O 2 a 2 no placar não conta a história toda de Real Madrid e PSG, nesta terça-feira (26). Durante 80 minutos, o Real fez um jogo grandioso. Dominou as ações, transformou o PSG em mero espectador, controlou o ritmo e, perto do fim, fazia seu segundo gol para aparentemente matar a partida em 2 a 0.

O PSG, no entanto, parece ter aprendido uma coisa ou outra de suas participações anteriores na Champions League. Em um intervalo de dois minutos, logo após sofrer o segundo gol, o time francês reagiu com intensidade, fez dois gols e garantiu o empate em 2 a 2. Com o resultado, a equipe de Thomas Tuchel garante o primeiro lugar do grupo A da Liga dos Campeões.

O dominante Real

O PSG começou bem a partida, mas isso durou pouco e não gerou chances perigosas. Logo, o Real Madrid tomou conta das ações da partida e fez o Paris apenas observar. O jogo ofensivo dos madridistas orbitava Eden Hazard, em uma daquelas noites em que a bola parecia procurá-lo como se o camisa 7 fosse um ímã. De seus pés, nasceu o primeiro gol.

Aos 17 minutos, o belga, na linha que divide o campo, driblou Marquinhos, Meunier e Gueye antes de tocar para Valverde. O uruguaio então conduziu ao ataque, tabelou com Carvajal e cruzou para trás. Isco completou e acertou a trave, mas Benzema não desperdiçou. No rebote, tranquilamente, bateu para fazer 1 a 0.

Além do gol, Benzema contribuiu muito para o jogo ofensivo do Real Madrid. Movimentou-se por todas as partes no terço final do campo, criando novas vias de passes e dificultando a marcação parisiense. Foi graças principalmente a ele, Hazard e Kroos que o Madrid criou tantas chances – fazendo Navas trabalhar muito.

Real comemora o primeiro gol contra o PSG (Divulgação)

Ao longo de todo o domínio espanhol, o goleiro costarriquenho fez uma grande partida em seu retorno ao Santiago Bernabéu. Com grandes defesas, impedindo um placar elástico do time da casa, certamente fez parte da torcida do Real Madrid lamentar sua saída para a chegada de Courtois. Impressão essa que atingiu seu ápice perto do fim do primeiro tempo.

O Real Madrid parecia perto de marcar seu segundo gol antes mesmo do intervalo, e por alguns instantes o goleiro belga colocou tudo a perder. Icardi, lançado sozinho no ataque, foi derrubado dentro da área por Courtois. O árbitro apitou o pênalti e expulsou o arqueiro, mas uma revisão posterior no monitor do VAR anulou o lance – Gueye havia feito falta na origem do lance em cima de Marcelo.

O segundo tempo começou com o mesmo domínio madridista do primeiro. Logo no primeiro lance, Marcelo subiu pela esquerda e cruzou baixo para Benzema. Bem posicionado e sozinho, o francês bateu da pequena área, mas foi parado por Navas.

A esta altura, o PSG já tinha Neymar em campo, mas o brasileiro, que entrara após o intervalo, pouco fazia para mudar o jogo a favor do time de Tuchel. O Real, por sua parte, mantinha o domínio, levando perigo com seu camisa 9, com Hazard, com Kroos e mesmo Carvajal. Aos 24 minutos do segundo tempo, no entanto, veio o baque: machucado, Hazard teve que deixar o jogo, dando lugar a Gareth Bale.

A saída do belga tirou poder ofensivo do Real, mas ainda assim a equipe foi buscar o segundo gol. Aos 34 minutos da etapa final, Marcelo cruzou para Benzema, de cabeça, fazer o 2 a 0.

Três minutos antes do segundo gol, Modric entrara no lugar de Valverde, este ovacionado pela torcida por sua atuação. Com o 2 a 0, Zidane já ensaiava a última alteração em um jogo ganho. Rodrygo se preparava para entrar no lugar de Isco. Mas tudo estava prestes a mudar.

A resposta parisiense

Mbappé diminui para o PSG e inicia reação (Divulgação)

Antes do duelo, a imprensa francesa falava sobre um dilema para Thomas Tuchel. Jogaria no 4-3-3, sacrificando um entre Di María, Mbappé, Neymar e Icardi para repetir o meio de campo da vitória por 3 a 0 no Parque dos Príncipes, ou em um 4-2-3-1, colocando os mais talentosos jogadores ofensivos juntos? O alemão acabou por preferir a primeira opção, e o descartado foi Neymar, que ficou no banco.

Com o resultado desfavorável, Tuchel mexeu no time no intervalo. Tirou Gueye e pôs o brasileiro em campo, mudando para o 4-2-3-1, com Neymar atuando mais centralizado, ainda que caindo pelos cantos. No entanto, por muito tempo, a alteração não gerou grande efeito.

Mais na base da pressão e da distração adversária do que outra coisa, veio a reação. Imediatamente após o segundo gol do Real, o PSG trocou passes pela direita, aproveitando desatenção de Marcelo e Sergio Ramos, e, após cruzamento de Meunier, Mbappé apareceu para completar para o gol, depois de a bola ainda passar por Varane e Courtois, que falharam na hora de decidir quem tirava o perigo da área.

Dois minutos depois, aos 38 do segundo tempo, Neymar iniciou jogada no círculo central, tabelando para quebrar as linhas de marcação. Na intermediária, abriu pela esquerda com Bernat, que cruzou de primeira. A defesa do Real foi incapaz de parar o ataque do PSG em tal velocidade. O corta-luz de Mbappé, o chute travado de Draxler e a sobra de Sarabia. Tudo isso durou dois segundos, e, ao fim destes, o espanhol chutava colocado, no ângulo, para determinar o 2 a 2.

Classificações Sofascore Resultados

Se ao Real Madrid as boas notícias estiveram espalhadas ao longo do jogo, com boa atuação coletiva e também destaques individuais em Valverde, Kroos, Benzema e Hazard, ao PSG elas se concentram principalmente em torno dos números. Primeiro pelo ponto inesperado conquistado. Por fim, por ter garantido o primeiro lugar da chave com uma rodada de antecedência, mantendo os cinco pontos de vantagem para o Real Madrid.

Antes do jogo, o PSG se perguntava se seria capaz de fazer uma segunda partida contra um grande adversário à altura da primeira. Depois da goleada sobre o Barcelona em 2017 veio a Remontada. No mesmo ano, após o 3 a 0 contra o Bayern de Munique, veio a derrota por 3 a 1 para os bávaros. Neste ano, a vitória por 2 a 0 contra o Manchester United, fora de casa, na ida, não foi suficiente para evitar a eliminação nas oitavas, em uma derrota dolorida por 3 a 1 no Parque dos Príncipes.

Ainda que o desempenho tenha sido decepcionante ao longo do jogo, a resposta, em termos anímicos, foi aquilo que os parisienses buscavam há algum tempo, e esta reação pode ser a referência da qual este elenco precisava para grandes confrontos europeus.