O Carpi recebeu o Bari nesta terça-feira, segurou o empate sem gols em casa e, com quatro rodadas de antecedência, garantiu sua promoção à Serie A da próxima temporada. Será a primeira vez que o clube, de 109 anos, disputará a elite italiana desde a instituição do campeonato da maneira como o conhecemos. O momento de pura alegria, no entanto, vem confrontado por uma pequena polêmica recente, mas nada que diminua o tamanho do feito do time nos últimos anos.

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O Carpi já jogou na primeira divisão, mas na época em que a Serie A ainda não havia sido criada. Entre as temporadas 1919/20 e 1921/22, a equipe disputou o torneio equivalente à elite nacional, mas que era dividido por regiões e repleto de times. Desde a criação da Serie A, unificada, em 1929, nunca mais conseguiu retornar ao topo da pirâmide. Naturalmente, a promoção conquistada nesta terça-feira foi muito celebrada, mas a equipe sabe que enfrentará uma certa resistência de dirigentes de outros clubes do Italiano.

Em fevereiro, o dono da Lazio, Claudio Lotito, criticou a presença de clubes sem tradição no Campeonato Italiano, afirmando que isso prejudicava o poder de barganha da liga na hora da negociação dos direitos de televisão. “Se o Carpi subir, se times que não valem um centavo subir, em dois ou três anos não teremos um centavo. Fui muito bem ao vender os direitos de TV, trouxemos € 1,2 bilhão graças à minha habilidade. Consegui um acordo entre Sky e Mediaset, que em dez anos ninguém havia conseguido. Se em três anos tivermos Latina e Frosinone, quem compraria os direitos? Eles nem sabem onde fica Frosinone.”

Independentemente do que pensa o dono da Lazio, o trabalho feito pelo Carpi deve ser exaltado. O clube declarou falência em 1999, retornou no ano seguinte em torneios amadores e conseguiu a promoção à quarta divisão, a primeira profissional da pirâmide italiana à época, apenas em 2010. A ascensão à segunda divisão aconteceu só na temporada passada e, depois de um 12º lugar em 2013/14, o time já garantiu o acesso e disputa nas quatro rodadas finais o título da Serie B. Um dos destaques do time foi o goleiro Gabriel, de apenas 22 anos, emprestado pelo Milan. Dos 34 jogos que fez até agora, o brasileiro passou 20 sem sofrer gols. A questão técnica não é a única que chama a atenção, e o diretor esportivo do clube, Christian Giuntoli, gosta de exaltar a administração responsável da agremiação.

“Nosso crescimento não aconteceu por sorte, é a realização de um projeto que cresceu bastante. O clube é sólido, sem alarde e age com precaução. Acima de tudo, a cadeia de comando é pequena, e isso facilita o processo de tomada de decisões do clube”, afirmou após o acesso.

Na Serie A 2015/16, o Carpi terá que encontrar um outro estádio para chamar de seu. O time atualmente joga para, no máximo, 4.144 pessoas no Sandro Cabassi, e as regras da primeira divisão exigem um estádio para pelo menos 20 mil pessoas. O que, para uma comuna que caberia dentro do San Siro, é algo inimaginável – o território tem população de pouco mais de 67 mil pessoas.

É incrível que um clube desta dimensão tenha alcançado um feito tão grande, e o trabalho por trás disso deve ser exaltado. Os problemas do futebol italiano vão muito além do que um time pequenino conseguindo seu espaço no topo em meio à irresponsabilidade administrativa dos grandes. Talvez com dirigentes sensatos como os que o Carpi teve nos últimos anos o futebol italiano possa retomar seu rumo de grandeza.