O Paris Saint-Germain teve um doce reencontro com a Liga dos Campeões. Oito anos depois, o clube da capital voltou à competição em grande estilo com uma goleada por 4 a 1 sobre o Dynamo Kiev no Parc des Princes, o que enche sua torcida de esperanças e dá uma resposta a quem duvidava da capacidade do time. Já o Montpellier sentiu o amargor da virada diante do Arsenal, mas o campeão francês tem boas lições para tirar de seu primeiro duelo em alto nível continental.

Claro que a goleada sobre os ucranianos não significa dizer que o PSG já tem lugar garantido na decisão em Wembley. Já se esperava que o time francês confirmasse seu favoritismo, algo corroborado pela apresentação praticamente nula de um adversário limitado. A goleada serve para dar aquele impulso ao elenco, que sofria com certa desconfiança por conta de suas exibições irregulares na Ligue 1. Aos poucos, a equipe demonstra maior coesão.

O técnico Carlo Ancelotti acertou ao manter a linha de ação da equipe. Mesmo com as ausências de Sakho e Thiago Motta, o PSG nem sentiu as baixas por conta das presenças de Thiago Silva e Chantôme. O brasileiro, aliás, estreou muito bem. O zagueiro demonstrou tranquilidade e segurança para abortar qualquer oportunidade do Dynamo Kiev enquanto esteve em campo. A parceria com Alex se encaixou com perfeição.

A organização tática do PSG permitiu ao time dominar completamente as ações e passear no Parc des Princes, sobretudo no primeiro tempo. Ao construir uma vantagem lógica de 3 a 0, o clube da capital pôde relaxar na etapa complementar, sem deixar de manter sua supremacia. Grande parte deste domínio se deve às atuações exemplares de Verratti e Pastore. O italiano se tornou uma das chaves do sucesso da equipe. Onipresente e ao mesmo tempo discreto (no melhor sentido da palavra), Verratti foi quem mais participou do jogo e tocou 92 vezes na bola.

Pastore, é bem verdade, teve uma marcação mais frágil do que a enfrentada por ele na Ligue 1. Isso, porém, não apaga sua qualidade. O meia se sente cada vez mais à vontade para armar o PSG, com a regularidade desejada. Na frente, Ménez teve papel fundamental ao explorar muito bem sua velocidade e aproveitar os espaços que a fraca defesa do Dynamo Kiev lhe deu. Ibrahimovic também se destacou ao chamar o jogo para si e entrar para a história ao fazer gols por seis times diferentes na LC.

O verdadeiro teste para a capacidade do PSG nesta Champions será na segunda rodada quando visita o Porto, único adversário desta primeira fase que realmente representa um grande desafio aos comandados de Ancelotti. A se julgar por esta primeira apresentação, o time da capital tem boas chances de incomodar.

Já o Montpellier recebeu o Arsenal, complicou a vida dos Gunners, mas teve mesmo que se conformar com uma derrota por 2 a 1. A ilusão prematura de que o MHSC teria condições de bater um dos grandes do continente veio aos nove minutos com a cavadinha de Belhanda para converter uma cobrança de pênalti. Uma demonstração de sangue frio, ainda mais por se tratar do primeiro jogo da história da equipe no torneio. Tanta personalidade teria resultados desastrosos se Mannone ficasse no meio do gol e fizesse a fácil defesa, mas a bola na rede serviu para empolgar os donos da casa e funcionou como uma ordem de respeito.

Foi quando o Arsenal mostrou a diferença de nível entre ele e seu adversário. Em vez de se abater ou entrar na pilha do Montpellier, os Gunners colocaram a bola no chão e rapidamente viraram com Podolski e Gervinho. Os campeões franceses partiram para a pressão e as estatísticas mostram que os donos da casa finalizaram dez vezes ao gol, contra cinco dos adversários. No entanto, esse número não mostra como o MHSC se precipitou em suas conclusões e pecou pelo nervosismo na hora de definir suas jogadas.

A apresentação do time no primeiro tempo lembrou aquelas da Ligue 1, nas quais o time patina para encontrar seu rumo. No segundo tempo, houve a transformação que fez o MHSC disputar seu melhor jogo até aqui na temporada. O time encurralou o Arsenal em seu campo defensivo, mas falhou exatamente na hora de matar o jogo, como bem mostra a chance perdida por Belhanda na cara de Mannone. Dá para o Montpellier pensar em algo mais do que apenas participar da LC como um aprendiz.

OM em alta, Lille em baixa

Com 100% de aproveitamento em suas cinco partidas disputadas na Ligue 1, o Olympique de Marselha ostenta seu melhor início de campeonato na história. A vitória por 1 a 0 sobre o Nancy fora de casa mantém os marselheses flutuando em sua nuvem na liderança, mas fica a dúvida se o time tem mesmo esse potencial todo para se manter no topo ou se trata apenas de mais um exemplo de cavalo paraguaio.

Após uma temporada difícil, o OM trocou de treinador e foi obrigado a se desfazer de alguns jogadores (M’bia, Azpilicueta, Diarra, Brandão) para enxugar sua folha salarial. Era de se esperar um período de transição, mas o desempenho acima do esperado surpreende até mesmo  o mais fanático dos torcedores. A se julgar pelos números, há ainda mais esperanças para o fim da temporada.

Na história do Campeonato Francês, em 12 oportunidades um time venceu seus cinco primeiros jogos. Em seis delas, o clube detentor de tal marca terminou a competição com o título nas mãos. Em quatro, a equipe foi vice-campeã e uma em terceiro. Apenas o Lille, em 1936/37, ficou fora do pódio após um começo arrasador e amargou o quinto lugar. O OM pode almejar voos altos e alguns sinais indicam que o sucesso pode estar no caminho da equipe.

Se na última temporada predominava o ambiente sombrio, agora o elenco do OM parece viver entre sorrisos. A noção de prazer se faz presente dentro do grupo, em um clima mais leve e descontraído – e isso se reflete em campo. Contra o Nancy, os marselheses tiveram uma apresentação firme, repleta de entusiasmo e plena de confiança, com o completo domínio sobre o adversário na casa dele.

Em cinco partidas, o OM marcou oito gols e sofreu apenas um. André-Pierre Gignac reencontrou sua velha forma e se tornou indispensável para a equipe. Tudo parece funcionar muito bem, mas a chegada da Liga Europa se constitui no verdadeiro teste de capacidade para o time. O início da disputa da fase de grupos da competição continental revelará se os marselheses realmente têm um elenco capaz de segurar a barra e manter esta qualidade ao longo da temporada por conta de suspensões e contusões.

A principal preocupação fica por conta do setor defensivo, que já se vê obrigado a andar no limite. Rod Fanni, por exemplo, tem se desdobrado para jogar tanto na lateral direita como no miolo da zaga, aguardando o retorno de Souleymane Diawara. Diante do Nancy, Charles Kaboré também fez as vezes de lateral direito devido à lesão sofrida por Kassim Abdallah. Por enquanto, as improvisações quebraram o galho muito bem, mas em momentos decisivos estes remendos podem comprometer as chances do OM.

O Lille, por sua vez, apresentava-se como um dos maiores concorrentes do PSG na briga pelo título da Ligue 1. A realidade se mostra cruel com a equipe. Após cinco rodadas, o LOSC conquistou uma mísera vitória, soma três empates e já está a longínquos nove pontos do líder. Isso tudo antes de iniciar sua participação na fase de grupos da Liga dos Campeões. O 1 a 1 contra o caçula Troyes revela alguns dos principais problemas enfrentados pelos Dogues neste início de temporada.

Mesmo jogando na casa do adversário, o Lille teve amplo domínio sobre o rival. O time teve 62% da posse de bola e bombardeou a meta defendida por Thuram 15 vezes. Contudo, apenas seis destas conclusões foram na direção do gol. A má pontaria compromete todo o bom trabalho feito por seu meio-campo e tem seu preço, já que a defesa não anda falando a mesma língua – na jogada do gol do Troyes, faltou comunicação entre Debuchy e Béria para conter o lance.

A estreia na fase de grupos da LC diante do BATE Borisov no Grand Stade se desenha como a grande chance do Lille ganhar confiança para reagir na Ligue 1. Uma boa apresentação diante do time da Bielorrússia bastará para a equipe recuperar seu otimismo, ainda mais quando seu próximo adversário no Francês se chama Lyon.