Megan Rapinoe sempre aproveita sua plataforma para defender aquilo em que acredita – e, por seu próprio mérito, teve muito palco em cima do qual falar neste ano de 2019. Campeã do mundo, melhor jogadora da Copa 2019, melhor do mundo pela Fifa (foto acima) e agora melhor do mundo pela France Football, levando a Bola de Ouro. Em entrevista à revista francesa, cobrou estrelas do futebol masculino, mais especificamente Messi, Cristiano Ronaldo e Ibrahimovic, a também aproveitarem seu espaço para defender causas de igualdade.

Para Rapinoe, embora o futebol masculino tenha diversos problemas, como de discriminação racial, de gênero e homofobia, os craques não se envolvem em nada. “Tenho vontade de gritar: ‘Cristiano, Leo, Zlatan, me ajudem!’ (…) Eles têm medo de perder tudo? Eles acham que perderiam, mas não é verdade”, afirmou.

“Quem vai apagar o Messi ou o Ronaldo do mundo do futebol por uma declaração contra o racismo ou machismo?”, questiona, apontando para o impacto que posicionamentos da dupla de melhores jogadores da última década teriam no público imenso atingido pelo futebol.

Aos 34 anos de idade, Rapinoe atingiu uma altura no futebol da qual não havia passado perto em toda a sua carreira. Para ela, este reconhecimento vem como consequência do seu futebol, é claro, mas também por suas lutas longe dos gramados, posicionando-se constantemente contra a desigualdade de gênero e o racismo no futebol, ao mesmo passo em que é uma das vozes mais ativas da comunidade LGBTQ+ no esporte.

“Esta Bola de Ouro recompensa os dois. Por um lado, sou uma jogadora muito boa. Por outro, minha ação fora do campo me traz apoio, porque as pessoas entendem que eu ajo para encontrar soluções aos problemas de nossas sociedades. A ideia é dar força aos outros para que eles falem mais alto e mais forte”, explicou.

Rapinoe entende que não é todo mundo que tem em sua veia o espírito de batalha e que ela tem sorte de se sentir tão confortável com um microfone. Por isso, em um mundo que tem muita coisa a corrigir, ela quer estar na linha de frente das lutas.

“Tenho a sorte de ter um certo talento para lutar. Não tenho medo dos microfones, então digo o que preciso dizer. Estou exausta de viajar para conferências, encontros, mas, se as coisas precisam melhorar em nosso mundo, posso muito bem estar na linha de frente.”

Mesmo com tanta energia para o seu ativismo, o futebol não fica em segundo plano para Rapinoe – suas honras individuais falam por si. E tudo o que tem colhido em 2019 é fruto de um compromisso que a jogadora fez consigo mesma após as últimas Olimpíadas.

“Depois dos Jogos Olímpicos de 2016, decidi ser mais envolvida no meu trabalho. Queria ser melhor do que jamais fui, com a esperança de brilhar na Copa do Mundo de 2019. Meu futebol ficou mais robusto. Sinto-me melhor fisicamente, sei melhor quem eu sou, me sinto capaz de ocupar o espaço que me pertence.”