorado, novamente no Pacaembu. O resultado embolou o torneio e levou os corintianos – que se beneficiaram de só ter jogado na capital paulista nesta etapa – ao topo da classificação com quatro pontos ganhos e saldo de gols melhor que o do Colorado, vice-líder.

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No intervalo entre os turnos, algumas alterações foram feitas na tabela. Diante das fracas rendas obtidas em Porto Alegre, o Flamengo teve aceita sua proposta para levar o jogo com o Inter para o Rio, assim como ficou estipulado que a última rodada – para a qual estava marcado o confronto entre o Colorado e o Corinthians na capital gaúcha – seria realizada em rodada dupla no Mineirão, numa noite de sexta-feira, 19 de fevereiro, véspera de Carnaval.

O returno começou no dia 11 de fevereiro, com um novo empate sem gols entre Corinthians e Flamengo no Pacaembu. Dois dias depois, num sábado, mais um 0 a 0, agora entre o time paulista e o Atlético no Mineirão. No domingo, o Inter bateu o Flamengo em General Severiano por 1 a 0, gol de Valdomiro, alijando o rubro-negro da disputa do título. Na quarta-feira, dia 17, era a vez de o Galo sair da briga, parando num 0 a 0 com os gaúchos no Mineirão.

Na última rodada, embora decidissem o título, Internacional e Corinthians fariam a preliminar, com o jogo entre Atlético e Flamengo como a partida principal. Assim, depois de assistir ao time paulista conquistar o torneio ao vencer por 1 a 0, gol de falta de Rivelino, anulando a vantagem do empate dos gaúchos, o público mineiro viu ainda um bom empate em 3 a 3 entre Galo e Fla, que, no entanto, terminaram o certame sem vencer nenhuma partida.

Mesmo com resultados técnicos e financeiros abaixo do esperado, o torneio não só foi mantido para o ano seguinte como ainda ganhou mais um participante, o Bahia. Por outro lado, a disputa foi enxugada para um turno único, com apenas quatro partidas para cada clube. Esta segunda edição foi toda realizada no mês de fevereiro (entre os dias 2 e 27 daquele mês) e desta vez atravessada bem no meio pelo Carnaval, que paralisou a disputa por uma semana.

Enfim jogando no Maracanã, o Flamengo levantou o título impulsionado não só pela presença da torcida – que elevou bastante a média de renda do certame em relação ao ano anterior – como também por um time bem mais forte que o de 1971 e agora dirigido por Zagallo. Os rubro-negros abriram o torneio batendo o Bahia na Fonte Nova por 1 a 0, gol de Caio. O outro jogo da noite, entre Corinthians e Atlético no Pacaembu, foi adiado pelas chuvas na capital paulista.

No dia seguinte, os dois times enfim entraram em campo e o Galo marcou mais uma vitória para os visitantes graças a um gol de Spencer Coelho, numa partida um tanto violenta. Os mesmos quatro times estiveram em ação na segunda rodada, no dia 6: o Flamengo assumiu a liderança isolada derrotando o Atlético no Maracanã por 2 a 0, gols de Paulo César Caju e Doval, enquanto na Fonte Nova, o Corinthians se reabilitou vencendo o Bahia com tento de Marco Antônio.

O Internacional só estreou no dia 10, parando num 0 a 0 com o Corinthians no Beira Rio. Na volta do Carnaval, uma semana depois, foi a vez de o Timão receber o Flamengo no Pacaembu. Uma vitória deixaria os rubro-negros bem perto da conquista. Porém, assim como havia feito contra o Atlético, o time paulista abusou da violência. Ainda na primeira etapa, o zagueiro alvinegro Luís Carlos acertou uma solada no peito do ponteiro rubro-negro Rogério. 

O lance do primeiro gol do Fla provocou a interrupção do jogo por cerca de 12 minutos. Após fazer uma defesa, o goleiro Ado foi pressionado por Caio e, com a bola nas mãos, acertou um pontapé no atacante rubro-negro dentro da área. O árbitro Sebastião Rufino viu o lance, marcou pênalti e expulsou o arqueiro. Paulo César Caju cobrou e converteu, abrindo o placar. O Corinthians, no entanto, empataria logo na saída de bola com Vaguinho.

Mas a vitória ficaria mesmo com o Fla, mais consciente e seguro em campo, graças a um chutaço de Doval de fora da área, que entrou no ângulo. No dia 20, os rubro-negros voltaram a campo para sua última partida, contra o Internacional no Maracanã, precisando apenas de um empate para confirmar a conquista. E ela veio num 0 a 0 com boas chances para ambos os lados, diante de um público pagante de mais de 64 mil torcedores, o maior do torneio.

No mesmo dia, Bahia e Atlético também ficaram no empate sem gols em Salvador. O torneio ainda teria mais dois jogos, apenas cumprindo tabela: o Galo bateria o Inter no Mineirão por 2 a 1 e o Colorado fecharia o certame com uma goleada sobre os baianos por 4 a 0 no Beira Rio. O sucesso desta segunda edição manteve o Torneio do Povo no calendário para a temporada 1973, mais uma vez acrescido de um novo participante: o Coritiba.

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O regulamento do torneio de 1973 foi o mais confuso, voltando a contar com duas etapas. Na primeira fase, embora todos os times se enfrentassem, eles estavam divididos em dois grupos para efeito de contagem de pontos. No A, Corinthians, Coritiba e Flamengo. No B, Atlético, Bahia e Internacional. Além disso, a tabela era desnivelada: o Bahia fez todos os seus jogos na Fonte Nova, enquanto o Flamengo, mais uma vez, só jogou fora do Rio.

O rubro-negro, porém, já tinha vaga garantida no quadrangular final, independentemente de sua campanha, por ser o detentor do título. Além dele, avançavam os campeões dos grupos A e B, além do clube de melhor campanha entre os demais. E ao fim desta fase de classificação, houve surpresas: Coritiba e Bahia terminaram em primeiro lugar em suas chaves, somando seis e sete pontos, respectivamente. O Corinthians foi o outro classificado.

Na primeira etapa, o Coxa estreou vencendo o Atlético no Mineirão por 2 a 1, gols de Hélio Pires e Orlando Lelé. Em seguida, foi batido pelo Bahia em Salvador por 1 a 0, gol de Picolé. A reação veio com vitória sobre o Flamengo no Couto Pereira por 2 a 0, com mais um gol de Hélio Pires e outro de Rodrigues Neto contra. Nos últimos dois jogos, empates em 0 a 0 com o Corinthians em Curitiba e 1 a 1 com o Inter no Beira Rio (Negreiros anotou o gol alviverde).

O Bahia, jogando sempre em Salvador, além de vencer o Coritiba também derrotou o Inter e o Corinthians por 1 a 0, gols de João Daniel no primeiro jogo e de Peri no segundo. Também somou um ponto no empate em 1 a 1 com o Flamengo (Douglas fez o gol tricolor, com Arílson anotando para os rubro-negros). O ponto baixo foi a goleada de 4 a 1 sofrida para o Atlético, que deu ao time mineiro, lanterna daquela edição, seus únicos pontos na disputa.

O Corinthians avançou com campanha econômica nos gols: venceu Inter e Atlético no Pacaembu por 1 a 0, empatou sem abertura de contagem com o Flamengo em casa e com o Coritiba fora e perdeu para o Bahia também pelo placar mínimo. Já o time carioca avançou mesmo somando um ponto a menos que o Colorado. Mas registrou pelo menos uma boa vitória na primeira fase ao bater o Galo no Mineirão por 3 a 2, com dois gols de Zico e um de Caio.

No quadrangular final, o Coritiba largou na frente vencendo o Corinthians em casa por 1 a 0, gol de cabeça de Oberdan após falta levantada na área por Orlando Lelé aos 43 minutos da etapa final. Enquanto isso, na Fonte Nova, o árbitro Garibaldo Matos mandou cobrar três vezes um mesmo contestado pênalti para que o meia Fito, aos 79 minutos do segundo tempo, decretasse o empate em 1 a 1 do Bahia com o Flamengo, que abrira o placar com Dario.

No domingo, 25 de fevereiro, quatro dias depois da primeira rodada, o Coritiba seguiu firme em seu caminho para o título ao bater o Flamengo no Maracanã por 1 a 0, gol de Zé Roberto. E sairia ainda mais no lucro com o empate sem gols entre Corinthians e Bahia no Pacaembu dois dias depois. Enquanto a partida da última rodada entre os eliminados Flamengo e Corinthians era cancelada, o jogo decisivo entre Bahia e Coritiba era seguidamente protelado.

Primeiro, o jogo foi transferido de Curitiba para Salvador em comum acordo entre os clubes. O problema seguinte seria a data: com o jogo inicialmente marcado para 1º de março, uma quinta-feira, os dirigentes do Bahia pressionaram pelo adiamento alegando que coincidiria com a abertura oficial do Carnaval em Salvador. Uma sucessão de conflitos de datas empurrou o jogo primeiro para o dia 14, até ser enfim confirmado para o dia 21.

Assim, um mês depois de ser iniciado, o quadrangular final era concluído. Na Fonte Nova, em jogo nervoso, o Coritiba saiu na frente com Aladim aos 22 minutos e foi para o intervalo em vantagem. Na volta, porém, o Bahia virou num intervalo de três minutos: Fito, de pênalti, empatou aos 14, e os alviverdes tiveram o zagueiro Cláudio e o meia Hidalgo expulsos por reclamação pelo árbitro José Marçal Filho. Dois minutos depois, Peri marcou o segundo dos tricolores.

Mesmo assim, os paranaenses celebraram no fim: aos 38 minutos, um apito vindo de um torcedor na arquibancada fez a defesa do Bahia parar. Hélio Pires se aproveitou disso para entrar na área, driblar o goleiro Zé Luís e empatar a partida em 2 a 2. O Coritiba tocou a bola nos minutos que restavam e, ao apito final (esse sim do árbitro), o time dirigido pelo experiente técnico Tim comemorou a conquista da terceira e última edição do Torneio do Povo.

Taça dos Campeões 1982

A história da conquista do America do Rio neste torneio já foi contada em detalhes neste texto. Aqui, contaremos um pouco mais sobre a competição em si, anunciada pela CBF em janeiro de 1982 e criada com o objetivo de manter os principais clubes em atividade no período de cerca de um mês e meio entre o fim do Brasileirão daquele ano e o início da Copa do Mundo da Espanha, enquanto a Seleção de Telê Santana se preparava. 

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O critério de participação – ter sido campeão ou vice do Brasileirão, do Torneio Rio-São Paulo, da Taça Brasil ou do Torneio Roberto Gomes Pedrosa – era cumprido por 17 clubes. Mas, diante da necessidade de se arredondar o número de equipes, o America foi incluído como o melhor classificado no ranking nacional entre os demais. Porém, uma nova vaga seria aberta com a desistência do Flamengo, campeão brasileiro, que preferiu excursionar.

Santa Cruz e Paysandu vinham empatados logo em seguida no ranking nacional. A CBF então marcou um jogo desempate entre os dois, realizado no estádio dos Aflitos, em Recife, no dia 22 de abril (dois dias antes do início do torneio). O Santa Cruz venceu por 1 a 0, gol do meia Rivaldo no primeiro tempo, e conquistou a vaga, entrando no lugar do Flamengo no Grupo A, composto ainda por Corinthians, Fluminense, Palmeiras e Portuguesa.

Na primeira fase, o torneio dividia os participantes em quatro grupos, dois com cinco clubes e dois com quatro, que jogavam em turno e returno dentro das chaves. Ao final de cada um dos turnos era apontado um campeão de grupo, que se classificava para a decisão da chave, em jogo único, fazendo as vezes de quartas de final. Em seguida, os vencedores avançavam para as semifinais, também em partida única, e de lá para a final, em ida e volta.

Além do já citado Grupo A, os demais também previam bons duelos. No Grupo B, que reunia apenas cariocas e paulistas, Botafogo, Guarani, Santos, São Paulo e Vasco esquentavam a disputa. O C, com quatro equipes, colocava frente a frente a dupla mineira, Atlético e Cruzeiro, além do vice-campeão brasileiro Grêmio e do America carioca. Já no D, também com quatro times, o Internacional teria pela frente os nordestinos Bahia, Fortaleza e Náutico.

Apesar de desfalcado dos craques da Seleção, o torneio também tinha seus atrativos. Um deles era trazer de volta ao convívio dos grandes as quatro equipes que haviam caído na Taça de Prata (a segundona da época) naquele ano: Palmeiras, Portuguesa, Fortaleza e Santa Cruz. Outro era a oportunidade de as equipes mostrarem seus novos contratados, numa prévia dos estaduais do segundo semestre (alguns, como o Baiano e o Cearense, já em andamento).

O Corinthians, por exemplo, tinha como novidades o lateral Alfinete e o zagueiro uruguaio Daniel González. O Palmeiras, por sua vez, ensaiava reação tirando o selecionável volante Rocha do Botafogo. O Inter abriu os cofres para trazer o centroavante Roberto, ex-Sport, também com passagem pelo time de Telê. E no Mineirão, quase 60 mil torcedores compareceram à estreia de Nelinho pelo Atlético, enfrentando justamente seu ex-clube, o Cruzeiro.

E já no primeiro turno houve surpresas. No Grupo A, a Portuguesa terminou em primeiro ao bater o Fluminense por 3 a 1 em São Paulo e superar o Corinthians no número de gols marcados. No B, o São Paulo somou três vitórias (todas por 1 a 0) e um empate para chegar na frente, sem sofrer nenhum gol. No C, o America também surpreendeu, levando a vaga ao derrotar o Atlético em pleno Mineirão (1 a 0). E no D, o Inter confirmou o favoritismo.

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O returno, por sua vez, ficou marcado pelas recuperações. No Grupo A, após ter somado apenas dois pontos na primeira etapa, o jovem time do Fluminense fez grande campanha, derrotando o Santa Cruz em Recife, o Palmeiras no Maracanã e o Corinthians no Pacaembu, e faturou a vaga. No equilibrado Grupo B, o Guarani superou o São Paulo apenas no número de gols marcados – para o que contribuiu a grande vitória de 5 a 3 sobre o Vasco em Campinas.

No Grupo C, de novo a disputa ficou entre America e Atlético, mas agora com os mineiros levando a melhor graças ao empate em 1 a 1 no Maracanã (gols de Elói para os rubros e Reinaldo para o Galo), que também valeu a classificação pelo número de gols marcados. Já no D, a surpresa foi a debacle do Inter, que perdeu as três partidas (incluindo um 2 a 0 para o Náutico no Beira Rio). O Bahia acabaria levando a vaga em circunstâncias anedóticas.

Com Bahia, Fortaleza e Náutico brigando pela vaga, a CBF remanejou a partida dos baianos contra o Inter pela última rodada do sábado para o domingo, para que coincidisse com o duelo entre os outros dois nordestinos. O Vitória, porém, enfrentaria o Leônico pelo Baianão no mesmo dia e local, e não aceitou transferir seu jogo, entrando com mandado de segurança para se garantir. E a partida da Taça dos Campeões passou para a segunda à noite.

Como se não bastasse a confusão nos bastidores, o jogo em si foi dramático. E decidido apenas por um pênalti convertido pelo ponta Osni já nos acréscimos do segundo tempo. A vitória por 1 a 0 bastou para que o Bahia ficasse com a vaga – em caso de empate, o Fortaleza passaria por ter melhor saldo de gols. E garantiu um tira-teima entre baianos e gaúchos na decisão do grupo, na mesma Fonte Nova, três dias depois daquele tumultuado confronto.

Nas decisões dos grupos, os chamados “grandes” não tiveram vez. Portuguesa, Guarani, America e Bahia deixaram Fluminense, São Paulo, Atlético-MG e Internacional pelo caminho e avançaram às semifinais. No Canindé, a Lusa repetiu o placar do primeiro turno e chegou a abrir 3 a 0 diante do Flu com gols do zagueiro Estevam, do ponta Toquinho e do meia João Batista. Os cariocas só descontaram no fim, com gol do ponta Flávio Renato.

Na mesma quarta-feira, o America voltou a derrotar o Atlético por 1 a 0, desta vez no Maracanã, com gol de Elói no último minuto. E o Bahia superou outra vez o Internacional, desta vez em um movimentado 3 a 2. Os baianos saíram na frente com gol contra de Ademir, mas os gaúchos empataram logo em seguida com Roberto. Jurandir voltou a colocar o tricolor em vantagem e Osni ampliou no início da etapa final, antes de Pedro Verdum diminuir.

No dia seguinte, foi a vez do Guarani repetir o que havia feito nas quartas de final do Brasileiro e despachar o São Paulo em pleno Morumbi. Aos 19 minutos da primeira etapa, o meia Ederson arriscou o chute e o goleiro Barbiroto soltou a bola nos pés de Jorge Mendonça, que só teve o trabalho de tocar para as redes. Mesmo contando com nomes experientes como Darío Pereyra, Mário Sérgio, Getúlio e Everton, o Tricolor não conseguiu reagir.

A primeira semifinal, entre Portuguesa e America no Pacaembu, foi um turbilhão de emoções. Os cariocas saíram na frente aos sete minutos numa cabeçada do ponta Serginho que desviou em Odirlei, da Lusa, e enganou o goleiro Moacir. Mas os paulistas empataram três minutos depois, também pelo alto, em cabeçada forte de Humberto. Os rubros ainda foram para o intervalo com um jogador a menos, após a expulsão do lateral Aírton, por reclamação.

Na etapa final não houve gols, e o jogo foi para a prorrogação. A quatro minutos do fim do tempo extra, a Lusa passou à frente num chute de Humberto de fora da área que resvalou no zagueiro Everaldo. A classificação da Portuguesa parecia encaminhada. Mas o America não estava morto. Praticamente na última bola do jogo, o zagueiro Zedilson (que havia entrado para cobrir a lateral) cabeceou firme uma cobrança de escanteio para decretar o novo empate.

A decisão foi então para os pênaltis. As duas equipes converteram as duas primeiras cobranças. Na terceira da Lusa, o goleiro Gasperin pegou o chute de Toquinho, e em seguida Moreno cobrou e colocou os cariocas em vantagem. Caio ainda manteve a esperança paulista acertando o seu, mas Serginho manteve o America na frente. Na última cobrança da Portuguesa, Odirlei mandou no travessão, e os rubros comemoraram a classificação heroica.

Na terça-feira, pela outra semifinal, o Guarani recebeu o Bahia no Brinco de Ouro e precisou da prorrogação para vencer e conquistar a vaga na final. Um gol do atacante Marcelo (substituto de Careca ao longo do torneio) em jogada individual aos três minutos do primeiro tempo extra deu à equipe campineira dirigida por Zé Duarte a classificação para a decisão contra o America, que começaria dali a dois dias naquele mesmo estádio.

No primeiro jogo da decisão, no dia 10 de junho, o Bugre do zagueirão Júlio César, do meia Jorge Mendonça e do ponteiro Lúcio abriu o placar no começo da etapa final, outra vez com gol de Marcelo, pegando rebote de Gasperin. Mas o America empatou aos 26 minutos numa bola ajeitada pelo lateral Chiquinho para a finalização de Elói. A definição ficou mesmo para o jogo da volta no Maracanã, dali a dois dias, na véspera da abertura da Copa do Mundo.

Numa noite chuvosa, o America saiu na frente com gol de Moreno aos 13 minutos de jogo e criou chances para ampliar na primeira etapa. Mas o Guarani cresceu no segundo tempo e empatou com Delém aos 17 minutos. Na prorrogação, os rubros marcaram o gol do título aos oito minutos do segundo tempo: o ponta Gilson Gênio apanhou rebatida da defesa bugrina e bateu da entrada da área para estufar as redes de Sidmar e dar o caneco aos cariocas.

Torneio Heleno Nunes 1984

Apesar de o regulamento ainda mudar ano após ano, a reformulação do Brasileirão pela recém-criada CBF a partir de 1980 fez com que, além da criação de divisões com as Taças de Ouro e de Prata, ao menos se instituísse um padrão para a fórmula de disputa. Havia sempre uma primeira fase de grupos com 40 clubes, uma segunda geralmente com 32 e uma terceira etapa com 16, podendo ser eliminatória ou com quatro chaves, antes da reta final em mata-mata.

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O que esse formato não impedia, porém, era a queda precoce de alguns dos grandes clubes do país, em especial os que viviam um período difícil de sua história. Nas edições entre 1981 e 1984 algumas camisas pesadas ficaram pelo caminho. Foi o caso de Corinthians, Cruzeiro e Palmeiras em 1981. E de Atlético-MG, Botafogo, Internacional e de novo o Cruzeiro (além do Palmeiras que sequer conseguiu o acesso na Taça de Prata) em 1982.

Na edição de 1983, mais uma vez Botafogo, Cruzeiro e Internacional caíram cedo, juntamente com o Fluminense. Mas a edição de 1984 é que realmente se superou neste quesito. Nada menos que seis grandes clubes deram adeus mais cedo ao torneio nacional naquele ano. Atlético-MG, Botafogo, Internacional, Palmeiras e São Paulo caíram na segunda fase, enquanto o Cruzeiro fez ainda pior, eliminado na etapa inicial da competição.

Para tentar mitigar o prejuízo iminente e dar algum calendário aos clubes desclassificados, a CBF decidiu criar então uma espécie de “torneio incentivo” entre eles, incluindo também o Bahia, o Santa Cruz (que haviam caído naquela segunda fase do Brasileiro) e ainda, a pedido do presidente Giulite Coutinho, o Sport e o Guarani, eliminados precocemente na Taça CBF, o campeonato de acesso organizado naquele ano.

Além de fornecer uma ajuda financeira aos clubes participantes para pagar as passagens aéreas, a entidade também aproveitou para batizar o certame de Torneio Heleno Nunes, prestando homenagem ao último presidente da CBD e primeiro da CBF, falecido em março daquele ano. O regulamento, ao contrário daquele do Brasileiro, era simples: as dez equipes se enfrentariam em turno único, e o campeão seria o que somasse mais pontos.

O torneio deu seu pontapé inicial em 15 de abril, tendo como destaques as vitórias do Cruzeiro no clássico diante do Atlético-MG (4 a 2) e do Bahia sobre o Internacional (2 a 1). Mas conforme a competição foi se desenrolando, aconteceu o inevitável: com a baixa qualidade técnica dos jogos e a falta de sentido do torneio, os torcedores foram abandonando as arquibancadas. E os clubes tiveram de se mexer para se adaptar à nova realidade.

Algumas partidas foram realizadas nas manhãs de domingo (no mesmo horário de 11h de hoje) com transmissão pela TV Globo. No Mineirão, Atlético e Cruzeiro recorreram a rodadas duplas. No Rio, o Botafogo mandou seus jogos em seu pequeno estádio de Marechal Hermes. O Internacional chegou a levar a partida contra o Palmeiras para a cidade paranaense de Cascavel. E na capital paulista, o Canindé recebeu vários jogos de Palmeiras e São Paulo.

Uma das exceções foi justamente o Choque Rei, que arrastou uma multidão na reabertura do Pacaembu após reformas, graças também a uma promoção do fabricante das pilhas Ray-o-Vac, que dava entrada gratuita a quem comparecesse ao estádio portando o produto ou vestindo uma camisa amarela, cor das pilhas. Diante disso, na vitória palmeirense por 1 a 0, apenas 12 mil torcedores pagaram ingresso de um público total estimado em 55 mil pessoas.

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No dia 15 de maio, houve ainda muita confusão no empate em 2 a 2 entre Bahia e Cruzeiro na Fonte Nova, com oito jogadores do time mineiro expulsos pelo árbitro Paulo Celso Bandeira ao se colocarem sobre a linha do gol impedindo a cobrança de um pênalti para os baianos, o que ocasionou o fim do jogo. No mesmo dia, a partida entre Palmeiras e Santa Cruz foi interrompida logo aos sete minutos por falta de energia elétrica e não seria concluída.

Alheio a tudo isso, o Internacional levantou a taça com uma campanha bastante consistente, fazendo justiça ao trabalho do técnico Otacílio Gonçalves, que começou criticado pela torcida, mas levou adiante seu processo de renovação do time, incluindo vários ex-juniores como os zagueiros Pinga e Aloísio. Após perder do Bahia na estreia, o time se reabilitou vencendo o Atlético no Mineirão (1 a 0), o São Paulo (2 a 0) e o Cruzeiro (1 a 0) em Porto Alegre.

Em seguida, o time acumulou empates diante do Palmeiras (1 a 1) e nas visitas ao Guarani (2 a 2) e ao Botafogo (1 a 1). Mas uma goleada sobre o Sport na Ilha do Retiro (4 a 0) ajudou a encaminhar a conquista, sacramentada em 17 de maio, uma quinta-feira, com vitória sobre o Santa Cruz no Beira Rio por 2 a 1. O Colorado terminou com 13 pontos ganhos, dois a mais que o Bahia, vice-campeão, e quatro a mais que o Botafogo, terceiro colocado.

Torneio Ricardo Teixeira / Torneio João Havelange 1993

No primeiro semestre de 1993, a CBF acatou um pedido dos clubes cariocas e paulistas para trazer de volta do fundo do baú do futebol brasileiro o Torneio Rio-São Paulo, que acabou programado para junho, para manter os clubes em atividade durante a pausa para as Eliminatórias da Copa do Mundo e para a Copa América daquele ano. O que nem todo mundo lembra é que outros torneios na mesma linha também foram anunciados.

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Um deles foi o Torneio Ricardo Teixeira, ao qual era inevitável apelidar de “Rio-São Paulo dos pobres”: reunia quatro times do Rio (America, Americano, Bangu e Olaria) e quatro de São Paulo (Bragantino, Guarani, Mogi-Mirim e União São João), divididos em dois grupos de quatro, com uma chave para cada estado. Os vencedores das chaves se enfrentavam na final em ida e volta, e o campeão, além da taça, ganhava a vaga no Torneio João Havelange.

Este seria uma espécie de “supercopa” dos interestaduais. Em princípio, reuniria o campeão e o vice do Rio-São Paulo, o vencedor do Torneio Ricardo Teixeira e o de um certame que acabou não saindo do papel: o Torneio Minas Gerais-Rio Grande do Sul, quadrangular em mata-mata que reuniria Atlético-MG, Cruzeiro, Grêmio e Internacional. Diante do cancelamento deste último, por desistência dos quatro participantes, as vagas foram remanejadas.

Os participantes agora seriam os campeões paulista (Palmeiras), carioca (Vasco), do Rio-São Paulo (vaga que acabou herdada pelo Corinthians, vice do torneio também vencido pelo Palmeiras) e do Torneio Ricardo Teixeira. E se o interestadual “de elite” não chegou a ser lá um sucesso de público, a versão dos primos pobres passou quase totalmente na surdina. Mas pelo menos serviu para consagrar com o título um time interiorano marcante no período.

Apelidado “Carrossel Caipira”, o Mogi Mirim havia feito fama pela grande campanha no Paulistão de 1992. O time dirigido por Oswaldo Alvarez e armado no 3-5-2 terminou o estadual com a terceira melhor campanha, além de revelar um punhado de jogadores para os grandes. No ano seguinte, ficou perto de se colocar outra vez entre os oito melhores do torneio, mas se recuperou com uma grande campanha no grupo paulista do Torneio Ricardo Teixeira.

A vaga na final veio com uma rodada de antecipação após quatro vitórias e um empate (com 12 gols marcados e apenas três sofridos) nos cinco primeiros jogos. A campanha incluiu triunfos categóricos, como os 3 a 0 sobre o Guarani e o Bragantino em seu estádio Wilson Fernandes de Barros, e não teve seu brilho diminuído nem mesmo com o revés diante do Bugre em Campinas pelos mesmos 3 a 0 na última partida.

No grupo do Rio, o Bangu se classificou numa última rodada inusitada: o Americano não apareceu no Andaraí para enfrentar o America, que ficou com os pontos e quase forçou um jogo extra com os alvirrubros. Porém, um 0 a 0 na Rua Bariri diante do Olaria foi o suficiente para garantir a vaga à equipe da Zona Oeste carioca, que era treinada pelo ex-zagueiro Moisés, o “Xerife”, o mesmo que levara o clube ao vice-campeonato brasileiro em 1985.

Embora tivesse perdido alguns de seus destaques, negociados com grandes clubes brasileiros, o Mogi Mirim chegou forte para a decisão e deu um enorme passo para a conquista ao bater o Bangu em Moça Bonita por 1 a 0, gol de cabeça do zagueiro Ildo. Uma semana depois, em casa, o Sapão completou a festa vencendo por 3 a 1. Lélis abriu o placar para os mandantes, Serginho empatou para os cariocas, mas Sandro e Daniel garantiram o triunfo na etapa final.

Três dias depois da conquista, o Mogi Mirim já estreava no Torneio João Havelange diante do Corinthians em casa. O empate em 0 a 0 deixava o Alvinegro da capital como favorito para passar à final. Mas um gol de Daniel Xodó a três minutos do fim deu a surpreendente vitória ao Sapão em pleno Pacaembu, no mesmo dia em que Vasco e Palmeiras começavam a decidir o outro classificado no jogo de ida em São Januário.

Era a primeira vez que Edmundo, transferido do Vasco para o Palmeiras no início daquele ano, enfrentava o time em que se profissionalizara. E levaria a pior. O jogo seguia equilibrado até os 40 minutos da primeira etapa, quando Amaral cometeu falta, recebeu o segundo cartão amarelo e foi expulso. Na confusão, Roberto Carlos peitou o árbitro Antônio Renê do Amaral e também levou o vermelho. Três minutos depois, o Vasco abriu o placar.

O atacante Hernande apanhou rebatida da defesa palmeirense e acertou um chutaço de fora da área para marcar 1 a 0. Na etapa final, o time ampliaria em outro gol de longe: Geovani recebeu de Yan, mandou para o gol e Sérgio aceitou. Aos 39 minutos viria o terceiro, em chute de pé direito do lateral-esquerdo Cássio. Na volta, no Parque Antártica, o Alviverde até saiu na frente com gol contra do zagueiro Tinho. Mas Hernande empatou e classificou o Vasco.

Para a decisão, os cariocas escalaram um time B dirigido pelo auxiliar técnico Gaúcho, já que os titulares treinados por Alcir Portela partiram em excursão para a Europa. E não tiveram problema para golear o Mogi Mirim no primeiro jogo em São Januário: 4 a 0, dois gols de Jardel, um do meia Vitor batendo falta e um contra do zagueiro Luís Carlos. Mas quem julgava a conquista como favas contadas levou um susto no jogo da volta, no interior paulista.

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O Sapão abriu o placar com Daniel no primeiro tempo e ampliou na etapa final com Alexandre e Lela. Aos 39 minutos, Joca marcou o quarto gol, e a torcida foi ao delírio com a reação da equipe. Depois de uma prorrogação sem gols, a decisão foi para os pênaltis. O Vasco, então, se redimiu e levou a melhor graças ao goleiro Caetano, que defendeu duas cobranças e converteu a que decidiu a série, frustrando a torcida da casa.

Taça Cidade de Salvador 1975

Assim como o Torneio Heleno Nunes, foi um certame entre clubes eliminados do Brasileirão. A diferença ficou por conta da organização, a cargo da Federação Baiana. A imprensa se referiu ao torneio por nomes distintos: Taça Cidade de Salvador para a revista Placar ou Torneio Octogonal da Bahia para os jornais cariocas. Mas o nome oficial, sugerido pelos clubes, fazia homenagem ao presidente da entidade organizadora: Torneio Octogonal Raimundo Viana.

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A competição surgiu com a eliminação de Bahia e Vitória na repescagem do Brasileirão de 1975, aproveitando-se também da desclassificação de algumas equipes importantes do país naquelas mesmas circunstâncias: Atlético-MG, Santos, Vasco, Coritiba, Figueirense e Remo seriam os seis clubes que completariam o octogonal, no qual os times foram divididos em dois quadrangulares que se cruzariam, apontando dois classificados para semifinais e finais.

O torneio começou no dia 25 de novembro com final marcada para 18 de dezembro. No Grupo 1 ficaram Vitória, Coritiba, Remo e Santos, enquanto Bahia, Atlético-MG, Figueirense e Vasco formaram o Grupo 2. A grande atração do torneio seria Pelé, que pouco mais de um ano após deixar o Santos, voltaria a defender o clube na partida contra o Bahia (1 a 1), ficando no banco nas demais como uma espécie de auxiliar do técnico Olavo.

O torneio foi aberto com dois empates em 1 a 1 na rodada dupla que colocou frente a frente Santos e Vasco e, mais tarde, Bahia e Remo. Conforme o torneio foi seguindo, três equipes se destacaram: o Vasco de Roberto Dinamite e o Atlético de Toninho Cerezo venceram três de suas quatro partidas, marcando nove gols e comandando sua chave. Já no outro grupo, foi o Santos que navegou em mares tranquilos, avançando invicto.

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A última vaga nas semifinais acabou ficando com o Vitória, mas com uma boa dose de sorte. O time rubro-negro terminou com apenas uma vitória e três derrotas em sua chave e só avançou graças ao imbróglio envolvendo o jogo entre Coritiba e Figueirense, disputado em Feira de Santana e interrompido por falta de energia elétrica aos 14 minutos da etapa final. O regulamento previa nesse caso a realização de um novo jogo, mas não havia data disponível.

Diante deste caso excepcional, o resultado foi a sorteio, vencido pelos catarinenses. Caso o placar tivesse sido mantido, o clube paranaense teria tomado o lugar do Vitória nas semifinais. Em todo caso, a passagem de um clube baiano serviu para garantir que o torneio continuasse a ser jogado em Salvador, quando já se cogitava sua transferência para Belo Horizonte. E também permitiu aos rubro-negros um breve renascimento dentro da competição.

O Vitória cruzaria com o Vasco, primeiro colocado do Grupo 1, numa das semifinais, enquanto o Santos media forças com o Atlético na preliminar. Nesta, o Peixe abriu o placar com Toinzinho no primeiro tempo e o Galo empatou em gol contra de Bianchi na etapa final. A decisão foi para os pênaltis. Na série de cinco, cada time perdeu dois. Já nas cobranças alternadas, Tuca converteu para o Santos e Willians defendeu chute de Flávio, dando a vitória aos paulistas.

No jogo principal, cada time perdeu uma boa chance na primeira etapa: Mazarópi quase foi pego de surpresa por um chute de virada de Osni, enquanto Paulo César viu seu chute violento de fora da área quase abrir a contagem para os cariocas. No segundo tempo, no entanto, quem marcaria seria o Vitória, com o lateral-direito Uchoa. Daí por diante, o Vasco intensificou a pressão, mas os donos da casa cerraram bem sua defesa e resistiram para segurar o placar.

Estava prevista uma decisão de terceiro lugar, mas após a desistência do Atlético, o Vasco ficou com o bronze. Já na decisão, após um primeiro tempo sem gols, o Santos marcou três vezes em menos de 15 minutos contra o Vitória, definindo o jogo e o torneio com dois gols de Mazinho e um de Cláudio Adão. Em Salvador, mesmo de fora, Pelé foi pé quente.

Além de colaborações periódicas, quinzenalmente o jornalista Emmanuel do Valle publica na Trivela a coluna ‘Azarões Eternos’, rememorando times fora dos holofotes que protagonizaram campanhas históricas. Para visualizar o arquivo, clique aqui.

Confira o trabalho de Emmanuel do Valle também no Flamengo Alternativo e no It’s A Goal.