Há algum tempo, mais precisamente em 17 de maio de 2013, a coluna debatia sobre a crise do PSV. Sabendo que não comemoraria nenhum título no ano de seu centenário, o clube de Eindhoven começou a ouvir mais as críticas vindas de personagens importantes de sua história. Mais do que isso: começou a ouvir críticas vindas da torcida. Elas diziam que o PSV se afastara dela, que passara a ser apenas um entreposto de jogadores, que não apostava no futuro.

Pois bem: aparentemente, neste início de preparação para a temporada 2013/14, o clube parece ter ouvido as ponderações. Porque Eindhoven anda testemunhando grandes mudanças em De Herdgang. A base que veio jogando os últimos dois Campeonatos Holandeses – até mais, dependendo do jogador de que se fala – está sendo totalmente desfeita, em detrimento da aposta em jovens jogadores, promessas faladas há algum tempo.

Aliás, pode-se dizer até que as críticas foram ouvidas até demais. Porque a facilidade com que o clube tem liberado jogadores bastante conhecidos sem muito esforço chega a reclamar. Pegue-se o caso de Jeremain Lens. Jogador importante, um dos melhores do PSV na temporada 2012/13, presença constante nas convocações de Louis van Gaal para a seleção holandesa. Oferta de 9 milhões de euros pelo Dynamo Kiev, com bônus podendo levar os rendimentos a 10 milhões por ano?

Era a chamada “oferta irrecusável”. Lens saiu sem contestações. Ele próprio se disse um pouco confuso, mas compreendeu, afinal: “Não era o passo que eu imaginava. Pensava em ir para a Premier League, ou para a Bundesliga. Mas os emissários do Dynamo Kiev insistiram em conversar. Nessa conversa, meu sentimento mudou, mas eu ainda não tinha certeza de que este era o passo a seguir. Até que conheci as instalações em Kiev”.

Tudo bem, sem problemas. Até porque Lens ouviu de Van Gaal que continuará sendo convocado, se prosseguir jogando na Ucrânia. Só que o ponta-direita iniciou uma lista de jogadores relativamente importantes no elenco do PSV que se foram. Ela foi continuada em meados de junho. Já em meio às férias, Dries Mertens, outro dos grandes destaques que o PSV tinha, viajou a Nápoles para negociar com os Partenopei.

Outra contratação facilitada pelo PSV, pelos 10 milhões de euros garantidos. E o rápido atacante belga foi-se para os Partenopei, também despedindo-se com alguma esperança: “Realmente, é incrível jogar no clube onde Maradona esteve. Eu não vi isso na época, mas já pesquisei muito o nome dele no YouTube”.

Só que mais importante foram as palavras do diretor geral do PSV, Marcel Brands: “Tenho sentimentos mistos com essa transferência. Perdemos um jogador espetacular, com um alto rendimento. Mas isso também traz uma grande renda ao PSV”.

Depois, na semana passada, Erik Pieters foi mais um jogador a deixar Eindhoven. Sem ter jogado na última temporada (e com desempenho irregular, nas vezes em que jogou), o lateral esquerdo foi cedido ao Stoke City. Mais 3,6 milhões na conta do PSV. Tendo em vista os planos da equipe, era fato que uma movimentação do clube no mercado já seria esperada.

E ela começou na última semana. Num dia, Florian Jozefzoon, cria do Ajax que estava emprestada ao RKC Waalwijk e que jogou o Europeu sub-21, foi contratado por três anos, em disputa vencida com Twente e Benfica. No seguinte, o zagueiro Jeffrey Bruma, que não conseguiu corresponder às esperanças nele depositadas em suas passagens por Chelsea e Hamburg, foi garantido por quatro temporadas – transferência que anda em suspenso, depois que os exames médicos revelaram problemas.

Mas a grande prova de força dada pelo PSV veio no domingo. Facilitada pela saída do Ajax das negociações (o diretor de futebol dos Ajacieden, Marc Overmars, deixou claro que o clube de Amsterdã não gastaria os tubos num atleta de fora), a contratação de Adam Maher, confirmada no domingo, mostra que o clube pretende rejuvenescer o time – até pela negociação para a saída de Toivonen, bastante adiantada pelo acerto entre o clube e o Norwich City, faltando ainda o aval do sueco.

Mas qual a tática para gastar tanto em Maher? Resposta trazida por Tiny Sanders, diretor do clube: além de dinheiro próprio, ajuda de “investidores das regiões da Arábia Saudita e da Rússia. Só os divulgaremos caso as partes achem que não há grande perigo”. Já se antecipando a eventuais críticas e suspeitas, Sanders alegou: “Se você se fecha para o mundo, você não terá contatos. Para um clube como o PSV, essas ligações podem ser de grande importância”.

Embora o investimento seja mais do que justificado a princípio – trata-se, afinal do destaque holandês na Euro sub-21, de um armador de grande talento -, é bom o PSV cumprir a promessa de passar a andar com as próprias pernas, num momento posterior. Afinal de contas, em geral, tais investidores só deixam dores de cabeça, quando não ajudam mais.

E com relação ao time, talvez a contratação de um atleta veterano seja recomendável (Phillip Cocu pensa seriamente em pedir a volta de Gomes, para substituir Waterman e Tyton, que devem sair). Porque, em matéria de jovens, o PSV já está se preparando, como que comprovando a renovação pedida ao final da temporada passada.