A principal marca identitária do Real Madrid é o seu ataque. Não há como pensar em um grande time dos merengues sem exaltar seus atacantes históricos. E o momento difícil da equipe sob as ordens de Julen Lopetegui parece justamente perder isso de vista. Obviamente, ainda há vários jogadores de muita qualidade à disposição no elenco. No entanto, o setor ofensivo não funciona e acumula quatro partidas em jejum. Já são mais de 400 minutos sem celebrar um tento sequer, naquela que é a maior seca do clube em partidas oficiais desde 1985. Lá se vão três derrotas e um empate nesta sequência. Outro golpe duro aconteceu neste sábado, quando o Alavés celebrou a vitória por 1 a 0 sobre os madridistas, com um gol anotado aos 50 do segundo tempo. Foi a primeira derrota do clube em Mendizorroza desde março de 1931.

Não faltaram estrelas ao Real Madrid para buscar a vitória. A linha de frente contou com Gareth Bale, Karim Benzema e Dani Ceballos – que vinha de boa atuação no dérbi. No meio, Toni Kroos e Luka Modric, além de Casemiro. Opções suficientes para intimidar um Alavés que atravessa ótimo início em La Liga, mas é claramente inferior. A diferença, contudo, ficou apenas no papel.

O Real Madrid teve um bom início de partida. Começou pressionando e criando algumas boas oportunidades, entre bolas alçadas na área e tiros de média distância. O goleiro Fernando Pacheco realizou uma defesa difícil em chute no canto de Ceballos e Guillermo Maripán salvou uma bola na pequena área. Contudo, não demorou para os merengues perderem o fôlego. Tinham a posse de bola, sem ameaçar a confortável defesa do Alavés, que trabalhava com intensidade no meio. As raras jogadas vinham em avanços de Álvaro Odriozola pela direita. Pior, logo a velocidade dos bascos começou a render sustos. Por volta dos 25 minutos, chegaram duas vezes e, em uma delas, Raphaël Varane afastou de cabeça quase em cima da linha. A falta de ideias travava os visitantes, criando poucas jogadas para abrir a marcação adversária.

Logo na volta do intervalo, Lopetegui mudou. Tirou o apagado Karim Benzema para a entrada de Mariano Díaz, um jogador de mais mobilidade e que fez algumas boas partidas neste início de temporada. Não adiantou tanto assim, com o dominicano se enroscando com as próprias pernas. O Real Madrid era um time sem aproximação, com dificuldades para invadir a área. Aos 17, Marco Asensio entrou na vaga de Casemiro, enquanto o Alavés mexia para apostar nos contragolpes. A atuação atenta da defesa basca era fundamental, travando os cruzamentos mais perigosos e dando brechas apenas em chutes pouco promissores de média distância.

O aviso do desastre aconteceu aos 31 minutos. Calleri preparou a jogada e Jony invadiu a área merengue com liberdade, mas o chute cruzado saiu raspando a trave. Logo depois, Bale saiu lesionado para a entrada de Vinícius Júnior, mas o brasileiro não faria muito mais ao Real Madrid. Era um time impotente, que sequer conseguia arrematar contra a meta do Alavés. Até que a punição acontecesse aos 50. Uma cobrança de escanteio pela esquerda contou com a indecisão de Thibaut Courtois, que ficou pelo meio do caminho e não interceptou a bola. Depois do desvio de Rubén Sobrino no segundo pau, que o goleiro rebateu, a bola sobrou mansa para Manu García concluir na pequena área. Festa dos pequeninos, que se aproveitaram da apatia dos visitantes e encontraram a bola decisiva no final.

Os questionamentos sobre a continuidade de Julen Lopetegui se ampliam. A imprensa local discute as possibilidades dos merengues, embora Sergio Ramos tenha vindo a público defender o treinador. Fato é que o cenário não anima. O Real Madrid é o terceiro colocado em La Liga, com 14 pontos. Já são três rodadas sem vencer e o ataque que se equipara ao rendimento de outros times medianos da competição. O tropeço contra o CSKA Moscou na Liga dos Campeões só piorou o ambiente. A Data Fifa será necessária para repensar.

O Alavés, por sua vez, merece os seus louros. É um time com estilo de jogo definido sob as ordens de Abelardo e que vai conquistando bons resultados. São quatro vitórias e dois empates nas primeiras seis rodadas, justamente com os mesmos 14 pontos do Real Madrid, assumindo a segunda colocação pela vantagem no confronto direto. Difícil dizer qual será a ambição dos bascos ao longo da competição, mas indicam que podem pelo menos brigar pela metade superior da tabela. Já com um resultado desta temporada para se lembrar eternamente.