Eden Hazard é um jogador que faz a diferença com seu talento. Poucos futebolistas no mundo, aliás, possuem tanta capacidade para desequilibrar com a bola nos pés. A torcida do Chelsea presenciou dezenas de partidas decisivas do ponta desde que vestiu a camisa azul pela primeira vez, em 2012. E, muito provavelmente, viu a última nesta quarta-feira. Ao que tudo indica, o camisa 10 será a nova estrela do Real Madrid, contratado para impulsionar a renovação dos merengues. Diante de um clima de despedida, o belga acabou com a decisão da Liga Europa. Fez dois gols, deu uma assistência e liderou a inapelável goleada por 4 a 1 sobre o Arsenal, que valeu o título continental. Uma conquista mais fácil que a encomenda, graças ao craque.

Quando chegou a Stamford Bridge, Hazard era uma promessa de 21 anos. Uma promessa de 21 anos, mas que por duas vezes já se colocara como o melhor jogador da Ligue 1 e também levara o Lille ao título nacional. O negócio não parecia ter muitos riscos e os £32 milhões investidos na época soam como uma pechincha atualmente. Pode até ser que alguém questione o belga por não ter se firmado como um candidato à Bola de Ouro, como se projetava, ou por não ter conduzido os Blues à reconquista da Champions League. Não se nega, porém, que ele foi o grande jogador do Chelsea a partir do ocaso dos “senadores”.

Os números de Hazard falam por si. Sempre contribuiu com muitas assistências e muitos gols – ainda mais para um ponta. Foram 85 tentos e 54 passes decisivos em 245 aparições pela Premier League. Teve papel fundamental em duas conquistas da competição, disparadamente o melhor do time na taça de 2014/15. Figurou por quatro vezes no time da temporada da Inglaterra e em quatro oportunidades também foi eleito o melhor jogador do Chelsea no ano. O camisa 10 se transformou de um grande talento em um dos melhores do mundo em sua posição. Consequentemente, também merece aparecer no time da década da Premier League.

A Copa do Mundo de 2018 se tornou a grande competição internacional de Hazard. Foi o torneio de peso que viu o camisa 10 chamar o protagonismo para si, decisivo e deslumbrante. Aguardava-se algo mais também no Chelsea. E, sem que a Champions League estivesse na mira do clube desta vez, a Liga Europa se tornou o terreno fértil ao craque. Já tinha feito uma temporada excelente na Premier League, sobretudo pelo primeiro turno. Por fim, o título continental ofereceu a oportunidade ideal para finalizar sua história de uma bela maneira.

Hazard não tinha jogado a decisão da Liga Europa em 2012/13, cabe lembrar. Participou da conquista em sua primeira temporada, mas uma lesão o impediu de enfrentar o Benfica. Assim, a final contra o Arsenal seria uma ocasião única em sua passagem pelo Chelsea. E ele não decepcionou. No primeiro tempo, em uma partida morna, esbarrou em Petr Cech. Já no segundo tempo, o belga só não fez chover. Chamou o jogo para si, partiu para cima da defesa, criou oportunidades. Fez o que mais sabe fazer. E transformou o jogo.

A goleada não foi causada por uma grande partida do Chelsea, mas sim por uma grande partida de Hazard. Se há alguma razão para explicar a diferença no placar, ela está no camisa 10, destruindo a desligada defesa do Arsenal. Ajudou a construir o primeiro gol, deu o passe para o segundo, cobrou o pênalti no terceiro e fechou a conta anotando o quarto. Foram 30 minutos irrepreensíveis do craque. Suficientes para que, ao ser substituído no final, recebesse os merecidos aplausos da torcida azul presente nas arquibancadas de Baku.

Ainda na saída de campo, Hazard indicou que este será seu adeus do Chelsea. Apontou que “talvez seja o momento para um novo desafio”, o que deve ser confirmado dentro dos próximos dias pelo Real Madrid. A torcida dos Blues, obviamente, esperava mais do camisa 10. Aguardava que o craque permanecesse como senador. Contudo, a própria falta de direção dos londrinos nos últimos meses deve ter pesado em sua decisão. E, na fase mais madura de sua carreira, aceita a incumbência de ser o craque do Real Madrid.

A Copa do Mundo foi um carimbo, sem dúvidas. Ainda assim, o investimento em Hazard se justifica pela consistência e pelo poder de decisão que demonstrou com a camisa do Chelsea. O Santiago Bernabeú poderá ser essencial à maneira como o camisa 10 acabará reconhecido na história. A eternidade do belga, independentemente disso, já foi garantida nestes oito anos em Stamford Bridge. O brilho com a camisa azul o coloca num seleto hall de ídolos do clube.

Eden Hazard, do Chelsea (Getty Images)