O Nottingham Forest deu um passo importante para a reforma do seu estádio, o City Ground, algo que já tratamos aqui em fevereiro. O clube divulgou que pediu autorização ao Rushcliffe Borough Council, o órgão governamental da região, autorização para o desenvolvimento do setor Peter Taylor. O plano prevê a criação de uma arquibancada de três níveis com capacidade para 10 mil pessoas e, se aprovado, começará no verão europeu de 2020 (ou seja, ao final da atual temporada).

Com isso, o time espera melhorar o seu estádio e aumentar receitas, mas se preocupou em fazer isso junto com a sua comunidade. Foram feitas consultas públicas para entender as necessidades da população e como a obra poderia afetar a região.

O nome do setor, Peter Taylor, não é por acaso. Ele foi o histórico assistente de Brian Clough, técnico que fez o Nottingham Forest se tornar não só campeão inglês pela primeira e única vez até hoje, em 1977/78, mas também bicampeão da antiga Copa Europeia, antecessora da Champions League, em 1978/79 e 1979/80. Isso além de vários títulos de Copa da Liga (quatro, para ser preciso).

As obras de reforma do estádio irão custar cerca de £ 100 milhões e irá aumentar a atual capacidade do estádio City Ground, de 30 mil, para 38 mil pessoas. Isso faria com que o estádio fosse o maior da região de East Midlands, acima do estádio Pride Park, do Derby County, que tem capacidade para 33.597; e do estádio King Power, do Leicester, que atende 32.243 pessoas. Os planos são de chegar à Premier League em um futuro próximo.

Imagens internas do projeto do novo setor do estádio City Ground, do Nottingham Forest (Divulgação)

O clube mostrou muita preocupação em consultar a população local, além do governo e dos empresários da cidade. “Nós estamos muito felizes em anunciar este último passo na nossa jornada por esta nova arquibancada. Mais de 8 mil pessoas enviaram respostas apenas durante a semana de consulta pública, com 99,5% dos comentários mostrando uma reação positiva. Além disso, recebemos mais de 60 cartas de apoio de instituições, grupos e negócios locais, regionais e nacionais”, disse o presidente do Nottingham Forest, Nicholas Randall QC.

“Garantir a presença de longo prazo do clube na área local é essencial à visão do nosso dono, senhor [Evangelos] Marinakis [empresário grego, dono do clube]. Nós fizemos disso a nossa prioridade ouvir nossos vizinhos e negócios locais para entender seus requerimentos para benefícios econômicos sociais ligados ao desenvolvimento na área”, continuou Randall.

“Todo mundo envolvido trabalhou sem descanso nos últimos 10 meses para agrupar e consultar as várias partes interessadas que estão envolvidas no projeto e garantir que podemos entregar um estádio que beneficie não apenas os torcedores, mas também a comunidade local e seus negócios”, disse ainda o dirigente.

“Isso é evidenciado pelos novos trabalhos que é esperado que o desenvolvimento produza. Atualmente, o clube mantém ais de 850 trabalhos locais adicionais, com a número esperado para crescer para mais de 1.125 quando o novo setor estiver completo. Este número irá crescer ainda mais para ao menos 1.450 quando o futebol de Premier League for atingido”, afirmou ainda Nicholas Randall.

“Os torcedores veem o estádio como sua casa única e não como uma arena sem rosto”

Projeto de reforma do estádio City Ground, do Nottingham Forest (Divulgação)

Além disso, os dois arquitetos, Tom Cartledge, da Benoy, empresa de arquitetura de Nottingham que é responsável pelo projeto, revelou ao Nottingham Post que no planejamento do novo setor do estádio, há um forte desejo de torná-lo individual, mas manter a herança única do City Ground, que os torcedores veem como únicos e não algo sem face – porque é justamente esse setor que dá a cara do estádio.

“O setor Peter Taylor é, é claro, a primeira fase do trabalho que nós esperamos ver o City Ground e a primeira fase irá começar um período empolgante de melhorias gerais para o clube”, afirmou Tom Cartledge, executivo-chefe da Benoy.

“Eu também estou empolgado que nós tivemos muitos comentários positivos no próprio design. Como designers de Nottinghamshire, a Benoy reconhece a herança do City Ground”, afirmou Cartledge. “Foi construído ao longo dos anos com uma série de arquibancadas, cada uma individual e com suas próprias características, e não jogamos em uma ‘tijela’, mas em um estádio com individualidade real”, descreveu o arquiteto.

“O novo setor irá aumentará ainda mais a sensação do City Ground ser um estádio único, urbano e compacto de cidade. Nunca pretendemos homogeneizar o estádio, mas usar a sua herança. Sabemos que os torcedores veem o estádio como sua casa única e não como uma arena sem rosto”, declarou ainda o arquiteto.

Laços entre clube e comunidade são fundamentais

Imagem externo do projeto de reforma do City Ground, do Nottingham Forest (Divulgação)

A preocupação em consultar a população é fundamental, algo que não estamos muito acostumados a ver no Brasil. Olhar para a comunidade local é fundamental para a identidade de um clube. E isso é importante para que haja uma participação efetiva das pessoas no time que vá além de apoiar quando o time está em destaque. Quando o clube faz parte da comunidade local de forma relevante, ele se torna uma parte da comunidade independente da fase.

Há diversos problemas no futebol inglês e com donos inescrupulosos que destruíram clubes tradicionais, e este é um lado feio da possibilidade dos clubes terem donos e serem empresas. Há, porém, algo importante por lá que ajuda, por vezes, a manter os pés dos donos no chão e é justamente essa ligação intensa com a sociedade em volta.

A cidade, ou o bairro, em alguns casos, são parte da identidade do clube e, por isso, mudanças podem ser desastrosas se não houver consonância com as pessoas que tornam aquele clube relevante. Por isso, fazer consultas locais e entender a vontade das pessoas é fundamental ao sucesso de qualquer dono de clube inglês.

Imagem interna do estádio do Nottingham Forest reformado (Beny)

O Nottingham Forest é um clube historicamente de segunda divisão, exceto pelo momento mágico guiado por Brian Clough. Isso não afastou as pessoas. O clube segue firme e tem planos de voltar a figurar na primeira divisão inglesa e, certamente, levaria muita gente a ter uma certa nostalgia.

Por mais que muita gente goste de brincar que o Nottingham Forest seja um “verdadeiro grande inglês”, em referência a clubes como o Chelsea e mais recentemente o Manchester City, o clube é muito tradicional e importante, mas só foi forte e capaz de disputar títulos por um período pequeno, do final dos anos 1960 até o final dos anos 1980 – grande parte desse período sob o comando de Clough.

Quem sabe este plano de reforma do estádio possa tornar o Nottingham Forest um candidato mais forte a chegar, novamente, à primeira divisão em um futuro próximo. Atualmente, o Nottingham Forest briga pelo acesso. É o quarto colocado da Championship, depois de 18 jogos, e estaria no grupos de times que entraria no playoff por uma vaga na Premier League.

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