“O Real Madrid não é apenas um time de futebol. Está se tornando uma religião global”. Esse foi Carlo Ancelotti depois da décima conquista europeia do clube, no último mês de maio, e ele não poderia estar mais correto. Os 500 mil metros quadrados da Espanha há muito tempo ficaram pequenos para o clube com mais títulos europeus do mundo, e esse posicionamento global do Real Madrid é único entre os times classificados para o Mundial do Marrocos, a maioria deles com raízes mais regionais.

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O Real tem uma ligação estreita com a sua cidade e sua comunidade, mas é uma relação diferente da que se constata com os rivais, como o San Lorenzo com Almagro, por exemplo, um clube de bairro como tantos outros em Buenos Aires. Assim como uma partida contra. Além de fonte de orgulho, é um cartão postal da capital espanhola e da própria Espanha, imediatamente reconhecido em vários cantos do mundos.

O trabalho para chegar a esse patamar intensificou-se no começo do século, com a era dos Galáticos. As contratações anuais de grandes estrelas do futebol mundial eram uma forma de colocar o Real Madrid nas manchetes de outros países. A venda de camisas, impulsionada por estrelas globais, como Cristiano Ronaldo, e regionais, como James Rodríguez, passou da marca de 1,4 milhão por ano. Nenhuma pré-temporada termina sem que o Real Madrid faça uma excursão aos Estados Unidos ou à Ásia, sempre lotando os estádios. Todos querem vê-lo.

As redes sociais nos últimos anos também se tornaram um processo importante nesse sentido pelo seu alcance. Com 78,7 milhões de fãs no Facebook, perde apenas para o Barcelona, com 79,9 milhões. Esses dois números são quase duas vezes superiores à população da Espanha. No Twitter, reina absoluto com mais de 13,8 milhões de seguidores. Seus jogos passam em vários países, e a verba televisiva chega aos R$ 580 milhões, o suficiente para bancar a folha salarial do San Lorenzo, na época da libertadores avaliada em R$ 350 mil, durante 1.657 meses, ou quatro anos e meio.

Vive em uma realidade completamente diferente à dos rivais que vai enfrentar no Marrocos, grandes em seus países, cidades e bairros, mas sem convites para a festa da globalização. Real Madrid x Western Sydney parece mais uma partida de exibição de pré-temporada na Austrália do que uma semifinal de Mundial de Clubes, como pode acontecer. Também por isso, os espanhóis entram na disputa com o maior favoritismo da história do torneio desde que ele passou a ser organizado pela Fifa, comparável apenas a 2008, quando o Manchester United enfrentou a LDU. Contando todas as edições, o último desnível tão grande foi em 2002, entre o próprio Real Madrid e Olimpia, do Paraguai. Mas vale lembrar que, no futebol, favoritismo nunca é uma garantia.

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