O título conquistado pelo Red Bull neste domingo, ao golear o Wiener Neustadt por 5 a 1 fora de casa, consolida a equipe como a maior vencedora do futebol austríaco na atualidade. Nas últimas sete temporadas, foram quatro títulos e três vice-campeonatos dos touros vermelhos na Bundesliga.

A injeção de dinheiro proporcionada pela multinacional fabricante de bebidas pode, é claro, explicar um pouco deste sucesso. O Red Bull tem de longe o elenco mais caro da Áustria atualmente, com uma legião de estrangeiros.

Mas há também um outro fator digno de nota: a capacidade dos dirigentes, que – justamente por se tratar de um time que leva a marca de uma empresa e por isso precisa produzir resultados – parecem se preocupar mais com as questões administrativas-esportivas do que com as políticas, como ocorre em vários dos principais clubes da Áustria.

Embora conquistado com uma rodada de antecedência, não se pode dizer que foi fácil para o time da terra de Mozart chegar ao título. Os touros vermelhos passaram por momentos de crise, especialmente na primeira metade do campeonato. De favorito absoluto a levar o prato da Bundesliga para casa, o time chegou, em novembro, a ser apenas o quinto colocado, perigando até ficar de fora da zona de classificação para a Liga Europa.

Entre setembro e novembro, foram sete jogos consecutivos sem vitória pela Bundesliga – cinco derrotas e dois empates. Campanha que fez o técnico holandês Ricardo Moniz balançar fortemente. E foi aí que entrou a perspicácia dos dirigentes, que decidiram mantê-lo no cargo, pois acreditavam que a pessoa mais indicada para fazer a equipe dar a volta por cima era ele próprio.

E Moniz deu a resposta. A recuperação começou com uma goleada de 6 a 0 no Kapfenberg. Está certo que o resultado não poderia ser muito comemorado, já que o adversário era disparado o pior time do campeonato. Mas a vitória no jogo seguinte por 2 a 0 sobre o Paris Saint-Germain (resultado que ajudou a eliminar os franceses da Liga Europa), começou a mostrar que o caminho da recuperação estava efetivamente começando a ser traçado.

Na última partida de 2011, os 3 a 0 no clássico contra o Austria Viena fizeram Ricado Moniz e sua turma terem um Natal bem mais tranquilo do que aquele que se desenhava até pouco tempo antes.

2012 fulminante

O fim da temporada de inverno culminou também no fim dos percalços do Red Bull na Bundesliga. Desde que a bola voltou a rolar, para a segunda metade do campeonato, neste ano, o time só perdeu uma vez: um surpreendente 1 a 0 para o Mattesburg, em casa. De resto, foram dez vitórias e cinco empates no campeonato nacional, além da classificação para a final da Copa da Áustria.

A liderança do campeonato foi assumida de vez na 24ª rodada, no triunfo sobre o Rapid Viena por 3 a 1. De lá para cá, os touros vermelhos não perderam mais a ponta.

E se a consolidação do título veio no domingo, a certeza de que ele seria conquistado ocorreu duas rodadas atrás, quando, em Viena, o time bateu o Rapid por 1 a 0 e abriu seis pontos de vantagem sobre o rival.

Uma análise dos números também mostra porque o título do Red Bull foi merecido. O time é o que mais venceu (18 jogos), um dos que menos perdeu (seis vezes, ao lado do Rapid) e tem o melhor saldo de gols: 28. Seu ataque, de 58 gols, marcou uma vez a menos que o Admira, mas sua defesa, que sofreu apenas 30, é a melhor da competição (posto também dividido com a zaga do Rapid).

Méritos de Moniz

Mais do que armar bem o time e procurar o futebol ofensivo, característica do Red Bull, o mérito de Ricardo Moniz esteve em administrar egos num elenco recheado de estrelas, que claramente está acima do nível do futebol austríaco. Gente do calibre do atacante Stefan Maierhofer, do volante Rasmus Lindgren, dos brasileiros atacantes Alan (que passou a maior parte da temporada machucado) e Leonardo, dos meio-campistas Jakob Jantscher e Gonzalo Zarate e do atacante espanhol Jonathan Soriano, que chegou ao clube na virada do ano.

Moniz teve de lidar com a impossibilidade de colocar todos para jogar ao mesmo tempo. Soriano, por exemplo, chegou com o status de salvador da pátria no final da temporada de inverno, mas só foi titular três vezes. O treinador avaliou que era incompatível ele dividir o ataque com Maierhofer, um dos artilheiros do campeonato (14 gols, junto com Jantscher). Nem por isso, o jovem espanhol deixou de ser útil, entrando no segundo tempo em quase todas as partidas.

E toda essa engenharia ainda precisou ser feita com uma clara dificuldade: a de comunicação. O Red Bull é o time mais internacional da Áustria, uma verdadeira Torre de Babel. No elenco, misturam-se jogadores de Suécia, Brasil, Finlândia, Uganda, Eslováquia, Espanha, Holanda, Argentina e Suíça.

Se não era fácil de se entender no momento de conversar, os jogadores utilizaram a linguagem universal do futebol, da bola rolando, do jogo ofensivo. E, de fato, fizeram do Red Bull o melhor time da temporada na Áustria.

E o futuro?

Apesar do sucesso, a sequência do trabalho de Ricardo Moniz não está garantida. É pouco provável que o treinador deixe o clube, mas o fato é que seu contrato termina ao final desta temporada e uma renovação ainda precisa ser negociada.

Antes disso, os touros vermelhos ainda tentarão outra façanha: a conquista da Copa da Áustria. O time faz a final da competição, no dia 20, contra o Ried.

Se ficar para 2012/13, Moniz poderá dirigir a equipe na Liga dos Campeões da Europa. O título do Austríaco dá aos touros vermelhos a vaga na segunda fase pré-eliminatória da competição continental.

CURTAS

ÁUSTRIA

– O título do Red Bull Salzburg foi o quarto desde que o time tem este nome. Seu antecessor, o Austria Salzburg, foi campeão nacional três vezes.

– O jogo que marcou a conquista dos touros vermelhos também mostrou a disparidade financeira do futebol austríaco. A partida foi disputada no acanhado estádio de Wiener Neustadt, que tem capacidade para apenas 7.036 pessoas e recebeu somente 2.100 torcedores, dos quais cerca de 200 eram do Red Bull.

– O Kapfenberg, de pífia campanha, jogará a segunda divisão na próxima temporada. O time venceu apenas cinco dos 35 jogos que disputou até agora e tomou incríveis 62 gols.

– A vaga na Bundesliga será ocupada pelo St. Andrä, campeão da Erste Liga com uma rodada de antecipação. A festa aconteceu na sexta-feira, 11, quando a equipe bateu o First Vienna por 3 a 1 fora de casa e foi ajudada pelo empate do Lask Linz, que ficou no 1 a 1 em casa contra o Grödig.

– A última rodada da Bundesliga será marcada pela briga pelo terceiro lugar e, consequentemente, uma vaga nas fases preliminares da Liga Europa. O Admira, com 55 pontos, vai a Salzburg encarar o campeão Red Bull, enquanto o Austria Viena, com 54, vai a Graz enfrentar o Sturm. O Rapid Viena, que tem 59, já está com o vice-campeonato assegurado, assim como sua presença na Liga Europa.

SUÍÇA

– A derrota por 3 a 2 para o Luzern custou o emprego de Martin Rueda, técnico do Lausanne, time que está em sétimo lugar na Super League, com apenas sete vitórias em 33 partidas.

– O Basel tomou um susto, saiu perdendo, mas conseguiu a virada e goleou o Grasshopper por 6 a 3. Os gafanhotos são outra equipe que parece numa crise sem fim: só estão garantidos na primeira divisão da próxima temporada graças à falência do Neuchâtel Xamax e à punição recebida pelo Sion.

– O clube da Basileia confirmou a negociação de Granit Xhaka com o Borussia Mönchengladbach. A negociação gira em torno de 11 milhões de francos suíços (cerca de R$ 23,1 milhões).

– O St. Gallen comemora o acesso para a primeira divisão suíça. Com duas rodadas de antecedência, a equipe abriu oito pontos de vantagem na liderança e já é campeã da Challenge League. Na última rodada, venceu o Locarno, fora de casa, por 2 a 0.

– A briga pelo segundo lugar está aberta entre Aarau e Bellinzona, que estão empatados com 53 pontos ganhos. O vice-campeão da segundona enfrentará o Sion num playoff para tentar o acesso à Super League de 2012/13.