A chegada de Keisuke Honda ao Botafogo é daquelas transferências bastante curiosas – podemos dizer que soa como algo típico de Football Manager – e já é candidata a ser um dos grandes acontecimentos de 2020. Nesta sexta-feira, a torcida alvinegra deu um espetáculo no Rio de Janeiro. Desde o começo da manhã, torcedores começaram a ir até o aeroporto do Galeão para receber o japonês. À medida que as horas passavam, o aeroporto era tomado de torcedores. Mais do que o próprio jogador, o AeroHonda era sobre Botafogo. Ou melhor: sobre ser Botafogo. Foi uma forma de celebrar a própria paixão e dar carinho a quem está chegando.

Os torcedores sabem que Honda não está no seu auge, que seus últimos anos não foram de brilho. Não é esse o ponto de celebrar com uma tremenda festa a chegada do craque. Trata-se de celebrar o próprio Botafogo, a sua paixão, em mostrar a Honda que ele chega em um clube que as pessoas são apaixonadas, que irão apoiá-lo e que estão prontos para fazer festas como essa. Que mais do que um time, que disputa Campeonato Carioca, Sul-Americana, Copa do Brasil e Campeonato Brasileiro, é um clube de história, que tem tradição e que tem, principalmente, uma paixão infinita de quem sorri, chora e vive Botafogo.

Tecnicamente, Honda tem talento, mas não se sabe exatamente o seu nível. O que se sabe é que o Botafogo certamente o emocionou. Não é todo dia que se recebe esse mar de carinho, uma celebração desse nível. Honda viverá uma experiência como nenhuma outra, sem dúvida. A Austrália, por uma questão até geográfica, está mais próxima culturalmente do Japão. O Brasil será uma novidade para o japonês, que também precisará ter certa paciência para que ele entenda e se adapte ao país e ao futebol local.

O que o torcedor do Botafogo fez nesta tarde de sexta-feira foi celebrar o Botafogo, foi mostrar a paixão sem limites pelo clube da Estrela Solitária. A empolgação é plenamente justificável, porque é um jogador internacional, de 33 anos, que jogou três Copas do Mundo e atuou por muitos anos na Europa, em times como o CSKA Moscou e o Milan. O Botafogo pode ser o time para ele brilhar, ainda mais porque ele sonha em ser um dos convocados da seleção japonesa para disputar o Olimpíada de Tóquio, no segundo semestre.

Como foi com Sebastian Loco Abreu e Clarence Seedorf, Honda será acolhido. Se mostrar um pouco da sua muita qualidade em campo, o que ele sentirá será a torcida o apoiando intensamente. E o AeroHonda desta sexta será só a primeira das festas que o torcedor alvinegro fará para ele no ano.

Independente do que acontecer em campo, a torcida celebrou a paixão. E isso já está guardado em todos os corações e mentes que pulsam Botafogo.