Depois de mais de nove anos no Saint-Étienne, o capítulo final da passagem marcante de Stéphane Ruffier pelos Verts não poderia ser mais trágico: demitido ainda com um ano de contrato restante, o goleiro foi impedido de entrar no CT do clube nesta quarta-feira (15) para assistir ao amistoso da equipe com o Charleroi.

Para entender melhor o que está acontecendo entre Ruffier e o Saint-Étienne, é preciso voltar um pouco no tempo, mais especificamente até o fim de fevereiro. Às vésperas da partida contra o Reims pela Ligue 1, em 23 de fevereiro, o técnico Claude Puel decidiu barrar o experiente goleiro, dando a titularidade para Jessy Moulin. Ruffier então teria se recusado a ficar no banco de reservas e, de fato, esteve fora do grupo naquele jogo.

Patrick Glanz, empresário de Ruffier, imediatamente reagiu indo à imprensa, falando em entrevista à RMC Sport que a escolha não era simplesmente esportiva e revelando supostas brigas internas nos Verts: “O Stéphane (Ruffier) está sempre tentando apagar incêndios. Uma vez, com um jogador que quase iniciou uma briga antes do jogo com o PSG; outra, com um médico; em outra oportunidade, com um outro jogador. Sempre há problemas lá”. A fala vinha dias após um jogador, em condição de anonimato, ter revelado à RMC Sport que o elenco nunca havia apoiado o técnico Claude Puel, revelando uma fissura no vestiário.

Desde então, o divórcio parecia basicamente consumado. Em maio, após o fim do confinamento na França, o L’Équipe revela que Puel telefonou para Ruffier para avisá-lo que ele não seria o goleiro titular na próxima temporada, a última em seu contrato. Mais tarde, o recado não poderia ficar mais claro: em 25 de junho, o clube abriu mão de Fabrice Grange, preparador de goleiros específico de Ruffier e que estava nos Verts há oito anos.

Por fim, chegamos a esta semana. Na segunda-feira (13), um funcionário do clube foi pessoalmente até Ruffier entregar um aviso prévio de demissão por justa causa, citando um atraso no treinamento na sexta-feira passada, algo incomum para o arqueiro, tradicionalmente um dos primeiros a se apresentar para as atividades.

Na terça-feira (14), Ruffier treinou normalmente, enquanto aguardava uma correspondência oficial que o chamaria para uma reunião na próxima quarta-feira, 22 de julho. Nesta quarta-feira (15), ao chegar ao CT para assistir a um amistoso dos Verts contra o Charleroi, acabou barrado na entrada das instalações do clube por um oficial de justiça, que trazia consigo notificação similar à feita pelo Saint-Étienne sobre sua demissão, além de uma proibição de entrada no CT.

Contratado em 2011 do Monaco, Ruffier, em seus nove anos de serviços prestados aos Verts, acumulou 383 partidas em todas as competições, tornando-se ainda o goleiro com mais jogos de primeira divisão pelo clube, superando o ídolo Ivan Curkovic, que defendeu a equipe nos anos 1970, conquistando quatro Campeonatos Franceses.

A maneira com que é marcada a saída de uma figura tão emblemática como Ruffier do Saint-Étienne nos faz pensar que há muitos mais detalhes não conhecidos que ajudariam a explicar tão abrupta despedida. Independentemente da proporção de culpa de cada lado, é um divórcio triste, por mais que anunciado.