Quando assumiu o comando do Liverpool em 2015, Jürgen Klopp estava aceitando o desafio de ser um dos principais líderes de uma transformação lenta mas constante. Um gigante adormecido por vários anos até então, o clube do Merseyside tomou uma série de decisões acertadas que, algumas temporadas mais tarde, o colocaram de volta ao topo do futebol doméstico e continental. Tal transformação é agora um exemplo a ser seguido por outros clubes. Frank Lampard, do Chelsea, já admitiu isso, e agora foi a vez de Mikel Arteta, técnico do Arsenal, fazer o mesmo.

De olho no confronto entre as duas equipes nesta quarta-feira (15), o treinador dos Gunners, em entrevista coletiva prévia ao jogo, elogiou o trabalho de reestruturação dos Reds nos últimos anos, reconheceu que serve de inspiração para o que o Arsenal precisa fazer, mas advertiu: é preciso levar em conta as particularidades do momento.

“O contexto atual é diferente do que era quatro anos atrás, e a capacidade de um clube de reconstruir algo é mais limitada, mas certamente é algo que temos que observar, porque é um grande exemplo. Temos que fazer do nosso jeito, com nossos recursos, tendo em mente que o contexto agora é diferente. Mas estamos a caminho de sermos os melhores, e esse é meu único objetivo neste clube. Precisamos encontrar uma maneira de conseguir isso”, analisou.

Arteta é elogioso sobretudo ao trabalho de base feito pelo Liverpool, que se permitiu o tempo necessário para estabelecer uma nova cultura dentro do clube e da equipe.

“O que eles fizeram é fenomenal. Obviamente, nos primeiros dois anos, levou um tempo para eles reconstruírem o elenco e criarem uma nova cultura, uma nova filosofia e um modelo de jogo que se adaptasse ao treinador.”

Por fim, foi essencial encontrar os atletas ideais para consertar cada deficiência da equipe, como com as chegadas de Alisson e Van Dijk, transformando a defesa em uma fortaleza.

“Eles começaram a recrutar cada jogador em relação ao que precisavam, e é aí que acho que eles foram bem inteligentes. Eles trouxeram jogadores para cada posição com especificidades que eram necessárias. Financeiramente, tiveram um grande apoio e fizeram grandes contratações, o que mudou completamente o clube, em minha opinião”, comentou Arteta, dando a deixa para seus próprios dirigentes.

O basco adoraria ver o Arsenal em situação parecida daqui a alguns anos, embora provavelmente não irá contar com a mesma facilidade no mercado que Klopp teve em seu primeiro ano, trazendo jogadores como Sadio Mané e Georginio Wijnaldum por um total de cerca de £ 50 milhões. Mesmo que tivesse isso, sabe que não basta o investimento em jogadores para se chegar ao nível de sucesso do atual Liverpool.

“Se você me fizer esta pergunta daqui a quatro anos e eu puder dizer que, ‘sim, conseguimos’, ficarei muito feliz. Mas eu sei quantas decisões precisam ser acertadas e quanto apoio você precisa do clube e das pessoas em torno dele, de quanto conexão é preciso gerar com seus torcedores para ter o pacote completo. Depois, é futebol.”

Por ora, um bom fim de campanha na Premier League, ainda que sem classificação à Liga Europa (os Gunners têm cinco pontos a menos que o sexto colocado, Wolverhampton, com três jogos restantes), já seria um sinal interessante a se deixar para o início da próxima temporada. Em um momento de transição como este, todo sinal de evolução é bem-vindo.