A Supercopa da Espanha 2020 é um grande fracasso de bilheteria, ao menos nas vendas dos clubes. Marcada para ser realizada na Arábia Saudita, a competição, que pela primeira vez terá quatro equipes, teve apenas pouco mais de mil ingressos vendidos até agora. E olha que os clubes participantes são dos mais atrativos: Barcelona, Real Madrid, Atlético de Madrid e Valencia.

Segundo o jornal espanhol El Mundo, 12 mil entradas, ao todo, foram disponibilizadas pela Federação Espanhola (RFEF) para ser vendida pelos quatro clubes. Dessas 12 mil, apenas 1.076 foram vendidas, um total de 9,05%. O Real Madrid foi o clube que mais vendeu ingressos: 700. O Barcelona aparece em segundo, com 300 ingressos, o Atlético de Madrid negociou apenas 50, e o Valencia, incríveis 26.

A competição começa já nesta quarta-feira (8), com o duelo entre Valencia e Real Madrid, e Barcelona e Atleti se enfrentam na quinta-feira (9).

Para ilustrar ainda mais a falta de atratividade entre quem mora na Espanha, a imprensa espanhola diz que grande parte dos mil torcedores que compraram ingressos são pessoas que já moram na Arábia Saudita, um cenário nada impossível de se prever, considerando a viagem de mais de 4.500 quilômetros de avião entre Madri e Jidá, que recebe os jogos.

O motivo por trás da falta de interesse tampouco tem a ver com o preço dos ingressos, já que, segundo o El Mundo, há entradas a partir de € 25. A longa viagem, com um timing terrível de pós-festas de fim de ano, fará com que o público seja majoritariamente saudita.

Caso o número de torcedores do Valencia comprando ingressos não aumente, a Federação Espanhola conseguirá ter levado mais gente ao jogo do que os próprios Ches. Isso porque a expectativa é de que por volta de 30 convidados da RFEF estejam no estádio Rei Abdullah para os confrontos desta semana.

Como o acordo para levar a competição para a Arábia Saudita é válido por três anos, as edições de 2021 e 2022 já têm sedes definidas no mesmo país, sempre durante o inverno europeu, solução encontrada pela federação para “aliviar” o calendário de competições.

Pelo lado esportivo, do torcedor e da identificação, foi uma péssima ideia a venda do torneio – e as coisas só pioram quando lembramos da fama de país violador de direitos humanos que tem a Arábia Saudita.