A Espanha é o destino de muitos imigrantes que saem da África. A proximidade entre o norte do continente e o sul da península, através do estreito de Gibraltar, facilita o acesso através do Mar Mediterrâneo. Todos os anos, milhares de jovens arriscam as suas vidas para tentar a sorte na Europa. E uma dessas histórias se interliga com o futebol. O senegalês Younousse Diop saiu da costa do Atlântico e fez a travessia quando tinha apenas 12 anos. Hoje, aos 20, está prestes a estrear como profissional no tradicional Tenerife, que disputa a segundona do Campeonato Espanhol.

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A vida de Diop não se resolveu apenas ao desembarcar nas Ilhas Canárias. Durante a trajetória, o menino passou por diversas dificuldades. Longe dos pais, passou a viver em um orfanato, onde se destacava jogando futebol. A partir disso, foi visto por um dos olheiros do Tenerife. Contudo, quando se firmava no clube, acabou obrigado pelas autoridades públicas a se mudar para o continente.

A carreira do senegalês só pôde decolar quando uma senhora das Ilhas Canárias o adotou. Além de ganhar um lar, o promissor meio-campista teve a tranquilidade para evoluir nas categorias de base do Tenerife. E, ainda que precise lidar com questões de imigração, está pronto para estrear no time principal, convocado para as partidas dos alviazuis. Uma vitória e tanto para alguém que precisou superar tantas barreiras, assim como para quem apostou nele.

Diop teve a sua história contada em um dos quadros do programa El Día Después, do Canal+. Em espanhol, é possível ouvir o depoimento do prodígio, assim como daqueles que o ajudaram neste início. Como complemento de leitura, há uma matéria de 2006 sobre o jogador. Curiosamente, ele foi personagem de uma reportagem do jornal El País sobre os imigrantes africanos que chegavam à Península Ibérica.