Rangers amassa Celtic no Ibrox, vence e torcida pode gritar: temos um campeonato na Escócia

Rangers e Celtic fizeram um clássico de encher os olhos neste 29 de dezembro. Um dos jogos de maior rivalidade do mundo, o Old Firm, como é chamado este dérbi de Glasbow, era muito aguardado. Há muito tempo o Rangers não estava tão bem diante do rival, que é amplamente dominante no futebol escocês, especialmente com a falência e consequente rebaixamento do Rangers em 2012. O que se viu neste sábado foi um Rangers dominante e que foi superior ao rival o jogo inteiro. A vitória por 1 a 0 parece até um placar muito baixo perto do que foi o volume de jogo do time comandado por Steven Gerrard. Mais importante até que isso é que a distância entre os times diminui e a disputa pelo título fica aberta. Os dois rivais terminarão 2018 empatados em pontos, com o Celtic tendo um jogo a mais para disputar.

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Durante a semana, Gerrard tinha falado sobre o apoio da torcida no estádio Ibrox. Chegou a dizer que queria que a torcida arrancasse o teto, apoiando o time com gritos mais e mais altos. A atmosfera no estádio foi muito vibrante desde antes do apito inicial. Estádio lotado, torcida cantando, apoio incondicional, um clássico de rivalidade gigantesca entre dois clubes centenários. O cenário estava pronto para um espetáculo de futebol em Glasgow.

Jogando em casa e precisando vencer, o Rangers foi para cima e criou chances seguidas. Primeiro, jogada de Ryan Kent pela esquerda e a bola caiu para Daniel Candeias, mas Craig Gordon conseguiu defender. Em seguida, o goleiro do Celtic foi novamente acionado em outra finalização de Candeias, mas fez a defesa. Aos 17 minutos do primeiro tempo, após cobrança de escanteio, Alfredo Morelos subiu de cabeça e tocou, mas a bola foi na trave. Foi a terceira chance do Rangers em poucos minutos.

A pressão do Rangers era enorme. Os Gers não deixavam o Celtic nem sentir o cheiro da grama do campo de ataque. Aos 30 minutos, o Rangers finalmente conseguiu colocar a bola para dentro e fazer valer a sua superioridade até ali. Depois de uma ótima jogada pela esquerda de Kent, que fez uma jogada de habilidade, deixando o lateral Mikael Lustig sentado, e tocou para Ryan Jack finalizar. A bola ainda passou por entre as pernas de Scott Brown e entrou, desta vez sem que o goleiro pudesse defender: Rangers 1 a 0.

O início do segundo tempo teve um lance que poderia ter ampliado a vantagem do Rangers. Antes dos dois minutos, uma bobeira da zaga visitante: Dedryck Boyatá recuou mal para o goleiro Gordon, Kent interceptou. Ele só tinha o goleiro pela frente e tocou, mas Gordon conseguiu defender. Depois de um bate e rebate na área, Scott Arfield chutou, mas Boyatá tirou, quase em cima da linha. O Celtic se salvou.

Aos 11 minutos, o Rangers mais uma vez chegou com perigo para marcar. Em uma bola enfiada em profundidade para Morelos, ela chegou a Kent, que chutou colocado. Gordon, em dia inspiradíssimo, defendeu e impediu, mais uma vez, o gol. O Rangers era amplamente superior ao seu rival, mas a vantagem mínima se mantinha no placar.

O Celtic começou a chegar um pouco mais e, em uma boa jogada de Ryan Christie, tocou em profundidade para Callum McGregor. Ele chutou com categoria, por baixo do goleiro, e empatou o jogo em Ibrox. Nem deu tempo de comemorar: a arbitragem anulou por impedimento, corretamente marcado. O coração dos torcedores do Rangers ficou na boca por alguns segundos.

Os mandantes chegariam com perigo mais uma vez aos 26 minutos. Morelos teve a chance dentro da área, mais uma vez com liberdade, e ele tocou para Arfield, que demorou um décimo de segundo a mais para chutar e acabou bloqueado por McGregor, preciso na marcação.

O Rangers não conseguia matar o jogo e o Celtic tentava chegar ao ataque. E levou muito perigo. Eram 40 minutos quando Odsonne Edouard entrou na área, tentou o passe para trás e Olivier Ntcham viu a bola sobrar, no apertado espaço dentro da área. A finalização veio, mas o bloqueio também, com Andy Halliday. A melhor chance do Celtic no jogo, que passou perto de marcar e deixou apreensivos os torcedores nas arquibancadas do Ibrox.

Nos minutos finais, o nervosismo era grande. Halliday gastou tempo, tentando fazer a famosa cera, e o árbitro deu cartão amarelo ao jogador do Rangers. A torcida seguia cantando e o Rangers tentava reduzir o ritmo frenético que o jogo teve na maior parte do tempo. E o time foi bem-sucedido: segurou a vitória até o fim, fazendo explodir o estádio com o apito final. Uma explosão de alegria que os torcedores do Rangers estavam com saudade de ter: uma vitória sobre o rival Celtic. Mais do que a vitória, o desempenho, muito superior.

Foram seis anos esperando por uma vitória do Rangers sobre o Celtic, se contarmos apenas o tempo normal. A última vitória do Rangers foi nos pênaltis em 2016. Em um jogo pela liga, são seis longos anos. A última vitória tinha sido no dia de março de 2012, quando, ainda pelo Campeonato Escocês, o Rangers venceu por 3 a 2. Foi ao final daquela temporada que o Rangers faliu e acabou rebaixado.

Depois disso, foram 15 jogos e 12 vitórias do Celtic, com três empates. Em um deles, o Rangers se classificou na semifinal da Copa da Escócia, em 2016, o último triunfo sobre o rival, ainda que não tenha sido uma vitória. Desta vez, porém, é uma vitória, e pela liga, merecendo o resultado e encostando na disputa pelo título.

O Rangers empata em pontos com o Celtic, 42, ainda que o Celtic tenha uma partida a mais para jogar. O que o Rangers conseguiu mostrar no jogo deste sábado foi a força de um time que tem força para ser campeão. Tem força para bater o principal time do país nos últimos anos. O Campeonato Escocês parece que terá uma disputa acirrada pela taça pela primeira vez em seis anos. O tamanho do significado disso para quem estava no estádio de Ibrox é indescritível. E que grande vitória para a carreira de Steven Gerrard como técnico.

 


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