Um jogo de reviravoltas. Assim pode ser definido o amistoso entre Holanda e França, nesta quarta-feira, na Amsterdam Arena. O confronto foi dividido em duas partes distintas: primeiro, o domínio absoluto francês, que parecia fazer um jogo-treino de ataque contra defesa. Depois, o despertar da Oranje no segundo tempo para buscar um empate improvável. Tudo para, instantes depois, os Bleus mais uma vez se lançarem ao ataque, e Matuidi definir o triunfo francês por 3 a 2.

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O início da França foi arrasador. Com três minutos, Dimitri Payet, destaque do West Ham que conseguiu voltar à seleção graças à sua temporada brilhante na Premier League, já demonstrava que a oportunidade que lhe fora dada era merecida, forçando Cillessen a fazer grande defesa. No entanto, o goleiro nada pôde fazer para impedir o golaço de falta de Antoine Griezmann, que abriu o placar aos seis minutos.

Não parecia que a Holanda jogava com tantos defensores. Apesar dos três zagueiros e dois alas colocados para deter o poderio ofensivo francês, os Bleus criavam chances como queriam, a partir de triangulações rápidas e descidas em diagonal de seus pontas. Aos 13 minutos, Giroud completou finalização de Matuidi e ampliou para 2 a 0. A última vez em que a Holanda havia sofrido dois gols em tão pouco tempo jogando em casa havia sido em 1951, quando a Bélgica abriu 2 a 0 sobre a Oranje com 35 minutos.

Payet, Griezmann e Matuidi seguiram atormentando a defesa holandesa. O jogador do Atlético de Madrid cabeceou com perigo, forçando Cillessen a fazer grande defesa com o pé e impedindo o terceiro gol aos 25 minutos. Já o volante do PSG utilizou sua melhor arma, penetrando com velocidade na área, e acabou derrubado por Bruma, infração ignorada pelo árbitro. Em meio a todo esse perigo criado pelo time de Deschamps, que poderia ir para o intervalo vencendo por 4 a 0, os donos da casa pouco faziam, e um chute de Quincy Promes facilmente defendido por Mandanda foi o mais próximo do gol a que a Holanda chegou no primeiro tempo.

No intervalo, as mudanças davam o sinal de que o segundo tempo seria interessante. Na França, Deschamps promoveu a estreia de N’Golo Kanté, volante destaque do Leicester no Campeonato Inglês, do jovem Martial e de Digne, na lateral esquerda. A Holanda, por sua vez, mostrava que não se daria por vencida, tirando o zagueiro Van Dijk para a entrada de Afellay, além de Depay no lugar de Clasie. E não demorou muito para essas alterações surtirem efeito.

Logo no primeiro minuto de segundo tempo, o holandês do Manchester United cobrou falta, levantando a bola na área, e Luuk de Jong diminuiu, irregularmente, com o braço. O árbitro não viu, e o tento foi validado. Foi então que um padrão começou a se desenhar: a Oranje levava a bola pelas alas, buscando o cruzamento ou o passe para o centro, para alguém em posição boa para finalizar. Em duas chances, Klaassen quase empatou, primeiro de cabeça e depois com um voleio acrobático.

A França intercalava os momentos de se defender com outros de buscar o gol. Payet, aos 14 minutos, quase ampliou, acertando uma bela finalização de longe, na trave esquerda de Cillessen. Pela diminuição de ritmo da equipe e pela natural ansiedade do jogo de estreia, Kanté teve atuação tímida nos pouco mais de 45 minutos em campo.

Aos 41 minutos do segundo tempo, em jogada ensaiada a partir do escanteio, Depay cobrou rasteiro para Afellay, que, sozinho, finalizou no canto de Mandanda e conseguiu o empate, que parecia definir a reação impressionante da Oranje. A reação francesa, entretanto, foi fulminante. No minuto seguinte, Matuidi, de novo, apareceu na área holandesa e fechou a vitória em 3 a 2.

A Holanda passa por um momento de reformulação, e a derrota não causa mal estar, afinal o adversário era simplesmente uma das melhores seleções do mundo no momento. Como escreveu nosso colunista de futebol holandês, a transição de gerações está em fase relativamente avançada. Vários jovens já têm tido seu espaço, e é normal que leve algum tempo para o time engrenar. Uma alteração tática no segundo tempo, tirando um defensor para colocar alguém de criatividade, bastou para recolocar a Oranje no jogo, o que é um ponto positivo.

Já a França vai ganhando cada vez mais solidez conforme a Eurocopa se aproxima. A safra dos Bleus é repleta de jogadores promissores já capazes de definir, e até um talento antigo como Payet aparece como ótima opção para a formação do elenco. A dinâmica ofensiva do time de Deschamps, já vista na última Copa do Mundo, segue como marca registrada do time, e a expectativa – e, respectivamente, a pressão – será enorme para o desempenho dos anfitriões na Euro.