Um dos grandes nomes da Croácia na Copa do Mundo, Ivan Rakitic é um símbolo croata. Nascido e criado na Suíça, filho de croatas, decidiu defender a nação dos pais. Fez um grande papel e lembrou da trajetória na Rússia, histórica para a Croácia. O vice-campeonato, mesmo sendo o melhor resultado da história do país, que se separou da Iugoslávia em 1991, deixou um gosto na boca dos jogadores que é amargo. Eles sentiram que poderiam ter vencido e isso, de certa forma, dói. Em entrevista ao jornal Guardian, Rakitic contou sobre a Copa, o duelo com a Inglaterra e o canto de Football is coming home, que poderia ter subestimado a Croácia – embora ele mesmo não ache que foi o caso.

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“Ninguém nos tinha como finalistas, mas a ideia foi sempre alcançar o último dia, eu não queria voltar antes”, afirmou o meio-campista. Na semifinal, a Croácia superou a Inglaterra, mesmo perdendo por 1 a 0. “No intervalo, nós tínhamos fé”, afirmou Rakitic. A Inglaterra vencia por 1 a 0, gol de Kieram Trippier, de falta. “Foi um gol brilhante, o jogo virou a favor deles, mas nós não sentimos que isso estava perdido, talvez pelo que aconteceu antes”, afirmou ainda o jogador.

“Nós somos um país pequeno, mas há croatas na Austrália, América do Sul, África, o outro lado do mundo e você pensa: ‘Eu posso fazer história com meus irmãos. Na maior parte, porém, você não pensa em nada: conversas com minha esposa, FaceTime com minhas filhas, coisas do dia a dia”, afirmou o jogador.

Depois da volta do intervalo, Ivan Perisic empatou para a Croácia e o time dos Bálcãs sentiu que o jogo tinha virado ao seu favor. “Nós pudemos ver isso naqueles primeiros 15, 20 minutos quando, honestamente, eles não sabiam o que fazer”, afirmou Rakitic. “Você sente o controle, você se sente feliz, confortável. Eles estão achando mais difícil chegar ao seu gol e você está ficando mais perto do deles. Você até pensa: ‘Prorrogação? Tudo bem, sem problemas’”, disse o jogador do Barcelona.

A semifinal da Croácia contra a Inglaterra teve, pela terceira vez seguida, prorrogação para os croatas. Curiosamente, porém, Rakitic não acha que isso seria um problema. “Foi provavelmente a nossa melhor”, afirmou o jogador. “Há um pouco de sorte no nosso segundo gol: no pasa nada. Eu joguei com uma febre, eu tinha um vírus, mas isso me deu força sabendo que nós estávamos em uma boa posição”, contou.

“Eu parabenizei Gareth Southgate primeiro, mas foi um momento de loucura”, afirmou Rakitic, sobre a sensação depois da vitória sobre os ingleses. “Alguém disse que nos faltou respeito porque nós não apertamos as mãos depois, mas você tem que entender o que aquilo significou. Um país como a Croácia – eu não sei quantos habitantes Londres tem, mas provavelmente o dobro da nossa população toda – chegou à final. Não é que nós desrespeitamos a Inglaterra, é apenas que nos sentimos com vontade de correr e abraçar todos os croatas do planeta. Internamente, você sente… Eu não sei, você não pode explicar”.

Luka Modric, capitão da Croácia, afirmou que a Inglaterra os subestimou e, assim, os motivou mais ainda. Rakitic é mais contido. “Bem, nós todos vimos o Football’s Coming Home”, contou. “Não nos ofendeu. É algo positivo que você criou ao redor do time que não foi feito para ofender, mas nós pensamos: ‘Sim, mas vocês ainda precisam jogar conosco’. Eu entendo que um país, – O país do futebol – tenha esse desejo e a Inglaterra chegou perto. Foi um bom marketing, e nós tentamos algo similar com a nossa hashtag #familia, mas nós pensamos: ‘Agora, mais do que nunca, nós queremos que volte para casa conosco’”, explicou o jogador do Barcelona.

Chegar à final da Copa do Mundo é algo incrível. E Rakitic conta que nem mesmo uma final de competição europeia chega perto do que significa o Mundial. “Você sente um orgulho tão forte que se o Super-Homem descesse, ele não conseguiria nos arrastar; ele não poderia te mudar, o desejo é tão poderoso, a vontade. É incrível. Você experimenta emoções que você não irá esquecer jamais. É único. Eu tive a sorte de ganhar a Champions League, mas, com respeito, nem isso chega perto. Você pensa: Ok, pare tudo, vamos jogar”, disse.

A derrota por 4 a 2 na final para a França foi dolorida. “Aquela foi talvez o nosso melhor jogo. Por uma hora, nós fomos melhores que eles, bem superiores. Você pode ver isso nos rostos dos adversários algumas vezes e nós poderíamos ver que a França não sabia como nos parar, como nos controlar, como sair, atacar. Eles estavam desconfortáveis. Mas, para tudo isso, o deus do futebol, naquele momento…”, conta Rakitic.

“Na final, o deus do futebol foi francês. O primeiro gol veio de uma falta que não foi falta e o VAR poderia ter interferido porque Pogba estava impedido. Então o VAR não errou exatamente o pênalti, mas se ele não tivesse dado, não haveria tantas reclamações. Se há um pênalti, eu vi uma vez e eu sei; eu não preciso ver 10 vezes. Tudo que melhora o futebol é bem-vindo, mas com o VAR as jogadas param, o futebol perde algo. Você marca e não pode comemorar, você pode esperar para ver se o dedo do árbitro está no ouvido ou alguma outra coisa”, avaliou Rakitic.

“Você repete muitas e muitas vezes, especialmente na primeira noite. Você diz para você mesmo, para cada um de nós: ‘Você foi o melhor time, criou chances, França não estava confortável’. Há aqueles gols, então os chutes de Pogba, e volta para ele e ele dá outro chute. Mbappé corre a 50 km/h e marca – nós fomos pegos no ataque, com o pé errado. Pequenas coisas não aconteceram para nós. Mas nós jogamos um grande, grande jogo e nossas cabeças nunca baixaram apesar de perder por algum tempo”, afirmou.

A Croácia de Rakitic teve altos e baixos depois a Copa, algo compreensível. O calendário de jogos de seleções é um tanto apertado demais, com jogos demais e em agosto a seleção já estava em campo novamente. Em um dos jogos, derrota pesada para a Espanha por 6 a 0, no dia 11 de setembro. Um jogo terrível da vice-campeã do mundo, mas que a volta aconteceu: em casa, a Croácia venceu por 3 a 2 neste dia 15, o que colocou os croatas em ótima posição para avançar na Liga das Nações. Se vencer a Inglaterra, os Croatas avançam e deixam para trás também os espanhóis.


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