Um pênalti, um chute certeiro. O gol, a história.

Às 23h23 de 19 de novembro de 1969, Pelé estabeleceu um marco ao futebol. Parou a 11 metros de Andrada e fez o resto do Brasil parar junto com ele, à espera da eternidade. O milésimo gol não é um número absoluto, este tão controvertido, tantas vezes analisado com os óculos de hoje em dia e outras tantas ignorado por seu contexto da época. O milésimo gol, na realidade, é uma representação da grandeza. É a confirmação de quem se colocava como o maior jogador de história. É a materialização, em três zeros bem redondos, do que os olhos viam com estupefação. É a tradução aritmética daquela magia deflagrada dentro de campo, de todas as maneiras possíveis, com um arsenal único de habilidades.

O talento de Pelé sempre foi sensibilidade, imaginação, encantamento. O paradoxo do gol mil está justamente em querer aglutinar, em quatro dígitos, o que se mistura entre vivência e memória afetiva. A frieza dos números não deveria se atrever a dimensionar Pelé, uma lenda à maioria absoluta que se lembra, literatura das melhores a quem só pôde ouvir falar. O que fez Pelé se difunde em oralidade. E nisso consiste, também, a atrevida beleza do milésimo: causar espanto pelo estalo de três letras ou quatro algarismos. Provocar curiosidade pela enormidade.

Concorde ou não com a marca, os 1000 são uma porta de entrada à poesia do Rei. Alguns preferem se limitar aos dados, insuficientes a mensurar Pelé – mesmo que se concorde com cada um dos 1283 tentos contabilizados. Os números deveriam ser apenas um chamariz àquilo que é imaterial, que é sublime – aquilo que sustenta uma lenda. Pouco importa se os gols são oficiais ou não, factíveis ou não, admitidos ou não. A compreensão total só surge quando se vê os lances e quando se absorve o que as pessoas sentiam. O milésimo é pretexto. O milésimo é a palavra-chave para abrir um universo muito maior que a incansável cruzada para reduzir o tamanho de Pelé. O milésimo resistirá por mais de mil anos.

Abaixo, resgatamos um pouco dessa memória de 50 anos atrás: como os jornais da época contaram o gol mil de Pelé. Destaque também, no final, a uma edição especial da Placar sobre o Rei. Para ampliar as páginas, clique com o botão direito e, depois, em ‘abrir imagem em nova guia’. Também é possível acessar os links para leitura nos acervos. Confira:

Jornal do Brasil

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Jornal dos Sports

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Folha de S. Paulo

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Estado de S. Paulo

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Revista Manchete

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Correio da Manhã

O Globo

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Extra: A Placar de 1999, com um especial sobre Pelé