Ranking das Américas: Brasil

Com a melhoria da situação econômica do país e dos clubes em particular, o êxodo de jogadores diminuiu, o planejamento em geral das equipes melhorou e o Brasileirão ganhou terreno como melhor das Américas. Aliás, já é possível até fazer paralelos com algumas ligas importantes da Europa. Mas ainda há espaço para crescer mais. Não desperdiçar a oportunidade representada pela Copa de 2014 já seria um passo enorme.

Estrelas – 8 pts

Pelo que o Brasil produz de jogador, dava para o Brasileirão ser muito melhor. Mas há um processo claro de evolução, e já há jogadores de destaque o suficiente para o torcedor ficar ligado. Neymar ficou, Ronaldinho e Alexandre Pato voltaram, Seedorf veio, Rogério Ceni continua, Ronaldo esteve na área até recentemente.

Público nos estádios – 6

A média de público tem sido baixa nos últimos anos, mas parte disso pode ser relativizado pelo fato de grandes estádios estarem fora de ação ou com capacidade limitado devido a obras. De qualquer modo, pela grandeza da maioria dos times da Série A e tamanho dos estádios, dava para ser acima de 20 mil com tranquilidade.

Competitividade – 7

O Brasileirão 2012 não foi dos mais disputados, e há sempre quem já levante a bandeira da “espanholização do Brasileiro”, mas isso está longe de ser uma realidade. Desde 2008, foi o primeiro em que a decisão do título não ficou para a última rodada. Além disso, dos 12 clubes mais tradicionais do país, apenas Botafogo e Santos não brigaram pelo título nas rodadas finais em alguma das últimas quatro edições do Brasileirão.

Rivalidades – 8

Cada região tem seus grandes, e suas rivalidades. Times do interior também têm seus antagonistas. É, não dá para reclamar.

Violência extracampo – 3

Não atinge o nível desesperador da Argentina, nem tem o envolvimento com o crime organizado de México e Colômbia, mas as organizadas fazem uma tremenda força para baixar ainda mais a nota do Brasil nesse quesito.

Paixão – 8

O brasileiro não gosta de futebol, gosta de seu clube. Essa frase é dita com constância e, ainda que não seja verdade absoluta, tem uma dose de razão. No entanto, o amor incondicional ao clube não pode ser considerado o comportamento padrão. Muito torcedor foge do estádio quando a equipe está em má fase, se o estádio não é o mais legal ou se o alinhamento dos astros é desfavorável.

Organização – 7

Ainda está bem ruim, mas a nota 7 só aparece aqui porque o resto das Américas consegue transformar a desorganização em forma de arte. Pelo menos, o Brasileirão teve o mesmo regulamento nos últimos dez anos e pontos perdidos na Justiça no meio da competição tem sido raro.

Cobertura da mídia – 8

Todas as partidas passam na TV, mesmo que em PPV, há dez canais exclusivos de esportes, jornais e rádios fazem cobertura diária dos grandes clubes. Mas ainda falta coisa para levar um dez: a cobertura é muito regionalizada, não há um grande programa de pós-rodada no maior canal do país e há poucas revistas esportivas.

Impacto continental – 10

O Brasil teve os três últimos campeões da Libertadores, tem o atual campeão da Sul-Americana e da Recopa. E, mesmo quando não ganhou, teve representante brigando pelo título até a semifinal.

Qualidade do jogo – 9

Em 2010, o Goiás foi rebaixado com a pior campanha do Brasileirão, mas eliminou o Peñarol na Copa Sul-Americana e só perdeu o título para o tradicional Independiente nos pênaltis. Não serve como regra absoluta de que qualquer time brasileiro é melhor que qualquer sul-americano. Há uma dose de vexames brasileiros recentes para provar o contrário, mas o nível técnico do Brasileirão é superior também porque os times da parte de baixo da tabela não são tão fracos.