O RB Leipzig foi dominante em seu primeiro jogo de oitavas de final na história da Champions League. Mesmo atuando como visitantes, os alemães se sentiram dentro de casa ao ditar o ritmo do duelo com o Tottenham. No fim, o triunfo por 1 a 0 saiu barato aos Spurs, que terão missão dificílima para reverter o resultado na volta, na Alemanha.

Ninguém melhor para executar uma blitz do que um time alemão, e o Leipzig fez isso imediatamente após o apito inicial de jogo. Com um minuto de partida, já tinha quatro finalizações, duas delas ao alvo. Em ambas, grande serviço de Lloris. Primeiro parando Angeliño – e vendo a trave salvá-lo na sequência. Depois, fechando o gol cara a cara com Timo Werner.

Aos oito minutos de jogo, Bergwijn chutou de chapa, cruzado, e forçou Gulácsi a fazer grande defesa. A oportunidade no início do duelo acabaria por ser a única finalização a gol do Tottenham em todo o primeiro tempo. Dez minutos mais tarde, mais uma grande chance ao RB Leipzig: em escanteio levantado na área, Patrik Schick subiu mais alto que todos e cabeceou para baixo, rente ao pé da trave esquerda de Lloris, para fora.

O tempo ia passando, e a pressão dos alemães não diminuía. A equipe atacava com muitos homens e os usava para pressionar a saída dos Spurs logo que perdiam a bola no ataque. A combinação ofensiva na troca de passes era também muito bem feita. Em uma delas, aos 36 minutos, Werner teve outra grande chance de abrir o placar. Schick fez um pivô primoroso, ajeitou para Laimer, que serviu ao alemão. Werner, porém, parou em outra boa defesa de Lloris.

O Tottenham iniciou o segundo tempo parecendo buscar um posicionamento mais ofensivo, mas logo foi empurrado de volta para trás pelo jogo imposto pelo Leipzig. Por volta dos dez minutos, a equipe de Nagelsmann já se via com seus blocos bastante avançados e não demorou para abrir o placar.

Aos 11 do segundo tempo, Laimer penetrou bem pela área e foi derrubado por Ben Davies, que viu na falta o último recurso para impedir que o jogador ficasse em excelente condição de marcar. O pênalti claro foi assinalado, e Werner pegou a bola para a cobrança. Com uma batida seca, rasteira, converteu e fez 1 a 0.

O Tottenham tentou responder, em bola longa de Davies a Bergwijn nas costas da defesa, mas o holandês parou em boa defesa de Gulácsi. Do outro lado, o Leipzig era muito mais incisivo – e por muito pouco não ampliou. Apoiando bem pela esquerda, Angeliño esperou a hora certa para dar o passe em direção à área. Werner executou à perfeição um corta-luz, e Schick, de frente para Lloris, foi rechaçado por grande defesa do francês. Deu ainda uma bobeada no rebote, demorando para ir atrás da bola por achar que ela sairia pela linha de fundo.

Como o empate já lhe era ruim e a derrota por 1 a 0 pior ainda, o Tottenham tentou intensificar seu jogo ofensivo. Mourinho tirou Alli e Gedson Fernandes e promoveu a entrada de Lamela e Ndombele. O argentino, sobretudo, foi muito bem em seu envolvimento nos dois últimos terços do campo. Um desempenho impressionante se considerarmos que, voltando de lesão, o jogador sequer treinou com a equipe, segundo o técnico português após o jogo.

Foi outro argentino, no entanto, que chegou mais perto de balançar a rede para os Spurs. Aos 28 do segundo tempo, Lo Celso cobrou falta com veneno, no canto direito, e Gulácsi saltou com excelência para espalmar e ainda contar com a trave direita para evitar o gol. No fim da partida, aos 44 minutos, Lucas Moura se posicionou bem na área e cabeceou com perigo, mas a bola foi sobre a meta, para fora.

O Tottenham de Mourinho perdeu uma boa oportunidade de capitalizar o apoio de sua torcida para reforçar sua frágil candidatura às quartas de final. Não se pode negar, no entanto, o peso enorme que tiveram os desfalques de Son, que perderá toda a temporada por lesão, e Kane, que tampouco dá bons sinais de voltar até maio. Mourinho definiu os Spurs desta quarta como “uma pistola sem balas”.

Com o que apresentaram ambas as equipes nesta quarta-feira (19), o RB Leipzig chegará para o confronto de volta com confiança em alta. Mesmo fora de casa, dominou as ações e poderia perfeitamente ter saído com a classificação já definida, não fosse a grande atuação de Lloris, especialmente no primeiro tempo. Por outro lado, o 1 a 0 fora de casa é excelente, sobretudo com os sinais dados pelos dois times sobre suas capacidades. A tendência natural é que a supremacia alemã vista hoje se exacerbe na Red Bull Arena.