Gianluca Vialli, lenda do futebol italiano e do Chelsea, havia anunciado em 2018 que estava recuperado de câncer no pâncreas, apenas para descobrir, cerca de um ano depois, que o seu calvário ainda não havia acabado. Após dois ciclos de quimioterapia, o último teste do ex-jogador de 55 anos mostrou que não há mais sinais da doença em seu corpo.

Contou ao a Repubblica que passou por mais dois ciclos de quimioterapia, um de oito meses e outro de nove meses, e que está feliz, embora diga isso baixinho para não dar azar.  “Recuperar minha saúde significa poder me ver no espelho novamente, ver meu cabelo crescer, não ter que desenhar sobrancelhas com um lápis. Em relação a isso, eu me sinto muito sortudo em comparação com tantas outras pessoas”, disse.

“Eu penso naqueles que são levados ao hospital e forçados a morrer sozinhos, seus parentes sem permissão para se aproximar por risco de contágio, sem poder ter funerais. É terrível. Esta crise deixará enormes feridas no país, emocionais, morais e econômicas”, completou.

A crise mencionada por Vialli é obviamente a pandemia de coronavírus, que cobrou quase 20 mil vida na Itália, lotou os leitos hospitalares com 156 mil casos e obrigou as pessoas a se isolarem em casa por semanas.

“No meu caso, não foi uma batalha, mas uma jornada, uma oportunidade de introspecção. Eu preferia não ter ficado doente, mas aconteceu, então tentei tirar o máximo disso. Ajudou a me tornar quem eu sou.

Você luta contra o medo de morrer pensando em seus desejos, concentrando-se no que você realmente ama e o quanto quer que essas coisas boas voltem. Neste silêncio enorme que nos cerca durante o isolamento, há quase uma atmosfera zen. Você consegue ouvir o som dos pássaros mesmo nas grandes cidades, consegue ver a fumaça sumindo, mesmo depois de alguns tirarem sarro daquela maravilhosa garotinha, Greta Thunberg (ativista sueca de 17 anos contra o aquecimento global e as mudanças climáticas)

Será maravilhoso quando o futebol voltar, as emoções e memórias vão nos ajudar a voltar a viver nossas vidas plenamente. Eu apenas espero que mantenhamos a capacidade de sermos solidários no futuro. Continuar apoiando os funcionários de saúde, essas pessoas generosas de incrível força mental e física. Não podemos esquecê-los quando tudo isso terminar.

Gostaria que no futuro as pessoas não dissessem ‘sua saúde é a coisa mais importante’ sem falar a sério. Não cortem mais fundos para a saúde pública. Não permitam que mais pontes caiam. Tornem a segurança de todos os indivíduos a principal responsabilidade”, terminou.