Crises políticas podem levar clubes a situações extremas. Mas é difícil encontrar um episódio mais bizarro do que o ocorrido neste domingo, com o Real Potosí. O clube se preparava para enfrentar o Universitario de Sucre, na primeira rodada do Torneio Clausura do Campeonato Boliviano. No entanto, a queda de braço entre aqueles que se reivindicam como presidentes da agremiação levou os violetas a apresentarem duas equipes diferentes e dois técnicos para o duelo no Estádio Víctor Agustín Ugarte. Confusão que precisou de bom senso para ser solucionada.

O entrave gira ao redor de dois nomes: Wilson Gutiérrez, o presidente reconhecido pela federação boliviana, e Calixto Santos, que venceu as eleições realizadas no último dia 15, embora tenham sido colocadas em dúvida pelo primeiro. Gutiérrez garante que segue como presidente e que foi ele quem pagou os salários do elenco neste mês. Enquanto isso, Santos resolveu formar um “time paralelo” para se impor como mandatário dos violetas. Acabaram gerando uma enorme patifaria no início do Clausura.

A situação constrangedora se transformou em impasse antes do duelo contra o Universitario. Os dois times esperavam disputar o jogo, um deles comandado pelo técnico Fernando Ochoaizpur e outro sob as ordens de Walter Botto. Somente dez minutos antes do pontapé inicial, diante de uma torcida que não sabia o que fazer, é que tomaram uma decisão bastante salomônica: o Real Potosí jogaria com um time misto, montado a partir das duas equipes que se preparavam ao duelo.

Ochoaizpur e Botto não ficaram à beira do campo. Quem assumiu o comando técnico foram os capitães, Darwin Peña e Herman Soliz. Foram eles quem montaram a equipe, entre titulares e juvenis, para a disputa da partida. Ao final, o saldo não foi tão ruim assim aos violetas. Mesmo com o catadão, os anfitriões arrancaram o empate por 1 a 1 contra o Universitario, graças a um gol anotado aos 47 do segundo tempo.

No sábado, um dia antes do jogo, os presidentes Gutiérrez e Santos assinaram um acordo. Nele, Gutiérrez garantia a permanência dos jogadores que contratou até o final do ano, assim como de Ochoaizpur, e afirmava que renunciaria quando recebesse US$23 mil referentes aos salários que pagou. Como o dinheiro não caiu, o imbróglio se deu. Santos acusa Gutiérrez de prejudicar o clube e de assinar vários documentos sem ser coerente com seus compromissos. Para solucionar o rolo, seria realizado um encontro envolvendo o governador e o prefeito nesta segunda, mas Santos não compareceu. Gutiérrez garante que não sairá enquanto não receber o que devem a ele.