O que era esperado aconteceu. A Portuguesa caiu para a Série D do Campeonato Brasileiro depois de uma derrota para o Tombense em Minas Gerais por 2 a 0. O time dependia de uma vitória combinada com a derrota do Macaé para o Botafogo de Ribeirão Preto na outra partida, o que também não aconteceu. O rebaixamento é um capítulo muito triste para um clube tradicional da capital paulista, mas não é o fim da linha. É preciso recomeçar, como outros times o fizeram.

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A campanha na Série C foi terrível. O time fez só 14 pontos em 18 jogos. Ficou à frente só do Guaratinguetá, lanterna com quatro pontos. Ficou a dois pontos do Macaé, que fez 16. A queda para a Série D é o último rebaixamento de uma sequência que começou em 2013. Curiosamente, no rebaixamento mais importante o time não caiu por incompetência em campo.

Aquele ano de 2013 acabou com a Portuguesa rebaixada por perder pontos que tinha conquistado em campo. Tudo pela escalação irregular do meia Héverton, que entrou no fim do jogo contra o Grêmio, na última rodada. O clube já havia escapado do rebaixamento àquela altura. A escalação rendeu a perda de quatro pontos, o que rebaixou o time. O Flamengo, outro que escalou irregularmente o lateral André Santos, também perdeu quatro pontos e ficou em 16º, uma posição acima da Portuguesa.

Dali em diante, a Portuguesa começou a cair pelas tabelas. Foram três rebaixamentos em quatro anos. Em 2014, o time fez uma campanha terrível na Série B, terminou em 20º lugar e foi rebaixada à Série D. Caiu duas divisões em dois anos.

Em 2015, o ano já começou ruim. A Portuguesa foi muito mal no Campeonato Paulista e acabou rebaixada à Série A2 regional. Depois, o time passou raspando na campanha para o acesso na Série C. O Vila Nova foi o adversários das quartas de final e acabou eliminado a Lusa, conquistando a vaga na Série B. Ficaria mais um ano na Série C.

O ano de 2016 não foi melhor. A campanha na Série A2 do Paulista foi ruim. O time terminou apenas em 13º lugar, sem conseguir a classificação à fase final (os oito primeiros se classificaram). Para um time como a Portuguesa, é pouco. Mas se já estava ruim, ficou pior. A campanha na Série C culminaria neste domingo, com o rebaixamento à Série D e um futuro tenebroso pela frente.

Não é o fim da linha. Dizer que a Portuguesa acabará é ignorar a história. O clube continua existindo e há, sim, como voltar. Basta olhar para o passado: Santa Cruz atualmente na Série A, já viveu o rebaixamento à Série D, sem conseguir subir e depois tendo que lutar por vaga mesmo na última divisão nacional pelo estadual. O Remo, também rebaixado à Série D, já viveu momentos sombrios até conseguir o acesso à Série C, onde está atualmente.

A ascensão do Santa Cruz foi meteórica e talvez seja o melhor exemplo possível, embora o mais difícil de reproduzir. A Portuguesa precisa começar pensando na Série A2 de 2017, quando terá a missão de voltar à primeira divisão. Este é o primeiro passo.

A Série D do ano que vem será uma batalha que precisará ser encarada com toda a seriedade e, mais do que isso, como uma oportunidade. Em 2017, a Portuguesa tem vaga garantida na Série D por ter sido rebaixada da Série C. Se não conseguir o acesso em 2017, ficará sem divisão. A classificação à competição pode vir de duas formas: ou pela classificação no Campeonato Paulista, ou pela Copa Paulista, competição estadual disputada no segundo semestre.

É uma situação triste e um capítulo nebuloso em uma história tão rica como a da Portuguesa. Seus dirigentes, a começar pela confusão em 2013, deixaram um clube se deteriorar a ponto de cair para a última divisão brasileira.

Não é o fundo do poço. Dá para piorar muito mais. É só perguntar ao Juventus, clube tradicional da Mooca que está na Série A2 do Paulista e não disputa qualquer divisão nacional. Ou o São José, a Águia do Vale, que teve em 2016 um capítulo terrível da sua história ao cair da Série A3 paulista para a Série B, quarta divisão estadual. Não dá para cair mais. Só se virar amador. Então, a Portuguesa tem exemplos de times com camisas tradicionais que estão piores. É preciso se reestruturar, antes que realmente seja tarde.

A revolução na Portuguesa precisa começar na direção do clube, que é a principal responsável por deixar o clube cair até tão fundo. A partir daí trabalhar com o que o clube tem. O Canindé, o tradicional estádio da zona norte de São Paulo, está ameaçado por um leilão. O clube, em crise financeira, está sem recursos.

A Portuguesa jamais deixará de existir. Mas precisa recolher os cacos e começar a trabalhar duro. A cada ano de caos na sua gestão, mais degraus terá que subir na escada. E já são muitos…

Chamada Trivela FC 640X63