Raúl González deixou o futebol. Neste domingo, se despediu do futebol conquistando o título da NASL, liga da qual o time nova-iorquino faz parte, a segunda em importância no país. Aos 38 anos, Raúl terminou a carreira levantando uma taça, mas merecia mais que um campo universitário com pouco mais de 10 mil pessoas e um título que pouco acrescenta à sua vitoriosa carreira.

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Segundo maior artilheiro da história do Real Madrid – foi ultrapassado recentemente por Cristiano Ronaldo -, Raúl marcou época atuando tanto pelo clube de Madri, de 1994 a 2010, quanto nos dois anos que defendeu o Schalke 04 (2010 a 2012), na Alemanha. Depois, foi para o Al Sadd, no Catar, e jogou mais dois anos. Em 2014, chegou ao New York Cosmos para jogar a última temporada da sua vida nos Estados Unidos. Fez 28 jogos e marcou oito gols. O último deles na semifinal do torneio, contra o Fort Lauderdale Strikers, na vitória por 2 a 1.

A final deste domingo foi disputada no estádio Shuart, em Hampstead, no estado de Nova York. Um estádio bastante modesto, com capacidade de 11.929 pessoas e usado não só pelo Cosmos, mas especialmente pela Hofstra Pride, universidade que é dona do campo. Também é usada pelo New York Lizards, time da Major League Lacrosse (MLL). Na final da NASL, aliás, as marcações no gramado por uma partida de lacrosse estavam bem visíveis.

No jogo, o Cosmos venceu por 3 a 2, com três gols de Gastón Callerino – o terceiro deles com um belo passe de Raúl, que o deixou na cara do gol. Tom Heinemann marcou os dois gols do time canadense, que tentava seu primeiro título da liga. Foi o segundo título do Cosmos neste a refundação da liga, em 2009. O outro tinha sido em 2013, quando já tinha Marcos Senna no elenco. Aliás, ele marcou um gol na final, o gol do título na vitória por 1 a 0 sobre o Atlanta Silverbacks.

Raúl González (esq.) comemora o título do Cosmos ao lado de Carlos Mendes (centro) e Marcos Senna (Foto: divulgação)
Raúl González (esq.) comemora o título do Cosmos ao lado de Carlos Mendes (centro) e Marcos Senna (Foto: divulgação)

“Eu estou muito feliz. Foi o último jogo da minha carreira”, afirmou Raúl após o jogo deste domingo. “Eu estou muito orgulhoso por tudo que eu fiz e eu agradeço ao clube, meus companheiros e aos torcedores por este ano incrível. Para mim, agora, começo uma nova vida com outro projeto. Eu estou feliz, mas também estou muito triste”, disse o agora ex-jogador, que foi elogiado pelo companheiro, Marcos Senna. “Ganhar ao lado de Raúl foi uma situação ideal. Eu sou grato a ele por estar aqui durante este ano e ele fez diferença muitas vezes e marcou muitos gols”, afirmou Senna. “Além disso, hoje [domingo] ele não marcou gol, mas ele fez uma assistência. Ele é um jogador que muda o jogo”, elogiou o brasileiro, naturalizado espanhol.

Raúl foi um grande jogador. Não por acaso tem os números que conseguiu. Foram seis títulos da liga espanhola, três Champions League e dois Mundiais de Clubes. Também foi campeão da Copa da Alemanha pelo Schalke 04. Também conquistou a liga do Catar pelo Al Sadd e adicionou o Soccer Bowl, como chamam a final da NASL, ao seu vasto currículo.

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Um jogador do seu calibre, pela importância que tem, merecia um Bernabéu lotado para a sua despedida. Foi visto por um público pequeno, em um campo pequeno, em um campeonato pequeno. Certamente se realizou jogando em Nova York, uma cidade que é muita atraente para qualquer pessoa morar. Raúl, porém, merecia mais. Talvez esse tenha sido o jeito que ele preferiu para encerrar a sua carreira. Foi pelo Cosmos que ele teve a chance de jogar em Cuba, algo que por qualquer outro clube ele não teria a chance.

Mesmo em um local que parece menor do que o seu tamanho no futebol, Raúl se despediu com uma faixa no peito.  Sem gol, mas com um passe bonito no terceiro gol do time na final. Ao lado de Marcos Senna, que também defendeu a seleção espanhola e foi campeão europeu em 2008, escreveu seu nome em mais um clube. Mesmo que o Cosmos de 2015 não seja mais do que uma sombra, sem muita glória, daquele time que um time teve Pelé como camisa 10.

Veja como foram os gols da final da NASL e depois lembre alguns dos grandes momentos de Raúl na sua carreira, incluindo a visita a Cuba pelo Cosmos e o seu último gol na carreira: