Professor de criminologia e contratado pela Fifa para combater a corrupção na entidade, Mark Pieth apontou as federações europeias como barreiras para as reformas planejadas. O suíço indicou que não crê que aas mudanças ocorreram em maio, quando a Fifa realizará seu congresso anual nas Ilhas Maurício. Para ele, os empecilhos vão além das estruturas, com a oposição ao presidente Sepp Blatter pesando para as negativas dos europeus.

“É um pouco trágico que as federações europeias estejam fechadas. Eles querem manter sua própria integridade, mas, se todos fizerem isso, eu penso que não iremos muito para frente. Eu não sei o motivo que fazem os europeus dificultarem a situação. Isso é que é o estranho, não estamos encontrando oposição de países que enfrentaram casos de corrupção, como os caribenhos. Eles estão apoiando as reformas”, disse Pieth.

“Quando converso com os presidentes de federações sobre as negativas, eles respondem falando sobre Blatter. Eles não gostam do presidente da Fifa. Eu disse a eles que em alguns anos, não sei quantos, eles terão um novo presidente… Não é um assunto sobre pessoas, mas sobre estrutura. Estamos falando sobre esporte e o esporte originalmente trata sobre homens, deixando os fortes juntos e os covardes sozinhos”, completou o suíço.

Além disso, Pieth destacou a importância da Suíça dentro dos mecanismos da Fifa. Para o professor, o país poderia servir como via forçada para uma reforma: “O plano B é para a Suíça. Eles têm cerca de 50 associações e precisam se perguntar como país: ‘A Fifa se reformará por si própria?’. Se isso não acontecer, há um caminho brutal: impostos. Todas as entidades são isentas, mas o governo pode dizer que se não há controle administrativo, não há isenção”.

Blatter, ao que parece, está tentando limpar sua barra diante das denúncias de corrupção que recebeu. Encampar as reformas é uma maneira de tirar o foco de suas falcatruas e deixar a entidade em alta. Os dirigentes europeus perceberam isso e querem barrar de alguma forma esta volta por cima. No meio do jogo de forças, está a integridade do futebol mundial, que permanece na lama enquanto o jogo político continuar. E, enquanto isso não se resolver, não há perspectivas de melhora.