Embora muitos veículos tenham noticiado que a Premier League estaria liberada para ser retomada a partir de junho, a melhor maneira de interpretar os eventos é: o governo britânico anunciou que não haverá a disputa de esportes profissionais no país antes de 1º de junho. O retorno do Campeonato Inglês para junho é, por ora, apenas uma possibilidade, a depender dos avanços no combate à pandemia no país.

Mesmo se houvesse a liberação oficial das autoridades, a Premier League ainda debate internamente quais seriam os termos deste reinício. Por ora, os envolvidos não parecem estar muito próximos de um acordo.

Recentemente, foi dito que a retomada da competição, seguindo recomendações da polícia, precisaria acontecer em campos neutros. Porém, desde então, o número de clubes contrários a essa medida só cresce. Se até poucos dias atrás se dizia que apenas os seis últimos clubes da classificação (Brighton, West Ham, Watford, Bournemouth, Aston Villa e Norwich) eram contrários à realização de jogos em estádios neutros, relatos desta segunda-feira na imprensa inglesa dão conta de que “mais da metade dos clubes” estariam se opondo à medida. Vale ressaltar que decisões na liga inglesa precisam ser aprovadas por 14 dos 20 clubes.

Um dia depois dos anúncios do governo no domingo, a Premier League teve uma longa reunião nesta segunda-feira para debater o seu retorno às atividades. Mais uma vez, nenhuma decisão final foi tomada. Por outro lado, os clubes decidiram pedir para o governo rever a posição sobre a realização de jogos em campos neutros.

“Todo mundo preferiria jogar em casa e fora se for possível, e está claro que alguns clubes sentem isso mais do que outros. Estamos em contato com as autoridades e ouvindo os conselhos, ao mesmo tempo em que representamos os clubes nessas discussões”, disse o CEO da Premier League, Richard Masters, nesta segunda-feira.

Para a decepção de quem torce pelo retorno do Campeonato Inglês, Masters afirmou que, pela primeira vez, o encerramento antecipado da atual temporada da Premier League foi conversado entre os clubes.

Em meio a todas essas discussões, clubes que lutam contra o rebaixamento aceitariam jogar em campos neutros contanto que o descenso fosse descartado para esta temporada. Presidente da Federação Inglesa (FA), Greg Clarke foi rápido em rechaçar essa possibilidade.

Independentemente do que seja decidido, o Guardian noticia nesta segunda-feira que não tem como os clubes da Premier League evitarem grandes perdas financeiras de seu contrato de televisão. De acordo com o jornal, as equipes perderão entre £ 300 milhões e £ 350 milhões de receitas de TV mesmo que a competição seja retomada, já que algumas obrigações previstas em contrato não poderiam ser cumpridas.

Por fim, mas não menos importante, Masters revelou que os clubes concordaram que os jogadores com contrato previsto para encerrar até 30 de junho poderão ser estendidos de forma que eles possam disputar a integridade do campeonato, caso ele seja retomado.