A Copa do Mundo em 2019 foi um marco no futebol feminino mundial. O Brasil, por exemplo, bateu o recorde de audiência na final do Mundial, mesmo sem a Seleção na decisão. Ainda que longe do ideal, a Fifa aumentou a premiação do torneio. Pela primeira vez, muitas das seleções que jogaram a Copa tiveram uniformes exclusivos. E houve um dado que chamou a atenção: a camisa da seleção feminina dos Estados Unidos quebrou recorde de vendas no seu país.

Sabendo disso, a Trivela procurou a Nike para saber se o impacto das vendas tinha sido sentido em outros lugares também, especialmente no Brasil. E os dados mostram que houve um aumento muito grande no interesse também por aqui e em outros países. A camisa 2019 da seleção americana se tornou a mais vendida no site Nike.com em uma só temporada, segundo o CEO da Nike, Mark Parker, em apresentação do balanço financeiro da empresa para o quarto trimestre do ano fiscal (que, nos EUA, aconteceu no meio do ano).

A Nike dominou a Copa do Mundo Feminina, com 14 das 24 seleções participantes vestindo a marca americana. Quase metade das jogadoras também usou chuteiras Nike. O futebol é o segundo esporte com mais mulheres patrocinadas pela Nike, atrás apenas do atletismo. Um dos pontos que vale destacar é que muitos países venderam os uniformes exclusivos femininos em modelos masculinos. Durante anos, as mulheres jogaram com modelos masculinos em versões femininas.

Desta vez, todas as seleções da Nike (e algumas de outras fornecedoras também) tiveram modelos exclusivos, como o Brasil. Por aqui, verificamos nas lojas e com a própria Nike e não havia modelo masculino da camisa feminina. Em outros países, porém, havia essa possibilidade e isso ajudou a aumentar ainda mais as vendas.

O interesse no futebol feminino foi realmente alto e a Nike tem apostado muito nisso, especialmente nos Estados Unidos, mas não apenas por lá. Segundo a Fox Sports dos Estados Unidos, mais pessoas assistiram à final da Copa do Mundo feminina em 2019 do que a Copa do Mundo masculina em 2018. É claro que um dado relevante é que os Estados Unidos estavam na final feminina e entre os homens o time sequer se classificou à Copa do Mundo, e esse é um impacto evidentemente sentido.

Mais do que as camisas, a Nike se preocupou com todo o equipamento, especialmente um que é essencial às mulheres: o sutiã esportivo que as jogadoras usam, algo que é muito comum em outros esportes, mas que no futebol nem sempre ganhou o devido destaque. Em 1999, Brandi Chastain cobrou o pênalti decisivo na disputa por pênaltis que deu o título aos Estados Unidos e está em uma imagem icônica, quando ela arranca a camisa para comemorar. Lá, ela já vestia o sutiã esportivo, tão importante, e falou sobre isso em entrevista ao site Bustlev.

“Eu tenho que elogiar a Nike em dizer que eles já apoiavam algo que não era apoiado antes, como sutiãs esportivos. Eles literalmente apoiam as mulheres”, disse Chastain, em referência ao equipamento que ajuda a suportar os seios das mulheres, algo bastante específico para as atletas. Para a ex-jogadora, a Nike “deu o salto superando o abismo que um sutiã esportivo não são apenas duas peças de material costuradas”. Chastain diz que é algo que precisa ser pensado junto. “É técnico, é significativo, é parte agora do uniforme, não é apenas algo pensado depois”.

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O Top Esportivo Feminino Nike Classic Swoosh Suporte Médio possui ajuste de compressão e alças em V nas costas que conferem suporte médio e amplitude de movimentos completos durante o seu treino.
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A empresa sabe que essa é uma questão fundamental, porque se baseou em um estudo. De acordo com a Hypebae, aos 14 anos as meninas abandonam a prática de esportes duas vezes mais rápido que os meninos, com o estudo sugerindo que “a única grande mudança que poderia aumentar a atividade física seria ter acesso ao tipo certo de sutiã esportivo”. Por isso, a empresa trabalhou em um novo modelo, o Nike FE/NOM Flykit, feito especificamente para a prática esportiva.

Martina Valle, diretora para mulheres da Nike do Brasil, respondeu à Trivela sobre as vendas das camisas pelo mundo, camisas específicas para mulheres nas seleções e clubes, as jogadoras que mais venderam camisa e a participação das atletas femininas no desenvolvimento dos equipamentos da empresa.

TRIVELA: A camisa da seleção feminina dos Estados Unidos bateu recorde de vendas. Além dos EUA, como foi a venda no resto do mundo? Houve aumento pelo título mundial?

MARTINA VALLE: Orgulhosamente, a Nike é parceira de 14 das 24 seleções que disputaram o Mundial, na França, incluindo três das quatro finalistas. Como o nosso CEO e presidente Mark Parker afirmou, a camisa principal da Seleção dos Estados Unidos se tornou a camisa mais vendida, entre masculina ou feminina, no nike.com em uma só temporada.

Mas não foi apenas a camisa dos EUA que teve crescimento no mercado. A França, Inglaterra, Nigéria e Brasil também contribuíram fortemente para o aumento de 200% nas vendas de camisas em comparação ao último Mundial, quatro anos atrás. As vendas de vestuário feminino relacionados ao Mundial também aumentaram mais de 150% em relação a 2015. Especialmente populares foram as linhas de treino e casual do Brasil, Nigéria, Chile e China.

Que ações específicas a Nike fez pensando no futebol feminino?

O consumo tem aumentado muito nos últimos anos, na medida que mais mulheres tem acesso ao esporte. A visibilidade que o futebol feminino conquistou nesse Mundial foi fantástica e essencial para o crescimento da modalidade no Brasil. As principais emissoras do país transmitiram a competição, e tivemos investimentos e outras ações de diversos setores que contribuíram para que mais pessoas se juntassem a esse movimento.

Além disso, quando falamos de esportes em geral, nós procuramos remover barreiras para o acesso e crescimento do mercado, acelerando a cultura do esporte para mulheres. Fazemos isso porque acreditamos no poder de transformação do esporte. Nós nos esforçamos para quebrar essas barreiras, unindo as pessoas e liderando essa mudança.

E esse ano, com o Mundial, intensificamos nossas ações, sempre visando o desenvolvimento e a maior participação das mulheres no esporte. Depois de muito pesquisarmos as nossas consumidoras, anunciamos iniciativas pensadas para atingir todas as mulheres conectadas com o futebol ou que, em algum momento, foram afastadas do esporte.

Primeiro, para as atletas de elite, que pela primeira vez jogaram com um uniforme completo pensado e desenvolvido especialmente para o corpo das mulheres, resultado de extensas pesquisas desenvolvidas junto às atletas profissionais e amadoras. As camisas 1 e 2 da seleção brasileira trazem a inscrição especial “Mulheres Guerreiras do Brasil”, uma inspiração para vencer dentro e fora de campo.

Outra iniciativa foi pensada para as atletas da categoria de base, peça fundamental para o desenvolvimento do futebol no país. Realizamos a primeira Nike Premier Cup Feminina do mundo, entre os dias 6 e 12 de maio, no Centro de Treinamento da base do Corinthians.

A Nike Premier Cup é a maior competição de base do mundo, realizado anualmente, e é também uma das principais ações que temos para descobrirmos e desenvolvermos talentos no futebol. Muitos atletas da seleção masculina de futebol passaram pela Nike Premier Cup, e nós esperamos ver muitas dessas meninas, um dia, representando e brilhando na seleção feminina. Nesse ano de estreia do feminino, as meninas do São Paulo Futebol Clube foram as grandes campeãs do torneio.

E por último, e não menos importante, criamos um projeto para as atletas amadoras; por isso, convidamos a primeira treinadora da história da Seleção Brasileira, Emily Lima, para desenvolver junto com a gente o Nike Futebol Clube (Nike F.C.), uma plataforma real de acesso à prática do futebol com foco em trazer acesso às mulheres de São Paulo.

Com o Nike F.C., meninas e mulheres que queriam começar a jogar futebol ou treinar suas habilidades, desde o fundamento até a pelada, agora podem fazer isso em um ambiente seguro e apropriado. São sessões de futebol semanais gratuitas na quadra da Nike no Parque do Ibirapuera, com 84 vagas por treino, com dois horários diferentes no mesmo dia, e as inscrições são realizadas por meio do site nike.com.br/sp.

Há a ideia de pensar em uniformes exclusivos para o feminino também em clubes, depois do sucesso da iniciativa nas seleções?

Hoje oferecemos versões femininas dos uniformes dos clubes patrocinados pela Nike no Brasil tanto para as atletas, quanto para as torcedoras. Sobre a ideia de pensar em uniformes exclusivos para as equipes femininas dos clubes, é algo que já estamos pensando.

Há alguma estatística sobre quais as jogadoras mais procuradas entre as camisas personalizadas?

Podemos dizer que as camisas de Megan Rapinoe, Mallory Pugh e Alex Morgan (EUA), Marta e Andressa Alves (Brasil), Sam Kerr (Austrália), Lieke Martens (Holanda), Amandine Henry (França) e Fran Kirby (Inglaterra) tiveram grande procura.

Sabemos que a Nike trabalha muito junto a diversos atletas de ponta em todas as modalidades para criar seus equipamentos. No caso do futebol feminino, quais atletas colaboram com a Nike para produzir chuteiras, camisas e outros materiais?

A Nike é uma marca que está sempre em busca de inovação. Isso está presente em tudo o que fazemos. O tempo todo. Acredito que esse seja o nosso principal diferencial. Além disso, a nossa relação com os atletas.  Eles são a nossa fonte de inspiração e os maiores colaboradores no desenvolvimento dos produtos mais modernos.

No caso do Brasil: Andressa Alves, Andressinha, Bia Zaneratto, Adriana Silva e outras atletas profissionais participaram ativamente do processo de desenvolvimento ajudando com feedbacks para melhor caimento dos uniformes, além de algumas amadoras apaixonadas por futebol.

Sam Kerr (Austrália) Megan Rapinoe (EUA), Alex Morgan (EUA), Lieke Martens (Holanda), Amandine Henry (França) e Fran Kitby (Inglaterra) também tiveram participação ativa no desenvolvimento dos uniformes de suas respectivas seleções.

Algumas dessas atletas também participam ativamente do processo de desenvolvimento das nossas chuteiras, como por exemplo, a mais nova versão da Nike Mercurial, recém-lançada num evento em Paris, na França, na véspera da Final do Mundial Feminino, que também foi o palco da estreia do modelo nos gramados de todo o mundo.

A Marca da Vitória
A autobiografia do Criador da Nike, Phil Knight, em versão em português
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